Eu adoro Star City e sua conclusão, na próxima semana, certamente vai me deixar com saudade. E o episódio 7 deixou claro por quê: poucas séries recentes entendem tão bem que um grande twist não deve encerrar uma história. Ele deve explodi-la.
Depois do final devastador do episódio anterior — quando tudo indicava que Raskova havia ordenado a execução de Valya, Sasha e Lakshmi após descobrir que Valya espionava para os americanos — fiquei, como imagino que muitos espectadores, sem ar. E não apenas pela suposta morte dos três astronautas, mas porque a série escolheu deliberadamente não responder ao que havia acontecido com Tanya, com o engenheiro-chefe e com a misteriosa agente americana.
Então veio o salto para 1971, o que nos faz pausar e rever como chegamos até aqui.

O que aconteceu em Star City até agora
Star City começou como uma história sobre a vitória soviética na corrida espacial, mas rapidamente revelou ser uma série sobre o preço humano dessa vitória. A trama acompanha cosmonautas, engenheiros e agentes da KGB vivendo sob vigilância constante, em um sistema no qual amizade, amor e patriotismo são frequentemente incompatíveis.
Ao longo da temporada, acompanhamos a ascensão de Irina Morozova dentro do aparato soviético; a relação complexa entre a jovem cosmonauta Anastasia Belikova e o legado dos heróis espaciais; o casamento de Tanya e Valya Markelov; a trajetória impulsiva e emocional de Sasha; e a chegada de Lakshmi, cientista estrangeira cuja presença expõe as contradições da diplomacia soviética. Paralelamente, a chefe da segurança, Lyudmilla Raskova, consolida seu poder através da vigilância, da manipulação e do medo.
Nos episódios finais, descobrimos que Valya foi chantageado e que vinha espionando para os americanos para proteger Tanya. Quando ele é exposto, Sasha e Lakshmi decidem ajudá-lo, levando Raskova a ordenar a despressurização da nave em que os três estão. O Chefe de Projetos tenta impedir a execução e acaba preso. O episódio termina com uma explosão a bordo da espaçonave, sugerindo a morte dos três astronautas.
O que acontece no episódio 7
O episódio 7, “Plow Deep”, salta diretamente para 1971 e passa quase uma hora inteira convencendo o espectador de que Valya, Sasha e Lakshmi realmente morreram. O programa espacial soviético reescreveu a tragédia como um acidente heroico; Belikova vive o luto; Raskova perdeu parte de sua influência; e um novo Chefe de Projetos, ligado à KGB, assume o controle do programa espacial.
Mas o episódio funciona como uma armadilha. Depois de anos “presa à Terra”, Anastasia Belikova agora viúva de Sasha e sofrendo pela morte dele, é reenviada ao Espaço para recuperar a imagem soviética e ajudar na missão espacial de espionar os americanos. Uma vez fora da Terra, nos minutos finais, descobrimos que Valya, Sasha e Lakshmi sobreviveram à explosão e que estão na rota de retorno à Terra. E é aí que Star City faz algo brilhante: a revelação não responde à pergunta principal. Ela cria várias outras.

A primeira delas é a mais óbvia: afinal, como a tripulação sobreviveu ao fogo? Ou melhor: todos três sobreviveram?
Em seguinda, o que Raskova fará quando souber? Se estiver vivo, como Valya vai escapar uma vez que estiver de volta a Star City?
Será que Sasha terá revelado à Valya que o traiu com Tanya? Afinal, uma vez que as verdades vieram à tona tão dratiscamente e eles conseguindo sobreviver, não é como se faltasse tempo para muitos esclarecimentos.
Como será o reencontro de Sasha e
Há as perguntas envolvendo Tanya: onde ela está? O episódio praticamente a apaga da narrativa,mas sua ausência é tão evidente que parece impossível acreditar que não seja intencional. Fugiu? Foi protegida? Ou sacrificada? A calma de Irina me dá medo.
Há a questão que envolve a agente americana. Depois de desempenhar um papel tão importante na espionagem de Valya, ela simplesmente desaparece da história. E, em Star City, personagens não desaparecem por acaso. Ainda mais com Irina envolvida.
Outro mistério é talvez o mais intrigante politicamente. Se Tanya escapou e tantos eventos saíram do controle de Raskova, por que Irina continua merecendo sua confiança? O que aconteceu entre as duas durante os anos que a série escolheu esconder? O que Irina fez — ou deixou de fazer — para permanecer ao lado da mulher mais poderosa de Star City?

O episódio tenta finalmente humanizar Raskova com a revelação de que seu filho morreu na guerra, um fato que não absolve nenhum de seus atos, mas nos obriga a perguntar: quem era Raskova antes da tragédia? Quanto da mulher que conhecemos foi criado pela dor? E quanto dela sempre esteve ali?
E, finalmente, há o maior mistério de todos: qual é exatamente o segredo do passado de Irina? Sabemos, por For All Mankind, a figura poderosa — e quase monstruosa — em que ela se tornará. Mas Star City insiste em sugerir que existe um trauma, uma escolha ou uma traição fundamental que ainda não vimos.
Por isso, talvez o maior mérito do episódio 7 seja este: ele nos convenceu de que estávamos assistindo a uma história sobre a morte de três astronautas. Na verdade, estávamos assistindo à origem de todos os segredos que transformarão Irina e, possivelmente, a própria história do programa espacial soviético.
E, honestamente? Eu não confio em Raskova, mas menos ainda em Irina. Depois deste episódio, não tenho certeza de que deveria confiar em mais ninguém em Star City, mas claramente vou ficar ansiosa por uma segunda temporada!
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