Em junho de 2025, quando fiz minha última lista de candidatos a substituir Daniel Craig como James Bond, uma coisa já começava a ficar clara: por mais que nomes como Idris Elba, Henry Cavill e Tom Hardy ainda fossem repetidos quase automaticamente em qualquer conversa sobre 007, a franquia estava olhando para outra geração. Na época, Jacob Elordi, Tom Holland e Harris Dickinson apareciam como referências para a Amazon, enquanto Aaron Taylor-Johnson permanecia como o grande favorito, tão favorito que preferi nem colocá-lo entre os dez candidatos, porque ele parecia correr em uma categoria à parte.
Pouco mais de um ano depois, muita coisa mudou. E, finalmente, parece que a interminável novela sobre quem será o próximo James Bond está chegando a uma etapa realmente concreta.

Segundo o Page Six, os testes para o papel devem começar já no início de setembro, sob o comando do diretor Denis Villeneuve e da respeitadíssima diretora de casting Nina Gold. Os seis nomes que estariam nesta rodada são Jack Barton, Jack Lowden, Callum Turner, Jacob Elordi, Paul Mescal e Harris Dickinson. A Amazon MGM não confirmou oficialmente a lista — precaução obrigatória quando falamos de Bond —, mas outros veículos especializados também vêm apontando o mesmo grupo.
E há duas informações nessa lista que, para mim, são mais interessantes do que simplesmente tentar adivinhar quem ficará com o smoking.
A primeira é quem não está nela.

O que aconteceu com Aaron Taylor-Johnson?
Durante anos, Aaron Taylor-Johnson foi tratado como o front-runner. Houve momentos em que parecia que faltava apenas o anúncio oficial. Seu nome atravessou apostas, rumores de reuniões, supostos testes e notícias de que a escolha praticamente já estaria feita.
Agora, justamente quando a seleção aparentemente chega à fase dos testes, ele desaparece. Isso não significa que alguém tenha anunciado formalmente que Taylor-Johnson está eliminado. James Bond talvez seja a escalação mais cercada de segredo em Hollywood e seria imprudente transformar ausência em confirmação. Mas é significativo que, enquanto nomes concretos começam a ser associados aos testes, aquele que durante tanto tempo foi apontado como favorito tenha progressivamente sumido da conversa. The Playlist, por exemplo, observa justamente que Taylor-Johnson, antes onipresente nas especulações, parece ter perdido espaço à medida que a busca avançou.

A segunda informação é a confirmação de algo que já estava evidente em junho de 2025: juventude importa.
Não necessariamente no sentido de encontrar um Bond de 25 anos. A lista atual vai aproximadamente dos 29 aos 36. O que importa é a margem. Quem for escolhido não está assinando apenas para um filme, mas potencialmente assumindo uma franquia por uma década ou mais.
Daniel Craig tinha 38 anos quando Cassino Royale chegou aos cinemas e permaneceu como Bond por 15 anos. Portanto, 35 ou 36 anos não excluem ninguém. Mas praticamente desapareceu a geração de atores que durante anos dominou as listas de favoritos. O novo Bond precisa ter tempo para envelhecer dentro do personagem, não chegar a ele já no limite de uma longa permanência.
A lista mudou desde a que fiz em 2025, mas a lógica não. Callum Turner e Paul Mescal estavam entre os meus dez candidatos. Jacob Elordi e Harris Dickinson já apareciam na abertura do texto como nomes que interessavam à Amazon. Outros que pareciam perfeitamente plausíveis — George MacKay, Josh O’Connor, Theo James, Will Poulter, Leo Woodall, James Norton e Damson Idris —, pelo menos por enquanto, ficaram pelo caminho.
E então chegamos ao detalhe mais divertido dessa nova rodada.


O favorito é justamente quem quase ninguém conhece
Enquanto Elordi, Mescal e Turner chegam carregando carreiras importantes e reconhecimento internacional, o nome que estaria causando maior impressão é Jack Barton.
Aos 30 anos, o inglês está longe de ser um completo novato, mas ainda não é uma estrela. Apareceu em Heartstopper, Poor Things, Grantchester e SAS: Rogue Heroes. É justamente essa relativa falta de fama que pode jogar a seu favor: segundo os relatos, Villeneuve e Nina Gold vêm procurando também atores menos conhecidos, e Barton teria surgido como uma possibilidade especialmente forte. A Vogue, ao atualizar sua própria lista de candidatos nesta semana, já o colocou em primeiro lugar e lembra que a busca vinha sendo descrita como a procura por um “rosto novo”, idealmente, alguém no fim dos 20 ou no início dos 30.
Há ainda uma coincidência interessante: SAS: Rogue Heroes foi criada por Steven Knight, justamente o roteirista contratado para escrever o novo James Bond de Villeneuve. Não significa que Knight tenha escolhido Barton, obviamente, mas significa que o ator já passou pelo universo criativo de um dos homens que agora está ajudando a reinventar 007.

E quanto mais penso, mais a ideia de um nome menos conhecido faz sentido. Bond sempre foi maior do que o ator que o interpreta. Colocar uma estrela gigantesca no papel significa pedir ao público que esqueça tudo o que já associa a ela. Um ator ainda sem uma persona cinematográfica totalmente formada permite o contrário: que James Bond venha primeiro e transforme o intérprete em estrela.
Talvez por isso Jack Barton, justamente o nome que há alguns dias quase ninguém colocaria numa lista de favoritos, seja hoje o mais intrigante de todos. Ainda estamos falando de rumores e testes, não de martinis já servidos. Mas, depois de cinco anos de especulações desde a despedida de Daniel Craig em Sem Tempo para Morrer, pela primeira vez a corrida parece ter forma.
E, se essa realmente for a reta final, a Amazon já deixou duas pistas importantes sobre seu futuro 007: ele será relativamente jovem e a fama prévia talvez esteja longe de ser uma vantagem.
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