A Diplomata: episódio 6 coloca Kate contra Grace Penn (Recap)

A quarta temporada de A Diplomata chegou a um ponto em que é cada vez mais difícil identificar quem está realmente tentando evitar uma guerra e quem está apenas preocupado em preservar a própria autoridade. Grace Penn (Allison Janney) ameaça enviar navios militares contra os russos, Bethan Vaughn (Jodie Whittaker) se recusa a ceder às pressões americanas e Kate Wyler (Keri Russell) finalmente começa a fazer uma pergunta que deveria ter surgido há muito tempo: até que ponto ela própria se tornou cúmplice das decisões que tanto condena?

O sexto episódio retoma a crise envolvendo o submarino russo afundado e a arma nuclear Poseidon, secretamente retirada pelos Estados Unidos. A nova primeira-ministra britânica autorizou os russos a recuperar os corpos de seus marinheiros mortos. É uma decisão compreensível do ponto de vista humanitário, mas representa um desastre potencial para Washington. Quando os russos encontrarem o submarino vazio, descobrirão que sua arma desapareceu.

Grace Penn não está disposta a permitir que isso aconteça. Durante uma videoconferência com Kate, Hal Wyler (Rufus Sewell), Billie Appiah e Miguel Ganon, a presidente apresenta uma solução tão simples quanto perigosa: se Vaughn não cancelar a operação russa, os Estados Unidos enviarão navios de guerra para impedi-la.

É difícil imaginar uma estratégia mais agressiva para resolver uma crise provocada pelos próprios americanos. Primeiro roubam a arma, depois mentem aos aliados e, finalmente, ameaçam utilizar força militar caso os britânicos não colaborem para esconder o que aconteceu.

Kate compreende imediatamente a gravidade da proposta. Uma operação naval dessa natureza poderia provocar um confronto com a Rússia e comprometer definitivamente a relação entre Washington e Londres. Mas Grace encerra a reunião antes que os argumentos contrários possam ganhar força.

A presidente não está interessada em discutir. Está interessada em ser obedecida.

Depois da reunião, Kate conversa com Todd Penn (Bradley Whitford). O marido da presidente continua tentando compreender o que aconteceu com Grace desde o atentado. Ele reconhece que a mulher com quem se casou parece cada vez mais distante e não sabe como ajudá-la. Kate, por sua vez, tenta explicar as razões pelas quais considera as decisões presidenciais tão perigosas.

É curioso como Todd, inicialmente apresentado quase como um inconveniente cômico, começa a assumir um papel mais significativo. Ele conhece Grace intimamente, mas desconhece a lógica de suas decisões políticas. Kate entende essa lógica, embora frequentemente não consiga alterá-la. Os dois acabam encontrando uma espécie de terreno comum justamente na incapacidade de influenciar a presidente.

Enquanto isso, Stuart Hayford e Eidra Park enfrentam mais uma crise de relacionamento. Desta vez, a discussão começa com uma proposta de casamento feita de maneira tão pragmática que praticamente elimina qualquer possibilidade de romantismo. Eidra considera a união uma solução conveniente para os problemas que enfrenta. Stuart, naturalmente, gostaria de acreditar que existe algo mais profundo nessa decisão.

A relação dos dois continua sendo uma das poucas tentativas da série de mostrar personagens preocupados com algo além da próxima crise internacional. Mas também é curioso observar como conseguem transformar uma conversa sobre amor em uma negociação quase burocrática.

O problema mais sério, porém, surge dentro da própria embaixada.

Frances revela a Stuart que ouviu Kate admitir ter chantageado Nicol Trowbridge, utilizando imagens comprometedoras envolvendo Margaret Roylin. A informação é grave. A embaixadora americana não apenas participou da queda de um primeiro-ministro britânico, como recorreu a um método que dificilmente poderia ser defendido como diplomático.

Stuart fica profundamente abalado. Afinal, sempre acreditou que Kate, apesar de seus excessos, representava uma alternativa mais ética dentro da estrutura política americana.

A situação se complica quando Kate decide ampliar a autorização de segurança de Todd, permitindo que ele tenha acesso a informações altamente confidenciais. Sua intenção é transformá-lo em um interlocutor capaz de influenciar Grace. A presidente aceita a proposta, embora demonstre pouca confiança na utilidade do marido.

Todd, entretanto, parece encontrar uma nova missão. Ao conversar com Grace, descobre que ela deseja mantê-lo em Londres como demonstração de força diante daqueles que tentaram assassiná-la. A presidente também quer que ele funcione como seus olhos e ouvidos.

É uma responsabilidade considerável para alguém que, até recentemente, parecia interessado sobretudo em escapar da Casa Branca.

Stuart confronta Kate sobre a chantagem contra Trowbridge. Paralelamente, ele e Eidra chegam a um entendimento sobre o relacionamento: terão um ano para decidir se pretendem se casar ou seguir caminhos separados. A proposta vem acompanhada de uma encenação improvisada que substitui flores por objetos de escritório. É uma das poucas cenas genuinamente delicadas do episódio.

Mas a intimidade também facilita a circulação de informações que deveriam permanecer restritas. Stuart conta a Eidra o que descobriu sobre Kate, e os dois passam a compreender melhor a extensão dos problemas enfrentados pela embaixada.

Kate percebe que não poderá continuar escondendo tudo.

Em uma reunião com Stuart e Eidra, decide finalmente explicar a operação envolvendo o Poseidon, a chantagem contra Trowbridge e a responsabilidade de Grace pelo ataque anterior ao navio britânico HMS Courageous.

O que torna a conversa importante não é apenas a revelação dos fatos. É o reconhecimento de que Kate talvez tenha perdido a capacidade de distinguir entre cumprir ordens e participar de uma estrutura sistematicamente comprometida.

Ela pergunta aos dois se a ameaça que Grace pretende fazer à primeira-ministra ultrapassa os limites aceitáveis. A resposta é afirmativa. E, pela primeira vez em muito tempo, Kate parece realmente disposta a considerar o que fazer com essa informação.

A solução encontrada envolve impedir que Todd participe da reunião com Vaughn. Stuart organiza uma saída para um concerto, enquanto Kate se dirige ao encontro da primeira-ministra acompanhada de Eidra.

Bethan Vaughn não facilita as coisas. Explica que os russos pretendem recuperar seus mortos e que impedir a operação não fará o problema desaparecer. Kate apresenta alternativas, incluindo uma missão conduzida por americanos ou britânicos para recuperar os corpos e encerrar definitivamente o acesso ao submarino.

A proposta tem lógica. Poderia evitar a descoberta do desaparecimento do Poseidon e reduzir o risco de um confronto militar. Mas Vaughn não confia nos Estados Unidos. E por que confiaria? A administração americana já demonstrou que considera a soberania britânica um detalhe negociável.

Kate insiste, procura diferentes argumentos e tenta encontrar uma saída que não envolva ameaças militares. A primeira-ministra, entretanto, rejeita suas propostas.

Mais tarde, durante uma reunião com a equipe americana, Kate informa que transmitiu o ultimato de Grace e que Vaughn concordou em cancelar a operação russa.

É uma declaração que encerra o episódio com uma ambiguidade fundamental.

O sexto capítulo representa uma mudança na trajetória de Kate. Até agora, sua função parecia ser administrar as consequências das decisões de Grace e Hal, ainda que discordasse profundamente delas. Mas a conversa com Stuart e Eidra coloca em questão sua responsabilidade pessoal.

Porque existe uma diferença entre trabalhar para um governo cujas decisões desaprovamos e contribuir ativamente para aquilo que consideramos inaceitável.

Kate passou boa parte da temporada tentando convencer os outros de que haviam ultrapassado os limites. Agora precisa decidir se está preparada para reconhecer os próprios.

E talvez essa seja, finalmente, a questão diplomática mais importante da quarta temporada.


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