Emma Thompson é a melhor, não importa o papel

Há mais ou menos 20 anos, Emma Thompson pôs o pé no freio. Aos 39 anos foi mãe, estava casada e feliz e preferiu reduzir suas aparições para se dedicar à sua família. Portanto para uma geração chegando à vida adulta, ela hoje não é tão reconhecida como era nos anos 1990s, quando estava em quase todos os melhores filmes, colecionando Oscar, Emmy, BAFTA, Globo de Ouro e qualquer outro prêmio. Era a Meryl Streep inglesa, se ela estivesse no elenco, era indicada. Honestamente, como raras, ela merecia.

Emma vem de respeitada família de atores, pai, mãe e irmã são reconhecidos (o pai morreu nos anos 1980s, mas a mãe, Phyllida Law, e a irmã, Sophie, apareceram em produções com ela),e não precisamos de cinco minutos de Emma Thompson em cena para perceber o quanto é inteligente, irônica e talentosa.

Ainda na faculdade, em Cambridge, onde se formou com mérito, Emma já se destacava e formou um grupo de teatro e stand up com Stephen Fry e Hugh Laurie (se namorado na época). Quando estreou na TV, conheceu seu primeiro marido, o ator e diretor Kenneth Branagh. Sua parceria com ele foi que trouxe a ambos o reconhecimento internacional e a entrada em Hollywood.

Neste período, a fama de prodígio de Kenneth ofuscaram um pouco a trajetória de Emma. Ela mudou o jogo (mas acabou o casamento) quando estrelou uma série de filmes sozinha e ganhou o Oscar de Melhor Atriz por Howard’s End. Foi o começo de uma parceria de sucesso com Anthony Hopkins e a virada que a transformou em uma das maiores estrelas do cinema, maior do que o marido.

Quando Kenneth Branagh iniciou o romance com Helena Boham-Carter (co-estrela de Emma em Howard’s End), Emma Thompson estava envolvida com a adaptação de Razão e Sensibilidade, de Jane Austen, para o cinema. Embora uma pessoa discreta, sua vida pessoal acabou virando assunto de tabloides, aumentando a dor da traição. Mas o filme rendeu muitos frutos para a atriz e roteirista. Foi ela que escolheu a jovem iniciante Kate Winslet para viver sua irmã nas telas e foi com o filme que ganhou seu segundo Oscar, como roteirista, se firmando no mundo do entretenimento como referência de qualidade e talento.

Também foi nos bastidores de de Razão e Sensibilidade que Emma conheceu o segundo marido, Greg Wise, com quem teve sua filha, Gaya, em 1999.

A maternidade mudou as escolhas de projetos que passou a participar, na maioria em papéis menores, mas ainda sucessos de crítica e bilheteria. Porque Emma não tem como deixar de ser Emma Thompson e, quando está em quadro, ela literalmente rouba a cena.

Sua participação no universo Disney é bem anterior à Cruella, mas é como a Baronesa – dividindo o filme com Emma Stone – que vemos o quanto ela faz e fez falta em filmes maiores. Para quem ainda não viu o filme, agora teremos SPOILERS.


A história de Cruella não segue à risca o livro ou filmes anteriores. Portanto Emma Thompson teve total liberdade de criar e aproveitou cada oportunidade. A Baronesa é a maior vilã da Disney, sem nenhuma condição de redenção. Na reescrita das vilãs, iniciada por Angelina Jolie em Malévola, passando por Cate Blanchett em Cinderella e agora Emma Stone em Cruella, todas têm a oportunidade de se “explicarem” e até ter carinho por algumas pessoas. Isso não acontece com a Baronesa. Ela é má e má e muito má até o final.

Ela não apenas abriu mão de uma filha que nem quis conhecer, como mesmo diz, se tiver que escolher entre ela e qualquer outro, escolhe a si mesma.
A Baronesa reconhece a filha desde que percebe o talento de “Estella”. Quando “Cruella” invade sua primeira festa, ela sabe exatamente o que está acontecendo, mas a permite agir, quase que para testá-la. Tem a chance de se redimir, mas se recusa. Apenas uma atriz como Emma poderia entregar tamanha frieza com sinceridade. Todos os olhares e pausas, são perfeitos. Uma aula de interpretação.

O filme termina em aberto, com a Baronesa sendo presa e Cruella presenteando Roger e Anita com os dálmatas, Pongo e Perdita. Será que veremos mais Emma Thompson? Tomara!

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