Em um episódio em que tanta coisa acontece — e que se distancia bastante do livro —, ficou claro, para possível revolta completa de George R.R. Martin, que tramas da obra estão trocando de personagens. Mesmo que os destinos continuem determinados e conhecidos, House of the Dragon não apenas contextualiza personagens que poderiam ser rasos, como também aumenta a importância daqueles que passam pelas páginas sem muita contribuição além de morte e resistência. E, mesmo sem chegar perto de Game of Thrones ou A Knight of the Seven Kingdoms, a série está, sem dúvida, bem mais forte. Faltam apenas dois episódios e, pelo tanto que ainda precisa acontecer, parece que o ritmo pode acelerar bastante na quarta temporada — caso tudo o que vem pela frente não seja excluído e a quarta seja mesmo a última parte.
Mas vamos recapitular, porque há muita coisa aqui para comentar.
Sor Criston Cole já vai tarde
Se há um nome ao qual os showrunners não quiseram dar duas versões para uma mesma história, é o de Sor Criston Cole. Ele sabia que estava em uma missão suicida nas Terras Fluviais — sim, diferente do livro — e, embora algumas partes da cena sejam fiéis à fonte, sua morte foi quase um “já vai tarde”, de tão rápida e sem clima.
O plano de Sor Criston era desgastar o exército dos homens dos rios e dos Lobos do Inverno para dar tempo de Aemond e Ormund atacarem os aliados de Rhaenyra, mas Cole fracassou completamente. A força dos Pretos, muito maior, vira o jogo e prepara uma emboscada contra o Fazedor de Reis. O comandante dos Verdes entra em um campo de batalha aparentemente abandonado apenas para descobrir, ele também, que o homem mais esperto é Oscar Tully. Os “cadáveres” no chão são, na verdade, soldados Tully fingindo-se de mortos. Eles se enfrentam, Cole mata muitos, mas não há como vencer.
Cercado, ele ouve as provocações de Lorde Roderick Dustin e Lorde Oscar Tully, protegidos por um exército muito maior, cansados e irritados com ele — representando muitos fãs. Quando, exatamente como no livro, Sor Criston tenta negociar um duelo, oferecendo a própria vida em troca da segurança de seus homens, eles nem precisam considerar a sugestão. Recuperando a cena que queríamos ter visto na temporada passada, são as flechas de Alysanne Blackwood que encerram a conversa. Falo isso porque a morte de Cole acontece como Martin descreveu, mas alguns detalhes mudam. Não houve a frase sobre a falta das canções, e ele não foi espetado com tantas flechas sem que soubéssemos os nomes dos arqueiros. Só identifica quem o mata e a importância do gesto quem leu o livro: mais uma troca de tramas dos showrunners em HOTD.
Foi interessante que, em seus momentos finais, Criston tenha pensado em Alicent Hightower. Ele se tornou essa pessoa ultrajante por ressentimento contra Rhaenyra, mas morreu amando de verdade a rainha viúva dos Verdes. E assim, sem cerimônia, lágrimas ou muita explicação, ele parte.
A despedida de Cole emenda com a conclusão risível da tentativa de fuga de Alicent e Helaena, que acabou no escuro, diante de uma parede de pedra. As duas ficaram no corredor até serem encontradas pelos soldados de Rhaenyra. Mas fiquemos atentos aos detalhes, porque essa ação terá novamente consequências trágicas.
Governar e liderar são coisas diferentes, mas igualmente difíceis
Rhaenyra Targaryen só tem problemas com a Coroa. Seus conselheiros não se entendem, e ela ainda precisa lidar com a dor de cabeça chamada Ormund Hightower e seus aliados, que criam um problema em Tumbleton. É um jogo de gato e rato, sem ninguém convicto do líder que segue. Além de ter que inventar de onde tirar dinheiro, aumentar a segurança da cidade e matar seus inimigos, Rhaenyra precisa lidar publicamente com o tio-marido revoltado quando tenta imitar Viserys. Daemon viu o irmão ser dominado por Otto e provocar o caos em que todos estão; portanto, fica compreensivelmente louco quando Rhaenyra cita o pai.
Ele quer planos simples e eficazes: incendiar Tumbleton para expulsar Ormund, interromper o caos que provocou o assassinato de 25 Mantos Dourados e acabar com qualquer outro plano que o lorde Hightower esteja preparando. Enquanto Mysaria observa e se diverte ao ver o ex tão alterado, são os novos membros do Pequeno Conselho, Lady Sabitha Frey e Torrhen Manderly, que lembram que queimar os plebeus leais de Tumbleton prejudicaria o reinado de Rhaenyra. A língua de Daemon é tão afiada e rápida quanto sua espada, mas a referência aos Manderly e aos Frey só ecoa entre quem leu os livros e entende o que ele quer dizer. E sua eterna pressa para um mic drop cria a imagem de sempre: não há uma única cena em que não o vejamos se levantar, virar as costas para a esposa e sair furioso da sala. Pelo menos, desta vez, ela lhe dá uma missão clara e a seu gosto: investigar a conspiração em Porto Real responsável pela morte dos Mantos Dourados.
Enquanto isso, na ausência daquele que só pode ter sido a pior Mão de qualquer rei na história de Westeros, Corlys está pessoalmente limpando o continente de piratas, e é Alyn de Hull quem passa a exercer o papel dos Velaryon ao lado da rainha — se não em nome, pelo menos em conselho e presença. Ele defende esperar pelo exército das Terras Fluviais, que poderia tomar Tumbleton sem destruir a cidade, e recebe a incumbência de encontrar Corlys e negociar o envio de soldados para proteger a capital.
Para ninguém ousar dizer que Rhaenyra é como o pai, quando mais uma vez os Baratheon fazem pouco de sua Coroa, enviando homens, mas sem serem representados pessoalmente por Lorde Borros, ela cria um plano para mandar assassinos matarem Ormund usando os uniformes deles. Claro que, antes, lembrando-nos de quanto ainda ressente a morte de Lucerys, ela ameaça enforcar o mensageiro e declarar Borros um traidor. Mas, por ora, confiscar os uniformes dos soldados Baratheon dá conta do recado.
As sementes de dragão semeiam problemas
Sabe aquele personagem que um dia vai avisar Rhaenyra de que deixar o dragão escolher os bastardos, em vez de fazer um filtro antes, era um plano ruim? Ele está apenas colecionando dados.
Reencontramos Hugh e Ulf fazendo sua vigília em Tumbleton. Ulf está revoltado por ter sido proibido de tomar cerveja com os amigos em Flea Bottom, enquanto Hugh, contrariando sua promessa à rainha, só pensa em como entrar na cidade e resgatar a esposa. Já está quase clara a razão da mudança dos dois na Primeira Batalha de Tumbleton, que se aproxima rapidamente. Digo “quase” porque Ryan Condal fez uma — aliás, duas — mudanças radicais na história e nos deixa com espaço para imaginar o que acontecerá.
Mas calma. Primeiro, um detalhe para os geeks dos livros: a cena em que Vermithor pousa ao lado de Silverwing e faz carinho nela é uma alusão histórica. Os dois dragões pertenceram ao rei Jaehaerys, o Conciliador, e à sua esposa, a Boa Rainha Alysanne. Por isso, também se gostam.
Em seguida, vemos que Ulf está revoltado por ter sua liberdade cerceada e, assim, não poder beber com os amigos nas tavernas da Baixada das Pulgas. Ele não vê vantagem real em sua posição atual, mas também não a trocaria pela vida antiga — algo que encontra reconhecimento em Hugh.
E, se sabemos algo verdadeiro sobre Ulf, é que ninguém o coloca num canto. Essa revolta o leva a esbarrar, infelizmente para ele, com Daemon, em uma cena que comentaremos mais à frente. Já o antigo ferreiro, quando está sozinho, intercepta uma carroça nos arredores de Tumbleton e entra escondido na cidade, disfarçado de comerciante. Ele consegue encontrar Kat, a esposa que deixou sozinha quando foi tentar a sorte com os dragões. Ela tem toda a razão para não querer mais nada com ele: passou fome, perdeu a filha, foi deixada para trás, precisou se aventurar para sair de Porto Real e chegar a Tumbleton, enfrentou violência e perigo, quase foi violada dentro de casa, e seu irmão morreu para salvá-la. Ouvir que deve voltar à capital porque terá uma casa e algum dinheiro chega um pouco tarde demais. Hugh tenta forçá-la a sair, mas ela consegue escapar dele. Por ora.
O sangue quente de Daemon acelera uma das reviravoltas
Aquele tapa na cara que Daemon deu em Ulf ainda deve estar ardendo, mas agora ficou ainda pior. Seguindo as ordens de Rhaenyra, Daemon vai ao quartel dos Mantos Dourados para falar de vingança e ação, mas os homens, que gostam dele, porém gostam ainda mais de estar vivos, decidem abandonar seus cargos. Afinal, sem pagamento, com fome e sendo perseguidos, não há rainha que inspire a aceitar tanto perigo.
Se está sozinho, tudo certo: Daemon veste o uniforme de um Manto Dourado e sai pelas ruas, esperando atrair um dos assassinos. E funciona imediatamente. O antigo guarda Hightower — aquele a quem Alicent ordenou que baixasse as armas nas muralhas de Porto Real quando Rhaenyra tomou a cidade — vem atrás do príncipe e o ataca. Daemon é mais rápido, mas, antes de matá-lo, ainda ouve a verdade: os aliados dos Verdes são incontáveis e jamais se submeterão a Rhaenyra.
Talvez por estar furioso com o pouco que essa declaração ajuda a conter a infiltração dos Verdes, Daemon queira extravasar. Para azar de Ulf, os dois se esbarram, e o príncipe encontra seu bode expiatório.
Ulf está disfarçado para visitar uma taverna sem que Rhaenyra descubra. É a segunda ordem direta da rainha que ele ignora, e Daemon perde a cabeça: derruba-o com um soco, coloca a bota sobre suas costas e o ameaça diante de dezenas de plebeus — e, sim, de outra espiã dos Hightower. Aqui, duas coisas acontecem simultaneamente e serão vitais: Ulf definitivamente perde qualquer motivação para seguir com os Pretos, e o povo testemunha mais uma violência da guarda real contra um cidadão comum. Mais ainda: cometida pelo marido da rainha. Bola dupla fora de Daemon; tripla, se considerarmos que ele não avançou em sua investigação.
Baela e Alyn de Hull: incesto e problemas com os pais
Sempre fiel à palavra e disciplinado, Alyn de Hull parte para as Terras da Coroa em busca do pai, Corlys Velaryon. Quando o encontra, vê que ele tem sido bem-sucedido ao eliminar os piratas remanescentes da Triarquia, mas está a anos-luz de ser o político e Mão que deveria colocá-lo perto do trono. Corlys está com raiva de Rhaenyra porque ela não legitimou seus filhos, o que rende a melhor frase do episódio ao jogar sua hipocrisia descaradamente diante dele: o próprio Corlys levou anos para reconhecer os filhos e, portanto, não deveria exigir tanta pressa da rainha, que realmente está sufocada por problemas maiores. E ainda alfineta Alyn por estar fazendo um bom trabalho para Rhaenyra, esquecendo que isso foi ideia sua e que deveria ser sua própria função. Não é uma redenção, mas pelo menos Corlys manda um recado importante para Porto Real: Tyland Lannister sobreviveu à Batalha da Goela e seguiu para Pouso das Gralhas. Apenas Tyland tem acesso ao dinheiro escondido da Coroa, e Rhaenyra precisa desesperadamente dos dois.
De volta à capital, Alyn encontra a sobrinha, Baela Targaryen, e os dois conversam mais uma vez sobre seus pais difíceis. Acho que Baela, que no livro tinha pressa para se casar com Jacaerys, está louca para ter algo a mais com quem lhe der uma chance. Bate um clima, e ela parte para cima do tio em um beijo que sela o futuro desse casal, cuja história já contei aqui no MiscelAna. Só que foi um pouco rápido demais e não ajudará em nada a reaproximar Baela de Rhaenyra. Jace morreu há poucas semanas, e sua noiva já está se atracando com outro? Coisas de Westeros…
Aegon passa a confiar em Larys
O trio mais interessante da temporada está lidando com o corpo deixado por Aegon, mas o importante aqui é que, enquanto Larys quer ir para Essos, Tyland defende que fiquem em Lannisport. Impactado pela direta que levou de Larys no episódio passado, quando ouviu todos os seus defeitos e problemas, Aegon precisa decidir. Antes, pergunta a Tyland se é uma pessoa terrível. Quando o Lannister hesita em responder honestamente, sai pela tangente, mas não consegue negar, Aegon passa a valorizar as palavras de Larys, que o alertou de que seria brutalmente honesto, mas igualmente fiel. A parte da fidelidade eu não consideraria, tratando-se de Larys Strong, mas ele é brilhante justamente por isso. Aegon percebe que é mesmo um horror e decide acatar seu plano. E pior: se continuar assim, acabaremos concluindo que o arco de Aegon será trágico porque ele efetivamente será a melhor opção para o Trono de Ferro. Uma ideia ousada.
Lady Jeyne Arryn: qual é a sua?
Talvez apenas para trazer Rhaena Targaryen de volta à cena — afinal, ela continua escondida no Vale com seu dragão selvagem, Sheepstealer —, vamos até a região para ver a princesa avistando Moondancer e Seasmoke enquanto patrulham a área para Rhaenyra. Em seguida, descobrimos que isso a levou a sair de seu esconderijo, e ela é arrastada até a sala do trono do Ninho da Águia, onde Lady Jeyne Arryn, irritada, volta a ameaçá-la. O trato é que Rhaena permaneça escondida e não crie confusão para nenhuma das duas. Rhaenyra continua acreditando que o cavaleiro de Sheepstealer foi responsável pela morte de Jace na Goela e quer sua cabeça.
Em algum momento, esse confronto renderá frutos. Não sabemos se serão doces.
O amor e as sombras
Em Harrenhal, há uma mudança significativa em relação ao livro, no qual Aemond viola Alys e depois se apaixona por ela. Aqui, é Alys quem parece determinada a arrumar um marido nobre e/ou realmente se apaixonou pelo caolho depois que ele a defendeu corajosamente.
Aemond já está bem e determinado a encontrar Vhagar, mas Alys insiste para que ele permaneça ali e faz de tudo para seduzi-lo. Mata outro homem que poderia denunciá-lo, sugere que Vhagar partiu para ajudá-lo a se esconder e diz que é mais prudente permanecer onde ninguém imagina que ele esteja.
Ela revela que há uma caixa contendo cinco ovos de dragão, criando uma conexão para os fãs de Daenerys que acreditam que ali estão os ovos de Rhaegal, Drogon e Viserion. Mais uma aula de história — Shireen adoraria —, e Alys lembra que, após a morte de sua filha, Rhaena Targaryen, uma ancestral de Aemond, voou com seu dragão, Dreamfyre, até Harrenhal e entrou em isolamento voluntário para viver o luto. Ela permaneceu ali até morrer. Depois disso, Dreamfyre retornou a Porto Real, onde acabaria formando um vínculo com a jovem Helaena Targaryen.
Como os fãs acreditam que, antes disso, Dreamfyre colocou uma ninhada de ovos no castelo assombrado e que, durante o reinado de Jaehaerys, três deles foram roubados por uma mulher chamada Elissa Farman, que os levou para Essos, nasce a conexão com os dragões de Daenerys. House of the Dragon, porém, criou a alternativa de que os ovos de Dany sejam de uma ninhada de Syrax, a dragão de Rhaenyra, e tenham atravessado o Mar Estreito com seus filhos mais novos, Aegon e Viserys.
Mas é tanta informação, e Aemond não parece especialmente preocupado com nada disso. Afinal, ele já tem Vhagar. Assim, Alys também parte para cima e o beija, sugerindo que há um futuro no qual ele não precisaria viver sozinho. Nosso príncipe resolveu todos os problemas de uma vez: seu Édipo, sua rejeição, seu esconderijo e seu futuro… Só que não, né?
Quando a patologia vira alvo
A informação aleatória de Alicent sobre seu primo Ormund — que tem osmofobia, uma aversão patológica a odores — veio a ser útil.
Antes, vemos que o reencontro dele com Gwayne Hightower está longe de ser afetuoso. Sor Gwayne chega imundo, exausto e finalmente livre da companhia de Sor Criston, mas Ormund o alfineta, chamando-o de covarde por ter se negado a seguir com eles. Na verdade, há mais implicações nessa conversa do que parece a princípio, porque os dois disputam veladamente Oldtown tanto quanto King’s Landing.
Eles se alfinetam sobre tudo, e Ormund deixa claro que Gwayne é gay. Isso seria indiferente se estivesse claro que Ormund, como nos livros, tem filhos, mas não está. É mais uma alteração da série que afeta o futuro da saga.
Outra revelação importante é que, longe de Ormund, Daeron é realmente um bom rapaz. Ao acompanhar o tio Gwayne até seus aposentos, os dois finalmente conversam sozinhos, e vemos que Daeron sabe perfeitamente que Ormund é terrível e que seus planos são ainda piores, mas tem medo dele. Por isso, implora para que Gwayne permaneça e o proteja. Gwayne, porém, diz que precisa pensar na linha de sucessão da Casa Hightower e sair dali.
Como meses ao lado de Sor Criston exigem descanso, Gwayne não parte imediatamente. Sorte de Ormund.
Eles estão almoçando e conversando sobre os homens que fazem parte da guerra. Ormund critica pessoas ambiciosas que não nasceram para liderar, afirmando que não são confiáveis. Elogia Corlys, mas ri quando Daeron tenta falar do avô, Otto.
A chegada da delegação da Casa Baratheon mostra a Ormund que seu plano está funcionando: as casas virão até ele. Mas os homens estão completamente cobertos pela sujeira da estrada, e Ormund não consegue se concentrar por causa do cheiro.
Cabe a Gwayne perceber que os homens são assassinos e, ao lado de Jon Roxton, matá-los antes que machuquem Ormund ou Daeron. Ormund fica grato, mas renova seu ódio pessoal por Rhaenyra. Gwayne permanecerá em Tumbleton mesmo.
A rejeição do Trono
Vamos falar de Alicent Hightower e suas confusões. Ela não apenas foi ativa na aceleração de toda a crise sucessória como usa Helaena como desculpa para apelar a Rhaenyra sobre quase tudo. Depois de ser a pior mãe em uma lista de péssimas mães de Westeros, agora parece se “preocupar com a filha”. Se é genuíno, ainda veremos.
Uma das consequências da tentativa de fuga é que Rhaenyra descobre a gravidez de Helaena e agora não tem outra opção além de confiná-las no quarto. Alicent “aceita” a punição, como se pudesse escolher, e ainda tenta negociar, mas Rhaenyra está ficando sem paciência e sem alternativas. Aliás, vale lembrar que até Mysaria está percebendo que Rhaenyra não está bem: ela mente que não sabia da gravidez de Helaena, e a rainha parece acreditar. Já falei sobre isso antes. Não é bom sinal. E Mysaria não está sozinha, porque Daemon tampouco contou sobre Rhaena estar escondida no Vale.
O problema de Rhaenyra se confirma quando ela recebe os plebeus e escuta reclamações sem fim, todas respondidas com o “não fui eu quem fiz”, mas sem criar qualquer alternativa para ninguém. Com os assassinatos e a deserção dos Mantos Dourados, as ruas já estão mergulhando no caos.
Em meio a tudo isso, quando Rhaenyra segura os braços do Trono de Ferro, percebe que cortou a mão. Isso a faz lembrar do pai e, para quem acredita em profecias, é impossível ignorar que o trono rejeita quem não está apto a se sentar nele. E agora? Ela sai correndo no meio das audiências.
Alicent e as missões cinzentas
Alicent é mesmo um dos problemas da série, porque, não importa o que faça, sempre colabora para a tragédia. Ela pode ter criado uma conexão com Mysaria, mas é questionada por Helaena por ter casado os filhos segundo a tradição Targaryen, condenando-a à infelicidade e à política. Alicent alega que obedeceu a Otto, mas Helaena — na escola de Alyn — a confronta por sua hipocrisia. Há também um detalhe bacana: House of the Dragon confirma que a abertura é mesmo formada pelas tapeçarias que Helaena costura. E ela revela a Alicent, mais uma vez, que Aemond está em Harrenhal.
Quando percebe que a filha ficará ainda pior confinada, Alicent mais uma vez pede ajuda a Rhaenyra, oferecendo a informação de que: 1) Helaena é uma dreamer — conheça sua história —; e 2) Aemond está em Harrenhal. Por favor, podemos ir embora? Não.
Como trair os filhos virou sua assinatura, Alicent é incumbida por Rhaenyra de ir até Aemond e matá-lo.
Caso se recuse, Helaena permanecerá confinada por tempo indeterminado. A resistência — devo dizer — é mínima e, em uma tacada, Alicent deixa Helaena aos cuidados de Rhaenyra e parte para matar Aemond. É a chance de ela própria fugir, mas, como Rhaenys a confrontou ainda na primeira temporada, Alicent só sabe fazer o que os homens esperam dela. Nunca é sobre ela mesma.
Corlys pode mudar o jogo
Revoltado com a tentativa quase bem-sucedida de matá-lo, Ormund manda um recado a Rhaenyra: mexeu comigo, mordo a mão. Isso significa que os Verdes sequestram Corlys Velaryon. Essa trama não existe no livro, mas Corlys eventualmente troca de lado e trai Rhaenyra. Pelo visto, será mais cedo do que parece.
E é isso: House of the Dragon mesclou muitas tramas e está em território diferente do livro, embora caminhe para as mesmas conclusões. Demos tchau a Sor Criston Cole, mas eu não me incomodaria de fazer o mesmo com Corlys; Alyn e Addam são mais interessantes e melhores do que ele. Confio que a série possa se ajustar bem a essas mudanças, mas ainda há problemas provocados pelas escolhas iniciais que não fecham. Alicent é hoje a principal vítima disso.
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