The Gilded Age: trailer da temporada 4 revela crises e novas ambições

O trailer da quarta temporada de The Gilded Age chegou com muito mais do que vestidos novos e promessas de escândalos. Com estreia anunciada para 1º de novembro, a série volta àquela fase em que qualquer imagem merece atenção, mas agora há elementos bastante concretos para discutir: George e Bertha estão afastados, Rockefeller ameaça os negócios dos Russell, Agnes encontra uma oportunidade de enfrentar a vizinha e Jack começa a experimentar o que significa ser aceito pela sociedade. Ao mesmo tempo, Marian parece encontrar um propósito fora dos salões, enquanto Peggy precisa conciliar seus planos profissionais com o casamento. A ascensão continua sendo uma possibilidade, mas preservar o que cada um conquistou parece cada vez mais complicado.

Bertha chegou ao lugar que desejava ocupar e, pelo que vemos, vai precisar de toda a sua capacidade de articulação para permanecer ali. A crise com George ganhou uma dimensão bastante concreta: ela pede que ele volte para casa, enquanto o marido interpreta sua aproximação como uma tentativa de encontrar uma fraqueza que permita atraí-lo de volta. A montagem não esclarece quanto tempo estão separados nem como essas conversas se encaixam, mas a intimidade que sempre foi um dos grandes diferenciais dos Russell aparece atravessada por desconfiança. Bertha sabe negociar com adversários; reconquistar alguém que conhece tão bem seus métodos pode ser mais difícil.

A novidade é que George também está vulnerável nos negócios. A menção a Rockefeller é direta, com o empresário afirmando que o rival tenta colocá-lo de joelhos. Portanto, o casamento está abalado justamente quando a estrutura econômica que sustenta aquela família enfrenta outra ameaça. Bertha pode continuar impondo sua presença nos salões, mas a segurança que lhe permitiu desafiar tantas regras já não parece tão sólida. É uma combinação especialmente interessante para uma série em que o dinheiro sempre determina até onde cada personagem consegue ir.

Agnes encontra uma oportunidade de revanche

Uma das informações mais importantes vem da entrevista de Christine Baranski e Cynthia Nixon à Entertainment Weekly: Agnes organiza um jantar para o presidente Grover Cleveland, e o evento alimenta sua disputa com Bertha. A presença presidencial oferece uma oportunidade de recuperar influência. Baranski adianta ainda que Agnes ajudará Marian, enquanto Nixon revela que a sobrinha tomará atitudes difíceis de aceitar para Ada. A temporada promete, portanto, rever alianças também dentro da família.

No trailer, a disputa doméstica entre Agnes e Ada continua deliciosa. Uma discussão sobre despesas chega às cortinas que Agnes não deseja substituir, enquanto Ada insiste em seguir os próprios instintos. Há mais do que uma diferença de gosto nessa conversa: a irmã que passou tanto tempo cedendo agora tem o dinheiro que mantém a casa funcionando e começa a reivindicar o direito de decidir. Agnes conserva a experiência, a língua afiada e o hábito de comandar, mas precisa conviver com uma autoridade que já não lhe pertence automaticamente.

O encerramento aproxima as duas grandes adversárias por meio de suas declarações: Bertha anuncia que aquilo é uma guerra, enquanto Agnes considera necessário abandonar as boas maneiras. Cada uma parece reconhecer que preservar sua posição exigirá uma reação. O jantar presidencial dá uma forma concreta à rivalidade e promete colocar as duas em confronto num momento em que Bertha também precisa administrar o que acontece dentro de casa.

Jack, Bridget e o preço de pertencer

A trajetória de Jack talvez contenha uma das questões mais interessantes do trailer. O antigo empregado aparece vestido e tratado como um cavalheiro, enquanto uma conversa entre as mulheres com quem convivia introduz o receio de que, em breve, nenhum deles seja bom o bastante para ele. É uma mudança importante: seu sucesso deixa de ser apenas motivo de orgulho coletivo e começa a produzir insegurança entre aqueles que o ajudaram a chegar até ali.

Há também uma jovem que parece despertar seu interesse, sugerindo a possibilidade de um triângulo com Bridget. Entre as novas personagens anunciadas está Fiona Summers, interpretada por Maggie Kuntz, uma prima dos Astor descrita como independente e disposta a explorar os limites das convenções. Ela é uma candidata possível à moça que vemos, mas a identidade e o envolvimento com Jack ainda precisam de confirmação. O trailer permite levantar a hipótese de uma disputa amorosa; não resolve quem participa dela nem qual será seu alcance.

Se esse caminho se confirmar, a escolha de Jack terá implicações que vão além da atração. Uma mulher da sociedade pode representar também a aprovação daquele mundo, algo que uma relação com Bridget não lhe ofereceria da mesma maneira. É aí que Larry pode se tornar uma influência problemática, mesmo sem pretender prejudicar o amigo. Para o jovem Russell, circular entre pessoas ricas faz parte da vida desde sempre; para Jack, cada convite e cada aproximação podem parecer uma prova de que finalmente pertence àquele círculo. Aprender os códigos sociais pode acabar trazendo a tentação de se afastar dos princípios e das relações que o formaram.

Bridget, interpretada por Taylor Richardson, merece cuidado nessa leitura. Sua resistência inicial a Jack estava ligada ao abuso sexual sofrido na infância e à dificuldade de confiar em homens. Sua aproximação posterior tinha, portanto, um significado emocional que não deve ser reduzido à descoberta de que ele se tornou rico. Se Jack começar a olhar para ela como alguém que já não corresponde à sua posição, a série terá uma oportunidade de discutir como o dinheiro altera relações antes mesmo de transformar completamente quem o possui. thecinemaholic.com

Ainda não sabemos se ele vai ceder a essa tentação. O interessante é que a possibilidade já aparece num personagem cuja criatividade e persistência permitiram uma mudança extraordinária de vida. Depois de conquistar a fortuna, Jack precisa descobrir que tipo de homem deseja ser e quanto está disposto a mudar para ser reconhecido como um homem da sociedade.

Marian e a Nova York que existe fora dos salões

As cenas de Marian com crianças oferecem uma pista importante sobre o “novo caminho” mencionado na sinopse. Entre as personagens anunciadas está a enfermeira Virginia Saville, interpretada por Elizabeth Marvel, que trabalha na Neighborhood Settlement House, no Lower East Side. A associação entre essa informação e o trabalho mostrado no trailer é bastante forte, embora ainda não haja confirmação explícita de que as duas atuarão juntas.

Há uma base histórica especialmente pertinente para essa trama. Em 1886, ano em que a quarta temporada se passa, Stanton Coit fundou no Lower East Side a Neighborhood Guild, posteriormente chamada University Settlement, considerada a primeira settlement house dos Estados Unidos. Essas instituições ofereciam educação, atividades culturais e apoio comunitário em bairros pobres e de imigrantes, aproximando pessoas interessadas em reforma social das condições de vida que a prosperidade da elite não alcançava.

A localização, a época e a semelhança do nome tornam essa instituição uma referência provável para a casa da série, mas ainda não permitem tratá-la como uma reprodução exata. Também não encontrei confirmação de que Virginia Saville seja uma figura histórica. O que temos é uma personagem ligada a um movimento real, capaz de ampliar a representação de Nova York e dar a Marian um propósito que não depende exclusivamente de seu relacionamento amoroso. Essa possibilidade já estava no nosso radar quando o elenco foi anunciado; agora, as imagens lhe dão bastante sustentação.

Larry e Marian continuam tendo momentos de cumplicidade, com ele afirmando que ela ainda o surpreende. Mas a pergunta sobre o que ela deseja fazer da própria vida ganha peso quando acompanhada dessas cenas de trabalho. Será interessante observar como seus projetos convivem com as expectativas de casamento e com a vida dos Russell, especialmente se sua dedicação a outras pessoas começar a exigir escolhas que a própria família não compreende.

Peggy entre o casamento e a carreira

Peggy aparece em preparativos de casamento, com comentários sobre a necessidade de uma ocasião digna e sobre uma mulher que parece tratar a celebração como se fosse sua. O conflito com a família de William continua presente, agora dentro de um evento em que todos deveriam reconhecer o protagonismo da noiva. A união parece avançar, mas isso não significa que Peggy tenha conseguido resolver o problema de ser aceita sem precisar se ajustar inteiramente às expectativas dos outros.

O trailer acrescenta uma oportunidade profissional em Washington à conversa de William e, em outro momento, mostra Peggy defendendo algo que conquistou e que poucos poderiam sequer sonhar em alcançar. A montagem sugere uma tensão entre carreira e relacionamento, embora não permita juntar todas as falas numa única conversa ou concluir qual oportunidade ela está protegendo. A pergunta é como os planos de ambos poderão coexistir sem que o casamento exija dela a renúncia à vida que vem construindo.

O que torna esse trailer tão promissor é a maneira como coloca as ambições em conflito com os vínculos. Bertha precisa de George quando a confiança entre os dois está comprometida; Jack encontra novas portas abertas e pode começar a olhar de outra forma para quem sempre esteve ao seu lado; Marian procura uma ocupação que amplia seu mundo; Peggy tenta casar sem diminuir o espaço conquistado para si. A quarta temporada parece pronta para observar o que acontece quando se chega mais longe e começa a exigir escolhas que ninguém precisava fazer antes.


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