Avengers: Doomsday: o que você precisa lembrar antes do novo Vingadores

Quando Avengers: Endgame terminou, em 2019, parecia que a Marvel havia fechado um gigantesco livro. Tony Stark estava morto. Natasha Romanoff também. Steve Rogers havia envelhecido e entregado seu escudo a Sam Wilson. Thor partiu com os Guardiões da Galáxia e os Vingadores, pelo menos como nós os conhecíamos, praticamente deixaram de existir. Sete anos e uma quantidade quase indecente de filmes e séries depois, eles finalmente voltam a se reunir em Avengers: Doomsday.

É, portanto, o primeiro filme dos Vingadores desde Endgame e a primeira vez que a Marvel tenta novamente fazer aquilo que durante mais de uma década foi sua especialidade: pegar histórias aparentemente separadas e provar que todas estavam caminhando para o mesmo lugar. A diferença é que desta vez acompanhar o caminho foi consideravelmente mais trabalhoso.

A boa notícia é que você não precisa rever tudo. A má notícia é que algumas coisas realmente precisam ser lembradas.

Aqui está, portanto, meu Avengers: Doomsday for Dummies.

Primeiro: onde deixamos os Vingadores em Endgame?

Comecemos pelo básico.

Tony Stark morreu derrotando Thanos. Natasha morreu em Vormir para que os heróis conseguissem a Joia da Alma. Steve Rogers voltou ao passado, viveu a vida que nunca teve com Peggy Carter e entregou o escudo do Capitão América a Sam Wilson. Thor sobreviveu, Hulk sobreviveu, Clint Barton sobreviveu, mas a equipe que Nick Fury havia começado a montar em 2012 deixou, na prática, de existir. Desde então tivemos heróis. Tivemos alianças. Tivemos encontros. O que não tivemos foi outro filme chamado Vingadores.

Doomsday muda isso. A Marvel confirma o retorno dos irmãos Anthony e Joe Russo, diretores de Infinity War e Endgame, e coloca diante deles um elenco que mistura Vingadores, Wakanda, Novos Vingadores, Quarteto Fantástico e personagens dos antigos filmes dos X-Men. Robert Downey Jr., porém, não volta simplesmente como Tony Stark: ele interpreta Victor von Doom, o Doutor Destino.

E aí começa nossa confusão.

WandaVision: Wanda abriu uma porta que nunca mais foi fechada

Mesmo sendo uma série, WandaVision é provavelmente uma das histórias mais importantes dessa nova fase.

Após perder Vision, Wanda Maximoff criou involuntariamente uma realidade inteira em Westview para viver a família que desejava. Depois precisou destruí-la e perder novamente Vision e seus filhos, Billy e Tommy.

O importante para Doomsday não é decorar Westview. É lembrar que Wanda se tornou a Feiticeira Escarlate e que a Marvel começou ali a transformar realidade, magia e universos paralelos em partes centrais de sua narrativa.

Ela aparentemente morreu em Doctor Strange in the Multiverse of Madness. “Aparentemente” e “Marvel” na mesma frase, naturalmente, nunca significam muita coisa.

Precisa rever?

Importante, especialmente junto com Doctor Strange 2.

Falcão e o Soldado Invernal: existe um novo Capitão América

Steve Rogers não é mais o Capitão América da linha principal do MCU. Sam Wilson é. A série mostrou sua resistência inicial em assumir o escudo, a tentativa do governo americano de criar outro Capitão e finalmente Sam aceitando aquilo que Steve havia escolhido para ele.

Isso importa muito porque Sam é agora uma das figuras naturais para tentar reconstruir os Vingadores.

Precisa rever?

Não necessariamente. Basta lembrar: Sam Wilson = Capitão América.

Viúva Negra: esqueça Natasha por um minuto e lembre de Yelena

Black Widow se passa antes da morte de Natasha, portanto, poderia parecer pouco importante. Não é. O filme apresentou Yelena Belova, irmã adotiva de Natasha e uma das personagens que mais cresceram depois de Endgame. Florence Pugh voltou em Hawkeye e depois em Thunderbolts*, transformando Yelena praticamente na sucessora emocional — embora não exatamente heroica — da Viúva Negra.

O que lembrar?

Natasha morreu. Yelena ficou. E carrega boa parte do legado dela sem querer simplesmente substituí-la.

Precisa rever?

Não. Mas precisa saber quem Yelena é.

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis: aqueles anéis ainda precisam de explicação

Talvez seja um dos maiores “lembra disso?” da Marvel.

Shang-Chi termina com Wong examinando os Dez Anéis ao lado de Bruce Banner e Carol Danvers. Eles descobrem que os artefatos são extremamente antigos e estão emitindo uma espécie de sinal. Para quem? Cinco anos depois, continuamos esperando uma resposta.

Simu Liu está entre os nomes ligados a Doomsday, o que torna muito provável que finalmente descubramos por que a Marvel terminou aquele filme praticamente piscando para nós e dizendo: “isso será importante depois”.

Precisa rever?

Vale muito lembrar o final.

Eternos: existe um gigante saindo da Terra e todos fingiram normalidade

Eternals terminou com uma imagem difícil de ignorar: o Celestial Tiamut parcialmente emergindo do planeta e ficando petrificado no oceano. Durante anos pareceu que absolutamente ninguém no MCU achava estranho existir uma espécie de mão gigantesca saindo da Terra.

Captain America: Brave New World finalmente resolveu lembrar dela. O material ligado a Tiamut passou a ter enorme importância geopolítica e criou uma nova disputa entre países.

Precisa rever?

Não.

Basta lembrar: há um Celestial petrificado no oceano e seus restos se tornaram um recurso estratégico.

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa: o multiverso deixou de ser teoria

Aqui está uma peça realmente importante. Peter Parker pediu ao Doctor Strange que fizesse o mundo esquecer sua identidade secreta. Tudo deu errado, personagens de outros universos começaram a atravessar para o MCU e, no final, Strange precisou lançar um feitiço ainda mais radical: ninguém mais se lembra de Peter Parker.

Mas o ponto maior para Doomsday é outro: No Way Home provou definitivamente que personagens de franquias cinematográficas diferentes podem coexistir através do multiverso. Tobey Maguire e Andrew Garfield apareceram ao lado de Tom Holland.

Depois disso, qualquer porta estava aberta.

Precisa rever?

Sim, pelo menos o final.

Doctor Strange no Multiverso da Loucura: aprenda uma palavra — incursão

Provavelmente o conceito mais importante para entender Doomsday. Doctor Strange atravessa diferentes universos ao tentar proteger America Chavez, uma jovem capaz de viajar entre realidades. O filme apresenta variantes, universos alternativos e os Illuminati, mas deixa sobretudo uma ideia fundamental: incursões.

Uma incursão acontece quando dois universos colidem, ameaçando destruir um ou ambos. E adivinhe qual é justamente a base anunciada para Doomsday? Heróis de universos diferentes entrando em rota de colisão.

Esse não é apenas mais um detalhe do multiverso. É provavelmente o coração da história que levará de Doomsday até Avengers: Secret Wars.

Precisa rever?

Thor: Amor e Trovão: Thor agora é pai

Sim. É um dos essenciais.

Você pode esquecer quase todo o resto. Jane Foster morreu depois de assumir temporariamente o Mjolnir e se tornar a Poderosa Thor. Thor terminou o filme cuidando de Love, filha de Gorr. Thor está confirmado entre os personagens centrais de Doomsday e continua sendo um dos pouquíssimos Vingadores originais ainda em atividade.

Mas há uma diferença importante em relação ao homem que enfrentou Thanos: agora ele tem alguém a perder.

Precisa rever?

Não.

Pantera Negra: Wakanda Para Sempre: Wakanda perdeu T’Challa e ganhou uma nova Pantera

Após a morte de T’Challa, Shuri assumiu o manto da Pantera Negra. O filme também apresentou Namor e Talokan, uma poderosa civilização submarina, e revelou no final que T’Challa teve um filho com Nakia. Para Doomsday, o essencial é saber que Wakanda continua sendo uma potência central do MCU, mas agora sob uma nova geração.

Shuri, M’Baku e personagens ligados a Wakanda fazem parte desse novo tabuleiro.

Precisa rever?

Não, mas lembre que Shuri é a Pantera Negra.

Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania: o grande plano que mudou no caminho

Aqui temos talvez a maior curiosidade arqueológica dessa fase. Quantumania deveria ser uma peça central da saga de Kang. Kang, suas variantes e o Conselho dos Kangs estavam claramente sendo preparados como a grande ameaça que culminaria em Avengers: The Kang Dynasty. Esse filme não existe mais.

A Marvel mudou de direção, Kang deixou de ser o grande vilão e Doutor Destino assumiu o centro da história. O que ainda pode importar?

O Reino Quântico, a ideia de variantes e Cassie Lang, filha de Scott, que já faz parte da nova geração de heróis e foi confirmada pela Marvel para Doomsday.

Precisa rever?

Provavelmente não.

É o filme que mais parece pertencer a uma versão abandonada do futuro da Marvel.

Guardiões da Galáxia Vol. 3: os Guardiões que conhecíamos acabaram

Peter Quill voltou à Terra. Gamora seguiu outro caminho. Rocket assumiu uma nova formação dos Guardiões. Drax e Nebula ficaram em Luganenhum. Ou seja, a velha equipe terminou. Até agora, nada indica que Guardians 3 seja fundamental para Doomsday.

Precisa rever?

Não.

Pode descansar.

Você merece.

The Marvels: Monica Rambeau caiu no universo errado

O filme pode não ter sido um sucesso, mas seu final é importantíssimo. Monica Rambeau usa seus poderes para fechar uma ruptura no espaço e termina presa em outra realidade. Lá encontra sua mãe, Maria Rambeau, viva — mas como uma versão alternativa — e, sobretudo, Hank McCoy, o Fera, interpretado novamente por Kelsey Grammer.

Ou seja: os X-Men oficialmente entraram no jogo do multiverso.

Doomsday reúne justamente personagens associados aos antigos X-Men da Fox, incluindo Professor Xavier, Magneto, Ciclope, Noturno, Mística e Fera.

The Marvels ajudou a abrir essa porta.

Precisa rever?

Só a cena final.

Sinceramente.

Loki: pare tudo. Esta talvez seja a série mais importante

Se você só pretende rever uma série antes de Doomsday, escolha Loki. Principalmente a segunda temporada.

Loki descobre que aquilo que chamávamos de “linha temporal” é muito mais complexo do que imaginávamos. No final, ele literalmente assume a responsabilidade por manter vivas inúmeras ramificações temporais, tornando-se uma espécie de guardião do multiverso.

Tom Hiddleston retorna em Doomsday. Isso dificilmente é coincidência. Loki começou como o vilão que obrigou os Vingadores a se reunirem pela primeira vez em 2012. Agora pode acabar sendo uma das figuras que explicarão por que precisam se reunir novamente.

Precisa rever?

SIM. Em letras maiúsculas.

Deadpool & Wolverine: a Fox agora faz parte oficialmente da brincadeira

Deadpool & Wolverine fez algo que parecia impossível alguns anos atrás: incorporou abertamente a história cinematográfica da antiga Fox ao multiverso da Marvel.

Wolverine voltou. Blade apareceu. Elektra apareceu. Gambit apareceu. Personagens descartados, universos mortos e franquias encerradas passaram a existir dentro de uma mesma lógica narrativa. Isso é essencial porque Doomsday fará algo semelhante em escala muito maior com os X-Men.

Patrick Stewart, Ian McKellen, James Marsden, Rebecca Romijn, Alan Cumming e Kelsey Grammer estão entre os veteranos que atravessam novamente essa porta. O elenco oficial anunciado pela Marvel mistura justamente personagens do MCU com os antigos X-Men.

Precisa rever?

Sim.

Mais pela lógica do multiverso do que pela trama específica.

Capitão América: Admirável Mundo Novo: Sam precisa montar uma equipe

Este é importante porque reposiciona os Vingadores no mundo político da Marvel.

Sam Wilson já não está apenas tentando provar que merece carregar o escudo. Ele ocupa de fato o lugar de Capitão América num mundo sem Steve Rogers e precisa lidar com ameaças globais sem a estrutura que os antigos Vingadores tinham.

A pergunta passa a ser óbvia: quem são os Vingadores agora?

Doomsday terá de responder.

Precisa rever?

É recomendável.

Thunderbolts*: surpresa, eles são os Novos Vingadores

Aqui chegamos ao filme provavelmente mais diretamente conectado a Doomsday. Yelena, Bucky Barnes, Red Guardian, Ghost, John Walker e Bob/Sentry acabam formando uma equipe improvável.

E então vem a revelação: eles passam a ser apresentados como os Novos Vingadores. Isso cria um problema deliciosamente confuso. Sam Wilson deveria reconstruir os Vingadores. Valentina Allegra de Fontaine agora tem outra equipe usando praticamente o mesmo nome. Doomsday não começa, portanto, com “os Vingadores”. Começa com diferentes grupos disputando ou carregando versões desse legado.

E vários integrantes de Thunderbolts* estão diretamente no elenco de Doomsday.

Precisa rever?

Sim. Absolutamente.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos: não é o mesmo universo

Este é indispensável. O Quarteto Fantástico não vive originalmente na mesma Terra dos Vingadores. Reed Richards, Sue Storm, Johnny Storm e Ben Grimm vêm de outro universo, retrofuturista e visualmente inspirado nos anos 1960. Isso importa enormemente porque Doomsday reúne personagens de três realidades diferentes, e o Quarteto é uma delas.

Além disso, Doutor Destino é historicamente um dos personagens mais profundamente ligados ao Quarteto Fantástico.

Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach retornam todos em Doomsday. Kevin Feige já havia confirmado oficialmente que o grupo seguiria diretamente para o filme dos Vingadores.

Precisa rever?

SIM.

Ao lado de Loki, Thunderbolts* e Doctor Strange 2, é provavelmente o dever de casa mais importante.

E Robert Downey Jr.? Tony Stark virou Doutor Destino?

Essa é a pergunta que a Marvel quer que você faça. Robert Downey Jr. morreu como Tony Stark. Agora aparece como Victor von Doom. Até o momento, isso não significa automaticamente que Tony Stark “virou” Doutor Destino.

O multiverso permite várias possibilidades: ele pode ser simplesmente Victor von Doom com o mesmo rosto de Tony; uma variante; alguém cuja semelhança terá importância narrativa; ou algo ainda escondido pela Marvel.

O que sabemos oficialmente é simples:

Robert Downey Jr. interpreta Victor von Doom.

E colocar o rosto do homem que salvou o universo em Endgame no principal vilão que ameaça os novos heróis é obviamente uma escolha narrativa, não apenas uma decisão de elenco. A Marvel anunciou Downey como Doom em 2024, e o personagem é a ameaça central de Doomsday.

Então, o que realmente preciso rever?

Caso você tenha uma vida e não pretenda passar os próximos meses assistindo novamente a dezenas de horas de Marvel, minha lista seria bem mais curta.

Essenciais

Loki — temporadas 1 e 2
Para entender linhas temporais, variantes e o estado atual do multiverso.

Doctor Strange no Multiverso da Loucura
Para entender incursões.

Thunderbolts*
Para saber quem são os Novos Vingadores.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
Para entender de onde vem uma das equipes centrais de Doomsday.

Deadpool & Wolverine
Para compreender como a Marvel incorporou os antigos universos da Fox.

Basta lembrar o final

Shang-Chi — os Dez Anéis estão emitindo um sinal misterioso.

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa — ninguém lembra quem é Peter Parker e o multiverso já misturou versões diferentes dos mesmos heróis.

The Marvels — Monica ficou presa em outro universo e encontrou o Fera.

Captain America: Brave New World — Sam Wilson é definitivamente o Capitão América e precisa reconstruir algo parecido com os Vingadores.

Pode sobreviver sem rever

Black Widow.

Eternals.

Thor: Love and Thunder.

Guardians of the Galaxy Vol. 3.

Quantumania.

Não porque nada neles possa reaparecer, mas porque a Marvel provavelmente terá de reexplicar qualquer informação realmente necessária.

Afinal, qual é a verdadeira preparação para Doomsday?

Talvez seja simplesmente entender que a Marvel passou os últimos anos construindo não uma nova equipe, mas várias. Sam Wilson carrega o legado do Capitão América. Yelena e os Thunderbolts viraram Novos Vingadores. Shuri lidera uma nova geração de Wakanda. Shang-Chi apareceu praticamente sozinho e depois desapareceu por anos. O Quarteto Fantástico existe em outra realidade. Os X-Men existem em outra. Loki sustenta o multiverso. E em algum lugar entre todas essas histórias aparece Victor von Doom usando o rosto mais reconhecível de toda a história do MCU.

Essa é talvez a diferença fundamental entre Endgame e Doomsday. Endgame reuniu personagens que nós já conhecíamos como parte da mesma história, Doomsday precisa primeiro convencer personagens — e talvez também o público — de que todas essas histórias ainda pertencem ao mesmo universo. Ou, neste caso, aos mesmos universos.

E só depois poderá dizer novamente: Avengers, assemble.


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