All’s Fair: segunda temporada traz Cauã e a mesma guerra

Não tenho a menor vergonha de dizer que All’s Fair foi a melhor cafonice do ano passado, e o trailer da segunda temporada me deixou animadíssima para voltar àquele escritório. Ryan Murphy reuniu um elenco extraordinário, vestiu todo mundo para uma guerra de luxo e entregou um dramalhão que não demonstra o menor constrangimento com seus excessos. Agora, elas voltam em 4 de novembro, com três episódios de uma vez no Disney+, e a prévia lançada em 7 de outubro sugere que a disputa continua tão pessoal quanto antes.

Sarah Paulson segue impossível como Carrington Lane, a advogada que transformou ressentimento em projeto de vida e continua ameaçando as mulheres de Grant, Ronson & Greene. A promessa de tomar o escritório deixa claro que os novos episódios não abandonaram a guerra da primeira temporada. Mudam as alianças, entram outros personagens, mas permanece aquela vontade de destruir a colega com um sorriso, uma provocação e, se necessário, algo bem mais grave. Kim Kardashian, Naomi Watts e Niecy Nash-Betts terão novos casos de divórcio para resolver enquanto tentam impedir que a própria firma seja desmontada.

A grande pergunta que o trailer deixa sem resposta envolve Dina Standish. A primeira temporada terminou com a personagem de Glenn Close incriminada pelo assassinato do homem que estuprou Emerald, e sua prisão era um dos principais ganchos para a continuação. Na prévia, porém, Dina aparece livre, participando dos encontros e confrontando Carrington. Não há explicação sobre como saiu da cadeia, se conseguiu derrubar a acusação ou se está em liberdade enquanto o caso continua. O trailer deixa claro que ela permanece ativa na história, mas não resolve o problema deixado pelo final anterior.

E Close está muito à vontade nessa volta, inclusive dando um tapa em Paulson. A presença de Dina fora da prisão pode até diminuir a impressão de que ficaremos muito tempo acompanhando seu isolamento, mas é cedo para concluir que escapou das consequências da armação. A divulgação guarda justamente o caminho entre a acusação e essas cenas de aparente normalidade. Nesse escritório, aliás, normalidade é um conceito bastante flexível: estar reunida com as amigas não significa estar segura, e uma conversa aparentemente civilizada pode virar um confronto em segundos.

Cauã Reymond é a novidade que mais chama a atenção por aqui. Ele entra no elenco regular como um policial que se aproxima de Allura Grant depois de uma suposta tentativa de assassinato. A montagem reúne perigo, proteção e intimidade, sugerindo que o personagem será um novo interesse amoroso da advogada de Kim Kardashian. A ameaça contra ela explica sua entrada na trama; a prévia não confirma que ele seja o homem contratado para matá-la. Já a disposição de explorar a beleza do ator está bastante clara, com direito a aparições sem camisa. A objetificação vem assumida, perfeitamente integrada ao espírito da série.

O elenco também ganha Nyle DiMarco, anunciado como papel recorrente, além de participações de Denise Richards, Margo Martindale, Robin Givens, Grant Show, Jaime Pressly e Dorinda Medley. Há ainda nomes do universo drag, entre eles Bob the Drag Queen e Monét X Change. Os detalhes dessas personagens e de suas relações com as advogadas continuam pouco revelados, portanto, não dá para distribuir antecipadamente os papéis de cliente, rival ou cúmplice. O que se pode perceber é a ampliação de um universo que já fazia dos encontros entre personalidades fortes boa parte de sua diversão.

Teyana Taylor retorna como Milan depois de sua indicação ao Oscar por Uma Batalha Após a Outra, e uma conversa com ela permite que Kim faça piada com a própria vida. Quando o assunto é passar no exame da Ordem na Califórnia, Allura comenta que não conseguiu na primeira tentativa. É uma referência transparente à experiência de Kardashian, e gosto dessa disposição de deixar a realidade contaminar a personagem. Kim sabe que ninguém esqueceu quem ela é e participa da brincadeira com uma naturalidade que combina com a falta de vergonha da série.

A sinopse anuncia novas alianças, amizades testadas e uma revelação que ameaça a existência da firma. O trailer embala tudo isso com Rosalía, cores estouradas, câmera lenta e mulheres produzidas para transformar qualquer entrada numa cena. Há romance, ameaça, provocação e a mesma disputa que já conhecemos, agora com mais gente para complicar a situação. Para mim, é uma ótima maneira de anunciar a volta: não perdi o interesse nessas mulheres e quero descobrir como vão sair da confusão que deixaram para trás.

Desculpe, Ryan Murphy, mas essa combinação continua sendo uma das suas melhores diversões. All’s Fair tem atrizes extraordinárias abraçando personagens excessivas, Kim Kardashian participando da piada e um dramalhão que sabe explorar o prazer da cafonice. A segunda temporada ainda precisa explicar a prisão de Dina, revelar quem ameaça Allura e mostrar até onde Carrington vai chegar para tomar o escritório. Eu, pelo menos, mal posso esperar para acompanhar tudo isso, provavelmente com figurinos completamente inadequados para a gravidade da situação.


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