Emmys: Widow’s Bay, Pluribus e The Pitt mostram que as surpresas podem ser poucas

Ainda falta uma semana para a cerimônia principal do Emmy 2026, mas talvez já seja possível identificar um dos problemas inevitáveis de qualquer temporada de prêmios: o tédio. Não porque os vencedores sejam ruins ou não mereçam estar ali, mas porque, quando os favoritos começam a ganhar tudo, a surpresa desaparece rapidamente.

Foi assim com The Studio em 2025 e começa a acontecer novamente com Widow’s Bay, The Pitt e Pluribus em 2026. As primeiras noites do Emmy já deixaram bastante claro quais produções chegam fortalecidas à cerimônia principal e, se a tendência continuar, talvez boa parte dos envelopes sirva apenas para confirmar aquilo que já estamos esperando.

Widow’s Bay foi o grande destaque do fim de semana, conquistando oito Emmys e chegando à noite principal como a produção com mais vitórias até agora. The Pitt, atual vencedor de Melhor Série Dramática e líder das indicações deste ano, somou outros quatro troféus. Pluribus, justamente uma das séries que pode ameaçá-lo nas categorias principais, também levou quatro.
Não há injustiça nisso. Pelo contrário. As três séries estão entre os trabalhos mais elogiados da temporada. Mas premiações têm esse efeito curioso: quanto mais consenso existe sobre quem merece ganhar, menor fica a diversão de acompanhar quem realmente ganhará.

Pelo menos Betty Gilpin conseguiu furar um pouco o roteiro. Ela venceu como atriz convidada em comédia por Widow’s Bay, superando uma categoria na qual Kaitlin Olson, de Hacks, aparecia à frente em muitas previsões. Foi o primeiro Emmy de Gilpin depois de outras três indicações por GLOW.

E Gilpin acabou proporcionando também um daqueles raros momentos que justificam assistir a uma cerimônia ao vivo. Surpresa com a vitória, leu no palco um poema que havia preparado no celular depois de Hamish Linklater, seu colega de elenco, convencê-la de que ganhar era, afinal, uma “possibilidade científica”. Terminou pedindo aos artistas que se aproximassem mais de Sam Shepard e menos de Sam Altman — uma defesa bem-humorada da arte num momento em que Hollywood discute obsessivamente inteligência artificial.

Talvez seja justamente disso que o Emmy vá precisar na próxima semana: um pouco menos de algoritmo. Porque o problema das grandes temporadas de premiação não é termos favoritos. É quando os favoritos passam a vencer com tamanha regularidade que uma cerimônia de três horas parece apenas cumprir uma lista de resultados previamente conhecida. Widow’s Bay, The Pitt, Pluribus: todos excelentes. E todos, neste momento, com aquela aparência perigosa de quem vai subir muitas vezes ao palco.

Ainda há espaço para uma zebra. Sempre há. Mas, depois dos primeiros resultados, as chances parecem menores. E vamos combinar: prêmio sem surpresa pode até ser justo. Só não costuma ser muito divertido.


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