As sapatilhas que nasceram do amor da mamma italiana pelo filho bailarino

Rosa Repetto Petit nasceu em Milão, onde aprendeu a técnica de fazer sapatos. Casada com um francês, Edmond Petit, que era dono de uma brasserie em Paris, os dois apoiaram ao filho, Roland, que desde novo descobriu a dança. Ele entrou para a prestigiada escola do Opéra de Paris, aos 9 anos e aos 16, Roland Petit estreava na companhia. Ainda com 20 mostrou sua genialidade ao criar o balé Le Jeune Homme et la Mort. Virou uma estrela.

A ligação de Rosa com o filho mudou a moda e os negócios da família. Roland sentia muitas dores depois dos ensaios, por causa da sapatilha inadequada para seus pés. Como boa mamma, Rosa resolveu ajudar ao filho e criou especialmente para ele sapatos moldados para seus pés, leves e confortáveis e que ele passou a usar. Sucesso total. Em pouco tempo o ateliê (que até hoje fica perto do teatro) ganhou grande demanda de mais bailarinos que queriam sapatilhas iguais a de e projeção entre os bailarinos. Nasciam assim as “Repetto”, as mais belas e leves sapatilhas que até hoje são as preferidas de muitas estrelas e que hoje vão muito além dos palcos.

Batizadas como ballerines, Madame Rosa rapidamente entendeu onde estava a fonte do desconforto. Era na sola. Para resolver a questão, ela inverteu o processo, costurando a sola para trás antes de ser virá-la do avesso. O processo manual conseguiu inserir uma flexibilidade incomparável até então.

Em pouquíssimo tempo o ateliê da Rue de la Paix passou a se dedicar exclusivamente para as sapatilhas. Para as mulheres, Madame Rosa desenvolveu uma técnica (hoje patenteada) que resolvia dois problemas em um só: o conforto e o barulho. O processo de medidas das pontas é exclusivo da marca e mais uma vez as sapatilhas eram confortáveis, flexíveis e o gesso da ponta era quase inaudível (eliminando o irritante “toc-toc” que perturbava durante as apresentações). De quebra, o apuro estético das Repetto é incomparável. São lindas.

O mundo da moda e do cinema embarcaram nas sapatilhas quando uma ex-bailarina, transformada em atriz, pediu à Madame Rosa uma adaptação das suas sapatilhas de palco para as ruas. Ah, e elas poderiam ser vermelhas? Repetto aceitou e criou as Cendrillon (Cinderelas), clássicos da moda que transformaram a “mãe de Roland Petit” em uma estrela de grandeza por si só. De quebra, o mundo descobriu Brigitte Bardot e as sapatilhas vermelhas viraram ícone junto com ela.

O ateliê passou então a ser uma loja comercial, com demandas de todas as partes do mundo e das grandes estrelas internacionais. Se não bastasse Bardot, Serge Gainsbourg deu um novo fôlego de divulgação nos anos 1970s. É que o poeta e cantor se enamorou pelas sapatilhas/sapato que Madame Rosa criou para sua nora, a bailarina Renée ‘Zizi’ Jeanmaire. Os sapatos (brancos) no estilo Oxford, diferem das sapatilhas que tinham sido criadas para Roland ao acrescentarem um salto, ma grossa sola de couro flexível e cadarço amarrando. A cor? Branca (embora tenha outros tons). É uma peça atemporal e unissex, que Gainsbourg ajudou a divulgar.

Rosa Repetto Petit faleceu em 1984, aos 77 anos. Em 1999, a marca Repetto foi vendida mas mesmo sob nova administração, manteve a ligação com o balé. Madame Rosa é considerada uma das maiores designers de sapatos de todos os tempos, com suas sapatilhas fazendo parte da lista dos sapatos que mudaram a História. Hoje a Repetto produz mais de 500 mil pares anualmente e emprega vários artesãos na França. E tudo nasceu do talento e do amor de uma mãe por seu filho…

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