A liberdade de Britney Spears

O Globoplay disponibilizou em sua plataforma o documentário Framing Brithey SpearsA vida de uma Estrela, que aborda a questão polêmica da luta da cantora para mudar o comando da intervenção que controla sua vida há 12 anos.

Britney Spears é uma das mais talentosas compositoras e artistas pops dos últimos 20 anos. Explodiu nas paradas de sucesso ainda nova, acumulou prêmios e sucessos e ficou milionária rapidamente. Sua super exposição veio com um preço alto e muitos acompanharam o extremamente público desgaste emocional simbolizado pela noite em que decidiu raspar o cabelo.

Foi uma época sufocante de intensa marcação dos paparazzi, algo que Amy Winehouse também foi forçada a conviver, mas em menor dose. Uma maldade extrema de todos que consumiram de alguma forma as imagens. Britney era acompanhada a cada passo, julgada a todo (literal) tropeço. E ao fim, o que foi visto foi sua família a tomar o controle não apenas dos negócios, mas de sua vida.

Os problemas exatos de bastidores que contribuíram para a artista passar por esse sofrimento jamais foram divulgados oficialmente. Ao que parece, ela sofreria de bipolaridade, mas isso nunca foi confirmado. Quando voltou a se apresentar, mais saudável, esperava-se que Britney retomaria as rédeas de sua vida. Isso nunca aconteceu. Os fãs que acompanham sua vida e redes sociais, começaram a captar as mensagens da da cantora a respeito e lançaram a campanha #freebritneyspears (libertem Britney Spears), que viralizou e tomou proporções maiores. A cantora está tentando reverter o rígido controle ao qual é imposta por seu pai, Jaime Spears, mas a Justiça ainda não a atendeu. Os fãs estão pressionando.

É que a narrativa vendida inicialmente foi a de que “Britney sucumbiu à fama e às drogas, vivendo uma vida de excessos que precisava ter um freio antes da destruição total”. O que o documentário se propõe é reverter essa versão com outra perspectivas dos fatos. Revisitando a história, vemos que Britney teria sido consumida por uma sociedade machista e opressora, que fez dela um objeto e que ainda lucra em cima de sua dor. E com depoimentos de pessoas próximas à cantora, que acompanharam sua ascensão, reforçam a história.

O documentário é muito bom, mesmo que assumidamente parcial. Aliás, documentários parciais é uma onda crescente que demanda do público um poder crítico ainda mais aguçado. No caso de Britney, é importante contextualizar a trajetória da cantora em um período em que tudo era usado contra ela. O que falta, mesmo com as barreiras para chegar a ela, é ouvir Britney. Por exemplo, a suposta traição dela à Justin Timberlake é mostrada como fake e quando ela é perguntada pela repórter como se sentia com os vídeos em que o cantor fez sobre o rompimento, não ouvimos sua resposta. De alguma forma, mesmo os fãs a silenciaram. Outra informação ignorada foi o fim do casamento dos pais da cantora, com a mãe dela afastada da tutela que controla a vida da filha. O que houve ali? Ficou incompleto.


No momento a briga judicial de Britney Spears contra sua própria família segue em andamento. A artista tem a desvantagem da lei para sua causa, mas o amor e dedicação dos fãs prometem ser um sustento psicológico importante. Nós é que perdemos com isso porque Britney é uma excelente compositora e artista, mas está parando para recuperar sua liberdade. Espero que a alcance logo.

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