Slow Horses terá 8ª temporada. Vamos celebrar, mas há um risco

Vamos comemorar primeiro porque a notícia merece: Slow Horses está oficialmente renovada para a oitava temporada. O que começou em 2022 quase como uma pequena série britânica de espionagem, escondida no catálogo da Apple TV e sustentada por Gary Oldman absolutamente irreconhecível como Jackson Lamb, chegou a oito temporadas garantidas, prêmios, indicações, uma base de fãs cada vez maior e, finalmente, ao status de uma das grandes séries da televisão atual. E pensar que amanhã, 16 de setembro, ainda estamos apenas começando a sexta.

A sexta temporada terá seis episódios e vai juntar dois livros de Mick Herron, Joe Country e Slough House, sexto e sétimo romances da série literária. A sétima temporada já está confirmada e adapta Bad Actors, o oitavo. Agora a Apple anunciou que a oitava será baseada em Clown Town, o nono e, até o momento, mais recente romance de Slough House. Portanto, sim: chegamos ao ponto em que ao mesmo tempo queremos e tememos: a televisão alcançou os livros. E qualquer pessoa traumatizada por Game of Thrones sabe exatamente por que essa frase acende uma pequena luz vermelha.

Durante anos, a série da HBO teve os romances de George R.R. Martin como mapa. Quando ultrapassou o material publicado, continuou conhecendo alguns destinos imaginados pelo autor, mas perdeu justamente aquilo que fazia a diferença entre saber onde uma história termina e saber como chegar até lá. O resultado continua sendo discutido até hoje. Será que existe esse risco com Slow Horses?

Existe, mas as situações são diferentes. Primeiro porque Mick Herron continua escrevendo. Quando Clown Town foi lançado, em 2025, ele foi perguntado justamente sobre o fato de a televisão estar se aproximando perigosamente dos livros. Herron reconheceu que existe a consciência de que a história precisa chegar a um fim, mas deixou claro que ainda não estava pronto para aposentar seus cavalos. Mais importante: posteriormente revelou que já sabe como, por que, quando e onde Jackson Lamb vai morrer.

Para quem ama Lamb, talvez não seja uma informação exatamente reconfortante. Para quem teme outro Game of Thrones, é. Porque significa que existe um destino. Herron pode ainda não ter publicado a estrada inteira, mas sabe para onde ela leva.

Há também uma diferença fundamental na própria adaptação. Slow Horses nunca tratou os romances como textos sagrados. Personagens foram alterados, acontecimentos mudaram de lugar e agora a sexta temporada condensará dois livros em apenas seis episódios. O que permanece extraordinariamente fiel não é necessariamente cada detalhe da trama, mas o espírito de Mick Herron: o cinismo, o humor britânico, a burocracia do MI5, os fracassados que invariavelmente acabam sendo mais competentes do que aqueles que os desprezam e, sobretudo, Jackson Lamb.

A oitava temporada promete justamente colocar Lamb e Diana Taverner em seu confronto mais explosivo até agora. Depois que uma tentativa fracassada de chantagem contra o Park coloca Taverner no ataque, Lamb terá que desvendar um dos segredos mais obscuros do MI5. E só a promessa de mais Gary Oldman e Kristin Scott Thomas se destruindo educadamente em uma sala já seria motivo suficiente para renovar por mais dez temporadas. A Apple descreve essa nova disputa como a maior entre os dois até agora.

É quase inacreditável pensar no tamanho que Slow Horses ganhou. Jackson Lamb surgiu como um personagem repulsivo, de cabelo engordurado, roupas amarrotadas, hábitos indesculpáveis e algumas das melhores frases da televisão. River Cartwright parecia destinado a ser o jovem protagonista tradicional da história, até descobrirmos que esta nunca seria uma série tradicional. Catherine Standish, Diana Taverner e os demais cavalos foram ganhando espaço até que Slough House, o lugar para onde o MI5 manda seus fracassados, se tornou justamente o lugar de onde ninguém quer sair. E é por isso que a próxima pergunta importa.

Quando a oitava temporada chegar a Clown Town, a Apple terá adaptado todos os nove romances principais publicados até agora. Existem novelas e outras histórias dentro do universo de Herron, mas em algum momento a série terá de escolher entre esperar novo material, explorar histórias paralelas ou seguir além dos livros. E essa escolha pode mudar uma série de televisão.

Por enquanto, porém, há muito mais motivos para comemorar do que para se preocupar. Mick Herron continua escrevendo, Gary Oldman continua sendo Lamb e Slow Horses ainda não deu nenhum sinal de ter perdido o fôlego. Mas, pela primeira vez, o futuro da série talvez dependa não apenas da Apple, mas também do que Herron escrever a seguir.

Os cavalos podem ser lentos. A televisão finalmente conseguiu alcançá-los.


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