Taylor Swift conta com a fidelidade de seus fãs

A questão de direitos é complexa e frequentemente tem lados insatisfeitos na “distribuição” deles. Não é incomum que artistas, depois de estabelecidos, se desentendam com suas gravadoras, especialmente pelo que chamam de “master”. As gravações master são o resultado final da canção no estúdio e, por ser um investimento da gravadora, frequentemente os lucros são divididos igualmente com o artista. Ou seja, a cada execução daquela versão específica, a gravadora recebe parte dos royalties. Quem é “dono” das masters, pode, por exemplo, licenciar ou fazer coletâneas, às vezes à revelia do próprio artista. George Michael foi um dos mais abertos na discussão desse modelo de contrato. Perdeu. Atualmente, é Taylor Swift que enfrenta o monstro. Ela brigou na justiça pela posse dos masters dos seus seis primeiros álbuns e perdeu, não apenas para qualquer um, mas um dos seus maiores desafetos e ex-empresário, Scooter Braun. Ele comprou a empresa Big Machine Label Group, que detinha os direitos dos seis primeiros discos de Taylor, por estimados 300 milhões de dólares. Uma derrota muito amarga para a artista.

Mas fãs de Taylor Swift sabem que ela não foge de briga ou se abate com dificuldades. Além de compartilhar com seus fãs cada detalhe da disputa, ela saiu para ofensiva. Primeiro, publicamente se disse impossibilitada de tocar suas sucessos mais antigos. Não era uma questão legal, mas de princípio. E mais ainda, como as músicas são dela, vai regravá-las. Isso mesmo, com novas versões dos quais os masters agora serão seus. Ela não pode impedir que as versões originais sejam tocadas, mas pode desvalorizá-las criando novas. Bom, de certa forma pode estar dando maior curiosidade para comparação, mas, a longo prazo, sim, pode criar um universo paralelo onde suas versões “aprovadas” sejam as mais executadas. No mínimo, valia a pena tentar. E Taylor anunciou sua intenção de fazê-lo.

Na cola de mais uma linda vitória no Grammy Awards, com o Melhor Álbum do Ano pelo indie e delicioso Folklore, Taylor está em um momento maduro e encantador com sua música. Ainda são canções de amor com referências pessoais (os fãs amam identificar cada easter egg que ela coloca nas letras), mas musicalmente são melhores, mais trabalhadas. Sua associação com Jack Antonoff e Aaron Dessner, do The National, começou com dois lindos álbuns e aposta em crescimento. Porém o empurrão final para que Taylor fosse em frente veio com mais uma derrota para Braun.

Ao saber que a cantora provavelmente seguiria em frente com seus planos, o empresário vendeu os direitos musicais dos álbuns de Taylor para um fundo de investimentos. O acordo não apenas rendeu dinheiro imediato, como o mantém recebendo pelas gravações. Aproveitando a oportunidade de não estar fazendo shows, a cantora – que tem a possibilidade e tempo – decidiu regravar todo seu repertório. Sim quando falamos dos seis álbuns incluímos o genial 1989, que fez de Taylor Swift uma estrela pop internacional.

A primeira faixa regravada, Love Story, foi liberada essa semana, divulgada com o selo “Taylor’s Version”. Honestamente? Ela está em melhor posição para revisar suas canções. Ficou, claro, linda.

Regravar tudo é mais do que uma mera “vingança”, é um posicionamento. E parece estar indo bem pois em 24h já tinha sido executada mais de um milhão de vezes no Youtube.

O próprio Spotify sabe que Taylor não recua quando toma uma decisão. Em 2014 ela removeu todos seus álbuns da plataforma por discordar dos valores que recebia como royalties. Ela ganhou e depois de entrar em acordo, sua música voltou a ser disponibilizada. Portanto sua estratégia de regravação tem tudo para dar certo. Uma vitória para se aplaudir.

Ouça a Playlist que a própria Taylor fez.

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