Ainda é cedo para fechar setembro, mas os primeiros rankings do mês já mostram uma tendência difícil de ignorar: no streaming, a novidade atrai, mas são as franquias, os personagens conhecidos e os sucessos recuperados do catálogo que sustentam a atenção. Entre filmes e séries, Netflix, HBO Max, Disney+, Prime Video, Paramount+ e Apple TV apresentam estratégias diferentes — embora quase todas procurem o mesmo equilíbrio entre a estreia da semana e o título que o público já conhece.

Netflix: renovação rápida e domínio das estreias
A Netflix continua sendo a plataforma com maior capacidade de substituir rapidamente um sucesso por outro. Nos filmes, Why Did I Get Married Again? assumiu a liderança, seguido por The Whisper Man, enquanto títulos como The Little Things, The Hard Corps e The Breadwinner confirmam a mistura habitual entre lançamentos recentes, filmes recuperados e produções que encontram uma segunda vida no catálogo.
Entre as séries, The Gentlemen aparece em primeiro lugar, indicando que a combinação de crime, humor, violência e personagens moralmente duvidosos continua funcionando muito bem para a plataforma. Crew Girl, The Perfect Lie, Death of the Past e Fauda ajudam a formar um Top 10 mais diversificado do que o das concorrentes. A Netflix continua dependendo menos de uma única franquia e mais de sua capacidade de produzir sucessivas ondas de curiosidade.

HBO Max: o passado voltou a ser presente
Poucos resultados são tão reveladores quanto a liderança de Practical Magic entre os filmes da HBO Max. O retorno do clássico de 1998 mostra como nostalgia, redescoberta geracional e a proximidade de uma continuação podem transformar um filme antigo em acontecimento contemporâneo. Supergirl, Blade Runner 2049 e os filmes de Meu Malvado Favorito reforçam a importância das propriedades conhecidas.
Nas séries, Lanterns permanece como o principal título da plataforma, seguido por President Curtis. Ao mesmo tempo, Band of Brothers reaparece entre os mais vistos em uma semana marcada pelos 25 anos do 11 de setembro. A HBO Max reúne universos de prestígio, super-heróis, produções históricas e catálogo. É uma força, mas também revela como a plataforma ainda depende de títulos capazes de carregar uma história anterior consigo.

Disney+: um Top 10 governado por franquias
Se existe uma plataforma cuja identidade pode ser reconhecida apenas olhando seu ranking, é o Disney+. The Mandalorian and Grogu lidera os filmes, acompanhado por The Devil Wears Prada 2, produções dos Vingadores, Sing e títulos ligados a universos familiares. A estratégia é evidente: transformar propriedade intelectual em permanência.
Nas séries, Furious mantém a liderança mesmo depois do final da temporada, enquanto Chad Powers ocupa a segunda posição. A presença do podcast oficial de The Mandalorian and Grogu é especialmente interessante porque mostra a capacidade da Disney de estender um lançamento para além da obra principal. O filme movimenta não apenas seu próprio ranking, mas todo o ecossistema construído ao redor da franquia.

Prime Video: força global, pouca renovação entre as séries
Drawn Together lidera os filmes do Prime Video, seguido por lançamentos como The Runner, The Last Sunrise, Fuze e In the Grey. É um Top 10 bastante associado à novidade, com ação, suspense e produções estreladas ocupando a maior parte do espaço.
Entre as séries, porém, Reacher continua na primeira posição. Sua permanência confirma a força da marca, embora também exponha uma dificuldade do Prime Video: criar rapidamente outro fenômeno capaz de substituí-la. Sterling Point, Off Campus e The Grand Tour aparecem na sequência, mas nenhuma possui, por enquanto, o mesmo peso global. A plataforma tem variedade; o que ainda busca é um segundo grande eixo de identidade.

Paramount+: catálogo e estabilidade
O filme de Avatar: A Lenda de Aang lidera o ranking cinematográfico, acompanhado por The Last Stand of Ellen Cole, Top Gun: Maverick, World War Z, Scream 7 e títulos da franquia Transformers. É talvez o Top 10 mais claramente sustentado por propriedades conhecidas e filmes que continuam circulando muito depois do lançamento.
Nas séries, Lioness ocupa a primeira posição, confirmando que a atual temporada ampliou a força da produção. South Park, Yellowstone, Criminal Minds e SEAL Team completam um ranking de enorme estabilidade. A Paramount+ pode ter menos lançamentos transformados em fenômenos imediatos, mas possui um conjunto muito definido de dramas de ação, policiais, militares e franquias que mantêm o assinante dentro de seu universo.

Apple TV: poucos títulos, identidade muito clara
Mayday lidera os filmes da Apple TV, à frente de F1, The Proposal, The Gorge, The Accountant e os dois filmes de The Family Plan. Mesmo recebendo críticas divididas, a estreia conseguiu gerar curiosidade suficiente para comandar o ranking.
Nas séries, a Apple TV apresenta talvez o Top 10 mais forte em termos de identidade autoral. Ted Lasso, Silo, Dark Matter, Slow Horses, Severance, Lucky, Widow’s Bay e Shrinking são produções diretamente associadas à imagem da plataforma. O resultado também revela algo importante: seus maiores sucessos permanecem relevantes por longos períodos. A Apple TV lança menos, mas consegue fazer com que suas séries continuem sendo descobertas, revistas e discutidas.

A primeira leitura de setembro
O início de setembro mostra três forças atuando ao mesmo tempo. A primeira é a novidade, responsável por colocar rapidamente Why Did I Get Married Again?, The Mandalorian and Grogu, Drawn Together e Mayday no topo. A segunda é a franquia, visível em praticamente todas as plataformas. A terceira é a redescoberta, capaz de devolver filmes como Practical Magic e séries como Band of Brothers ao centro da conversa.
O que muda de uma plataforma para outra é a proporção. A Netflix depende da velocidade; a HBO Max, da combinação entre prestígio e catálogo; a Disney+, de suas marcas; o Prime Video, de sucessos isolados; a Paramount+, da estabilidade de seus universos; e a Apple TV, da longevidade de um grupo menor de produções muito reconhecíveis.
Esta é a base. No fechamento do mês, precisamos comparar quanto tempo esses líderes resistiram, quais estreias desapareceram rapidamente e quais títulos conseguiram transformar curiosidade inicial em permanência. É justamente aí que o Top 10 deixa de ser uma lista e começa a contar a verdadeira história do streaming.

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