Durante décadas, Leia Organa foi apresentada como princesa, senadora, líder rebelde, general e uma das figuras políticas mais importantes da galáxia. Apenas muito tarde, porém, Star Wars resolveu lembrar que a irmã gêmea de Luke Skywalker também era filha de Anakin Skywalker e, portanto, profundamente ligada à Força.
Agora, quase oito anos depois de A Ascensão Skywalker revelar que Leia chegou a ser treinada como Jedi, a Lucasfilm finalmente contará essa história.
Anunciado durante o painel editorial da Lucasfilm na San Diego Comic-Con, Star Wars: Twin Crossroads, novo livro de Beth Revis, acompanhará Luke e Leia pouco depois dos acontecimentos de O Retorno de Jedi. Com a segunda Estrela da Morte destruída e a Nova República ainda tentando localizar os remanescentes do Império, os irmãos treinam juntos no planeta Ajan Kloss. O lançamento está previsto para abril de 2027, quando o primeiro Star Wars completará 50 anos.

A Jedi que o cinema quase não mostrou
O treinamento de Leia apareceu rapidamente em A Ascensão Skywalker. Em um flashback, Luke e a irmã duelavam com sabres de luz, revelando que ela havia avançado muito mais no caminho Jedi do que os filmes anteriores permitiam imaginar.
A explicação oferecida posteriormente pelo cânone foi que Leia abandonou o treinamento depois de ter uma visão na qual sua permanência naquele caminho terminaria com a morte de seu filho, Ben Solo. Ela entregou o sabre a Luke e voltou à vida política, embora nunca tenha perdido sua ligação com a Força e mais tarde tenha usado o que aprendeu para treinar Rey.
O problema é que uma decisão gigantesca na vida de uma das personagens mais importantes da franquia acabou resumida em uma cena muito breve. Nunca vimos Leia descobrindo suas habilidades, construindo o próprio sabre ou tentando compreender o que significava carregar o mesmo poder que transformou seu pai em Darth Vader.
É justamente nesse vazio que Twin Crossroads pretende entrar.
Beth Revis contará como Leia conseguiu o cristal kyber usado em seu sabre e como passou a lidar com a possibilidade real de se tornar uma Jedi. A escritora também promete explorar a relação entre os irmãos sem a solenidade normalmente associada aos Skywalker. Antes de serem mestre e aprendiz, eles são Luke e Leia, dois jovens tentando construir alguma intimidade depois de passarem quase toda a vida sem saber da existência um do outro.

O peso de ser filha de Darth Vader
Há ainda uma questão especialmente interessante. Luke termina O Retorno de Jedi reconciliado, de alguma maneira, com Anakin. Foi ele quem percebeu que ainda existia bondade no pai e quem testemunhou seu último gesto de redenção.
Leia não teve a mesma experiência.
Para ela, Darth Vader continuava sendo o homem que participou da destruição de Alderaan, torturou seus aliados e sustentou durante anos a violência do Império. Descobrir que aquele homem era seu pai não poderia ter exatamente o mesmo significado que teve para Luke.
O livro colocará os dois diante não apenas do legado de Anakin, mas também do de Padmé Amidala. Em uma missão secreta, Luke e Leia viajarão para Coruscant e entrarão no antigo Palácio Imperial, construído sobre o que havia sido o Templo Jedi. Ali, encontrarão vestígios da antiga Ordem, da República e da vida de seus pais antes do nascimento dos gêmeos.
É uma oportunidade rara de aproximar Leia da mãe. Luke herdou de Anakin a relação mais evidente com a Força, mas Leia sempre carregou muito de Padmé: a inteligência política, a resistência ao autoritarismo e a convicção de que uma batalha não termina apenas porque o inimigo mais visível foi derrotado.
Uma escolha, não uma incapacidade
O título Twin Crossroads, algo como “Encruzilhada dos Gêmeos”, já deixa claro que a história não será apenas sobre treinamento. Luke e Leia estarão diante de futuros diferentes.
Ele deseja reconstruir a Ordem Jedi, embora ainda duvide da própria capacidade de ensinar. Luke interrompeu seu treinamento com Yoda para tentar salvar os amigos e, apesar de ter derrotado o Império, sabe que ainda possui enormes lacunas em sua formação. Ao assumir Leia como primeira aluna, precisa ensinar algo que ele próprio ainda está tentando compreender.

Leia, por outro lado, terá de decidir se deseja dedicar completamente a vida à Força. Seu afastamento do caminho Jedi não deve ser lido como fracasso. Ela poderia ter se tornado uma Jedi, mas percebeu que sua responsabilidade com a galáxia talvez estivesse em outro lugar.
Essa diferença é essencial. Durante muito tempo, a história de Leia com a Força pareceu uma possibilidade que Star Wars simplesmente não quis desenvolver. Twin Crossroads pode transformar essa ausência em uma escolha consciente da própria personagem.
Ao mesmo tempo, o lançamento confirma uma estratégia recorrente da franquia. Os filmes apresentam uma revelação, mas deixam para os livros, quadrinhos e séries a tarefa de dar sentido emocional ao que apareceu rapidamente na tela. Pode ser frustrante que uma passagem tão importante não tenha sido transformada em filme ou série. Ainda assim, é difícil não sentir curiosidade.
Leia Organa não precisava de um sabre de luz para se tornar uma heroína. Mas saber que ela chegou a empunhar um, aprendeu a usá-lo e depois decidiu qual seria o próprio caminho torna sua história ainda mais interessante.
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