Sobre a canção de Os Inocentes

História de fantasmas envolvendo crianças é uma fórmula quase infalível para suspense e terror. Quando o escritor Henry James, lançou uma série de contos semanais em 1898, que viraram o livro A Volta do Parafuso (The Turn of the Screw), nascia um clássico. Vale um post específico para a obra que teve várias adaptações para o cinema e TV, mais recentemente na Netflix com A Maldição da Mansão Bly.

A história é relativamente simples, mas extremamente complexa. No livro, narrado em primeira pessoa, conhecemos o drama vivido por uma jovem governanta que, cuidando de duas crianças em um local remoto, começa a desconfiar que seu mundo está assombrado. No cinema, a versão de 1961, Os Inocentes, dirigido por Jack Clayton e estrelado por Deborah Kerr, é considerada uma das melhores adaptações já feitas. Um dos detalhes que contribuíram para o filme se tornar um clássico está na sua trilha sonora, assinada pelo compositor francês, Georges Auric.

Georges ficou famoso ainda nos anos 1920s, quando fez parte de um grupo conhecido como “Os Seis”, que eram músicos responsáveis pelo resgate da música clássica francesa. Escreveu ballets para Roland Petit, fez trilhas sonoras para Jean Cocteau e escreveu a canção O Willow Waly, usada também no teaser da série da Netflix.

Uma valsa gótica, a canção abriu o filme de 1961, com uma tela escura e sem créditos por 45 segundos, cantada pela jovem atriz Isla Cameron, que interpreta a pequena Flora. É arrepiante.

Com letras de Paul Dehn, a canção é um spoiler do que está por vir, mas um spoiler que só se revela como spoiler no final da trama.

We lay, my love and I beneath the weeping willow,
But now alone I lie and weep beside the tree,
Singing “O Willow Waly” by the tree that weeps with me,
Singing “O Willow Waly” till my lover returns to me.
We lay my love and I beneath the weeping willow,
But now alone I lie.  
O willow I die. 
O willow I die…

Nós nos deitamos, meu amor, embaixo do salgueiro,
Mas agora me deito só e choro ao lado da árvore,
Cantando O Willow Waly na árvore que chora comigo,
Cantando O Willow Waly até que meu amante volte para mim.
Nós nos deitamos, meu amor, embaixo do salgueiro,
Mas agora me deito só
Ó salgueiro, eu morro
Ó salgueiro, eu morro

A canção é uma favorita dos geeks e a versão original nunca foi lançada como parte da trilha sonora. No filme, é cantada por Flora e toca na caixinha de música que ela herdou de sua falecida professora. Outros filmes, como O Bebê de Rosemary, de Roman Polanksi, se inspiraram em Os Inocentes para buscar uma abertura e relação de inocência tão perfeitas como a que Georges conseguiu em sua canção. Um clássico de terror.

Ouça aqui.

Os Inocentes não está disponível em nenhuma plataforma, mas a série A Maldição da Mansão Bly leva a trama para os anos 1980s e revisita a história original. Tem coragem de ver?

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