Ryan Murphy já tentou contar a história da Princesa Diana. Não aconteceu. Quase dez anos depois, porém, o sucesso de Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette e o lançamento explosivo de Swan Song: Diana, My Sister, de Charles Spencer, podem ter colocado a princesa novamente em seu caminho. Por enquanto, é apenas uma possibilidade levantada nos bastidores de Hollywood. Mas poucas coincidências parecem tão adequadas ao universo de Murphy.
Em 2017, antes mesmo da estreia de Feud: Bette and Joan, o FX anunciou que a segunda temporada da antologia seria dedicada ao casamento e ao divórcio do então príncipe Charles e de Diana. Ryan Murphy desenvolveria Feud: Charles and Diana com Jon Robin Baitz, em dez episódios. A história deveria começar perto do pedido de divórcio e seguir o casal até a morte da princesa, em 1997.

Parecia quase inevitável. Poucos casamentos do século 20 ofereceram material mais adequado para Feud: infidelidades, ressentimentos, guerra de versões, entrevistas históricas, imprensa, popularidade, poder e, no meio de tudo, uma instituição milenar tentando sobreviver ao colapso público da relação de seu futuro rei. Ainda assim, o projeto nunca saiu do papel.
Durante muito tempo, foi fácil imaginar que o problema tivesse nome: The Crown. A série da Netflix caminhava justamente para os anos de Charles e Diana e acabaria oferecendo sua própria versão da história. Mas, quando o FX confirmou em 2018 que Feud não seguiria adiante, o presidente do canal, John Landgraf, negou que a concorrência tivesse sido o motivo. Segundo ele, as duas produções teriam abordagens muito diferentes. Enquanto The Crown observava a história essencialmente do ponto de vista do Palácio, Feud seria conduzida pela mulher que entrava naquela família. O problema, disse Landgraf, era outro: eles simplesmente não haviam conseguido levar o material ao lugar que queriam. Talvez Ryan Murphy ainda não tivesse encontrado sua Diana.
O curioso é que, anos depois, ele encontrou uma história surpreendentemente próxima em espírito. Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette acompanha outro casal jovem, glamouroso e condenado a viver uma relação privada sob observação pública permanente. John era praticamente a versão americana da realeza; Carolyn entrou em uma família transformada em patrimônio nacional e descobriu rapidamente que amar um Kennedy significava também pertencer ao público.


A série estreou em fevereiro de 2026 e não foi apenas bem recebida. Tornou-se a minissérie mais vista da história do FX no Disney+, ultrapassando 25 milhões de horas assistidas apenas com seus cinco primeiros episódios. A audiência continuou crescendo a cada semana, enquanto Paul Anthony Kelly e Sarah Pidgeon transformavam John e Carolyn novamente em assunto de cultura pop quase três décadas depois da morte dos dois. É difícil não perceber a ponte. E agora apareceu Swan Song.
O novo livro de Charles Spencer não é mais uma biografia convencional da irmã. É Diana contada por alguém que estava dentro da história, que conheceu seus primeiros anos, acompanhou parte de seu casamento e tornou-se protagonista de um dos momentos mais marcantes depois de sua morte. Spencer estava em Westminster Abbey, fez o discurso que atravessou o mundo e discutiu com a Família Real sobre a maneira como Diana seria enterrada e sobre a participação de William e Harry no cortejo.
Seu livro, lançado em setembro de 2026, trouxe acusações suficientemente graves para provocar algo incomum: uma resposta direta do Palácio de Buckingham. Spencer afirma, entre outras coisas, que Charles teria parecido estranhamente eufórico depois da morte de Diana e que, durante uma discussão sobre o funeral, teria dito que ela logo seria esquecida. O Palácio rejeitou as alegações e respondeu que a dor do luto pode afetar a razão, o julgamento e a memória, mesmo muitos anos depois.

Agora, a revista Star afirma, citando uma fonte não identificada, que estúdios e plataformas já demonstram interesse em transformar Swan Song em uma grande produção e coloca Ryan Murphy entre os nomes potencialmente atraídos pelo material. Não existe, até agora, anúncio de compra dos direitos, negociação confirmada ou envolvimento oficial de Murphy. É rumor, e precisa ser tratado exatamente assim.
Mas é um rumor especialmente interessante porque a peça que faltava em 2017 pode estar justamente diante dele. Murphy não precisaria tentar fazer “a história de Charles e Diana” outra vez. Isso já foi feito por The Crown, por documentários, filmes, livros e praticamente todas as formas imagináveis de reconstrução. Swan Song oferece outra possibilidade: fazer a Diana de Charles Spencer. E essa mudança de ponto de vista altera tudo.
Charles Spencer não é um narrador neutro, nem pretende ser. É o irmão mais novo falando quase 30 anos depois da morte da irmã, reconstruindo conversas, julgamentos, ressentimentos e lembranças que outros protagonistas contestam. Exatamente por isso o livro tem potencial dramático. Não seria necessário transformar sua versão em verdade absoluta. Pelo contrário. A memória poderia ser o próprio tema.
Isso também permitiria a Murphy escapar da armadilha que talvez tenha tornado o projeto original tão difícil. A questão deixaria de ser reconstituir novamente o triângulo Charles-Diana-Camilla e passaria a ser compreender quem era aquela mulher para a família em que nasceu, o que aconteceu quando ela entrou para outra família infinitamente mais poderosa e quem ganhou o direito de contar sua história depois que ela morreu.
Há ainda uma coincidência quase irresistível. Love Story funcionou porque não era simplesmente uma coleção de momentos conhecidos de JFK Jr. e Carolyn Bessette. Era uma história sobre o preço de deixar de pertencer apenas a si mesmo. Diana talvez seja a expressão máxima desse mesmo conflito.


Ryan Murphy tentou encontrá-la em 2017 e desistiu. Talvez porque estivesse tentando contar a história grande demais: o casamento, a monarquia, Charles, Camilla, a imprensa, o divórcio e a tragédia. Quase dez anos depois, Swan Song pode oferecer algo mais simples e, justamente por isso, mais forte: um ponto de vista.
Não sabemos se Ryan Murphy realmente fará a série. Talvez ninguém faça. Hollywood está cheia de livros disputados, projetos anunciados e histórias que nunca chegam à tela. Mas a ironia já existe mesmo que a negociação nunca aconteça.
Depois de transformar John Kennedy Jr. e Carolyn Bessette em um dos grandes sucessos televisivos de 2026, Ryan Murphy pode estar diante da mulher cuja história ele tentou contar antes deles. Desta vez, talvez tenha encontrado a porta de entrada.
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