O fantasma do “fracasso” como James Bond

George Lazenby teve uma chance quase inglória. Quando Sean Connery “desistiu” do papel que fez dele uma estrela mundial – James Bond – coube ao modelo australiano substituí-lo. A rejeição era esperada, mas a conjugação foi ainda pior. O James Bond de A Serviço de Sua Majestade não tinha apenas um rosto novo, mas era, de certa forma frágil, entra em crise no trabalho, conhece uma mulher forte, se apaixona e se casa. SPOILER ALERT, fica viúvo, tragicamente. Quase que era um desafio hercúleo.

George era mestre em artes marciais e, por sua beleza, modelo. Diz a lenda que ele tinha o mesmo barbeiro que o produtor Albert Broccoli. Sem experiência como ator, foi o escolhido para estrear como James Bond, lembrando que o próprio Sean também era desconhecido antes de interpretar o espião inglês. George tinha 29 anos, o que fazia dele muito jovem para o papel.

Sou romântica. Sou geek. Sou fã de A Serviço de Sua Majestade e é um dos meus favoritos apesar de George Lazenby. Amo a vulnerabilidade dele, o amor, tudo. Diana Rigg, como Tracy é perfeita. Eu choro, torço e acho o filme tragicamente perfeito. SPOILER ALERT para a foto.

O mundo não estava pronto para um James viúvo e chorando, com os créditos subindo em silêncio. E George, assediado e cheio de si, adotou o estilo hippie na festa de lançamento. Os produtores ficaram em choque.

George diz que se recusou a voltar para interpretar James Bond. Era como se tivesse jogado o bilhete vencedor da loteria fora. Muito se falou da relação conflituosa com Diana Rigg, que tinha um humor mordaz e que admitiu ter sido o contraponto para a inexperiência artística de George, mas que não o detestava. De qualquer forma, com a má recepção, nasceu uma lenda.

Sean Connery voltou para mais um filme antes de Roger Moore herdar o papel. Não importa que Timothy Dalton tenha tentado fazer a mudanças muito antes do tempo. O Bond de Dalton parece com o de Daniel Craig, mas foi rejeitado pelas qualidades que agradaram com Craig.

Dalton e Lazenby

A carreira de Lazenby nunca se recuperou do fracasso. Virou, inclusive, a referência negativa da franquia. Dalton não fez sucesso, mas não foi condenado como Lazenby. Pierce Brosnan, Roger Moore e Daniel Craig fizeram sucesso.

O filme, em sua essência, é bom. A trilha, a história e a conclusão, não especialmente ou apesar de Lazenby. Ele tem bom humor para lidar com a “ má fama”. Agora que recomeça a busca, sua experiência volta a ser lembrada. O novo James Bond pode ser jovem ou não, mas não pode, em hipótese alguma, ser do George Lazenby.

12 comentários Adicione o seu

  1. Mario Latino disse:

    O filme foi bom também por Lazenby…ele era, como o texto diz, um Bond diferente, mais humano… Imaginemos Connery com aquele saiote nos alpes suíços, todo mundo ia esculhambar…ou o Bond de Connery se apaixonando por Tracy…

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    1. Ana Claudia Paixão disse:

      hahahahahah exato!!!!!!! Eu gosto muito desse filme!

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  2. Gilson disse:

    O timing dos produtores foi muito ruim. Substituir um ídolo como Connery, já não era pouco. Daí, mostram um Bond que se casa, que é derrotado pelo vilão, pois a esposa morre na última cena. Enfim, muita inovação para um filme. Deveria ter sido uma aventura mais tradicional de Bond. E não considero ruim a atuação de Lazenby. O filme é que foi trágico para aquela época. Já o Bond de Dalton era
    Muito ruim Mesmo

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    1. Ana Claudia Paixão disse:

      Pois é, o que hoje vemos como as qualidades da proposta (um Bond mais “vulnerável”, impulsivo (pedindo demissão) e sensível (se preocupou e cuidou de Tracy) foram muito diferentes do que vinha sido apresentado com Sean Connery. Eu a-mei o final surpreendente e triste, reforçando em Bond seu distanciamento emocional por ter involuntariamente causado a morte da mulher, sem mencionar a trilha sonora espetacular. Tudo em IHMS é “diferente demais”, desde a apresentação com a música incidental em vez de um tema cantado, Lazenby foi meio que a gota final para uma alteração tão radical na franquia. Eu adoro o filme (mesmo achando ele sem carisma suficiente para o papel), o Telly Savalas como Blofeld… e especialmente, adoro o final. Muito emocionante

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  3. Roberto disse:

    Olá Ana!
    Lazenby era canalha e mau caráter, terrivelmente arrogante e péssimo ator.Destratava a todos no set! Porém,era um grande namorador,e envolveu-se com todas as mulheres que passavam por sua frente.Apesar disso,Diana apaixonou-se por ele,mas flagrou George com uma das Bond girls do filme,fato que despertou sua ira!Estes fatos foram contados por Desmond Llewelyn, quando esteve em SP para o lançamento de Na mira dos assassinos,conversei com ele por quase uma hora, muito simpático e agradável!Contou muita coisa interessante! Abraço!

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  4. Charles Stambuk disse:

    Acho o filme excelente, revela o motivo pelo qual James não se apega a mais ninguém, após a morte da esposa. A trilha sonora é linda e muito triste. O amor de ambos namorando é muito real!

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