A Diplomata 4×01: Kate enfrenta Hal e Grace em Windsor (Recap)

Contém spoilers do primeiro episódio da quarta temporada de A Diplomata.

A quarta temporada de A Diplomata (The Diplomat) começa exatamente onde terminou a anterior, com Kate Wyler (Keri Russell) descobrindo que seu marido, Hal (Rufus Sewell), agora vice-presidente dos Estados Unidos, e a presidente Grace Penn (Allison Janney) decidiram fazer aquilo que ninguém deveria fazer: roubar secretamente uma arma nuclear russa. E o pior? Depois de os americanos e britânicos terem negociado uma solução para neutralizá-la. Diplomacia? Para quê, não é mesmo?

O míssil Poseidon, que deveria permanecer inutilizado dentro de um submarino russo, foi retirado pelos americanos. Para Hal e Grace, uma operação brilhante, capaz de alterar o equilíbrio militar mundial. Para Kate, uma irresponsabilidade monumental. Afinal, quando os russos perceberem o desaparecimento de sua arma, quem será responsabilizado? Os britânicos, naturalmente, já que o submarino está próximo de seu território.

A discussão começa dentro do carro, quando a comitiva americana tenta chegar ao aeroporto. Uma manifestação contra os Estados Unidos bloqueia o percurso e obriga todos a buscar abrigo no Castelo de Windsor. É uma solução improvisada, mas perfeita para a série: a pompa da monarquia britânica como cenário para uma crise internacional e dois casamentos à beira de uma explosão.

Kate quer explicações. Hal quer que ela confie nele. Grace não parece particularmente preocupada com a indignação da embaixadora. E temos aqui um dos elementos mais interessantes da série: Kate consegue reconhecer com clareza os perigos das decisões alheias, mas tem uma dificuldade extraordinária para administrar as próprias emoções.

Hal acredita que os Estados Unidos tornaram o mundo mais seguro. Kate compreende que a operação pode provocar justamente o contrário. Não basta possuir a arma mais poderosa; é necessário considerar as consequências políticas de roubá-la. Uma questão elementar de diplomacia que, curiosamente, parece escapar ao vice-presidente e à presidente.

Mas o verdadeiro duelo não é apenas político.

Grace e Hal desenvolveram uma aliança que incomoda profundamente Kate. Não necessariamente por ciúme romântico, mas porque Hal encontrou na presidente alguém disposto a admirar suas ideias, seu brilhantismo e, principalmente, sua ambição. Kate conhece esse homem melhor do que ninguém. Já foi seduzida por suas grandes propostas e passou anos administrando as consequências.

Ao tentar alertar Grace sobre o poder de persuasão do marido, Kate comete um erro. A presidente entende que estão reduzindo sua capacidade de decisão à influência de um homem. E Allison Janney está excelente ao mostrar como Grace se ofende com a insinuação. Ela pode estar tomando uma decisão desastrosa, mas isso não significa que esteja apaixonada por Hal ou que seja incapaz de pensar por si mesma.

Todd Penn (Bradley Whitford), marido da presidente, também demonstra inquietação com a proximidade entre os dois. Grace não perdoa. Sua reação expõe o peso adicional que uma mulher enfrenta ao exercer o poder: até uma decisão militar pode ser interpretada como consequência de uma atração amorosa.

Enquanto isso, Kate precisa lidar com Callum Ellis, que procura respostas sobre o desaparecimento do míssil. Ela consegue afastar suas suspeitas imediatas, mas ao custo de encerrar o relacionamento entre os dois. Mais uma vez, sacrifica alguma coisa da vida pessoal para impedir que a crise política se torne ainda maior.

E Hal?

Hal continua sendo Hal. Brilhante, arrogante, manipulador e absolutamente convencido de que pode resolver qualquer problema. Rufus Sewell conhece tão bem o personagem que consegue fazê-lo encantador mesmo quando temos vontade de sacudi-lo.

O momento mais íntimo do episódio acontece numa pequena capela do castelo. Kate reafirma seu compromisso com o marido, insistindo especialmente na parte dos votos matrimoniais que fala dos momentos ruins. É quase uma declaração de amor à própria turbulência. Esses dois não sabem viver sem conflitos e, de alguma maneira, parecem precisar deles para continuar juntos.

Quando a comitiva finalmente se prepara para deixar Windsor, tudo indica que a crise imediata foi administrada. Kate e Hal parecem reconciliados. Grace recuperou a compostura. Até existe a possibilidade de os dois casais jantarem juntos em Washington.

Então, um tiro.

Grace Penn é atingida no abdômen, em pleno Castelo de Windsor.

E lá vamos nós outra vez. Depois de atentados, conspirações, traições e armas nucleares, A Diplomata encontra uma maneira de elevar ainda mais o volume de seu melodrama político.

O primeiro episódio termina com a presidente americana baleada, Hal diante da possibilidade de assumir o comando dos Estados Unidos e Kate percebendo que sua tentativa de controlar a situação acaba de se tornar praticamente irrelevante.

A pergunta já não é apenas o que acontecerá quando a Rússia descobrir o roubo do Poseidon. Agora, é quem governará os Estados Unidos — e por quanto tempo.


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