O show de Kate Winslet em Mare of Easttown

Do momento que o primeiro teaser foi ao ar o nome de Kate Winslet liderando o elenco de Mare of Easttown já sabíamos que teríamos um show na HBO. Se a atriz teve algum “derrape” em sua carreira, por escolhas de projetos sem seu aparente perfil, foram poucos. Não há como ter Kate nas telas sem ter uma grande atuação.

Mare Sheeham, a princípio, parecia ser mais uma personagem sofrida e sem vaidade no hall de papéis semelhantes – de Mildred Pierce a condenada nazista de O Leitor – mas está bem longe disso. A história de Mare não é sobre ansiedade para descobrir crimes e criminosos, ela é rápida e eficaz nisso, mas superar a imensa dor e culpa de alguém que perdeu o filho para depressão e drogas. E Kate, com gestos curtos mas profundos, refletiu esse processo com uma delicadeza e brilhantismo que trouxe toda diferença para a série.

Teremos SPOILERS.

Mare nos foi apresentada como uma mulher amarga, em direto conflito com quase todos ao seu redor – menos uma única amiga. Logo descobrimos que seu casamento não sobreviveu aos problemas de saúde do filho, que sofria de mais de um distúrbio psicológico desde pequeno, incluindo depressão. Também nos contam que Kevin tirou sua própria vida, assim como o pai de Mare tinha feito anos antes, quando ela era adolescente. Não chega a ser surpresa que a detetive não esteja empenhada em solucionar desaparecimentos de jovens drogadas: ela não tem esperança de um final feliz.

O desafio de Mare não é descobrir a verdade, mas entender que ao negar esperança, perdão e amor, ela é quem está presa. Sua amargura é difícil para ela mesma e quando a filha de um amigo desaparece, Mare é arrancada de seu torpor por consequência de uma série de más escolhas – dela e dos outros. Ela finalmente aceita ajuda, resolve dois dos priores crimes da cidade, mas com dor.

Na minha aposta do motivo do crime de Erin fui direto no alvo: ciúme e desespero em um tiro “acidental”. Assim como envolvia assédio sexual de menores. Errei o culpado, mesmo passando perto. Mas a improvável possibilidade de que Ryan, filho de sua melhor amiga, ser o culpado, foi importante não pela surpresa, mas porque confronta Mare com a dor da “perda” de um filho, fecha seu ciclo pessoal. E aqui entra o fator Kate Winslet.

A tristeza profunda, a dor e até a negação estão em cada frame mostrando uma superioridade de interpretação que nos faz aplaudir. A falha na voz quando chama os reforços para prender Ryan nos faz entender que ela está revivendo o momento em que chamou a ambulância para tirar o corpo de seu filho morto de casa. Como se abraçou a ele ao ponto de ter sido obrigada a deixá-lo à força.

Quando Mare finalmente dá o passo para a paz interior, não é rápido. O tempo passa na tela, ela se esforça, mas não muda ao ponto de não a reconhecermos. E a cena final, onde volta ao local onde o filho morreu, é de partir o coração sem nem mesmo ver seu rosto. Não precisamos mais.

É certo que Kate Winslet seja indicada ao Emmy novamente pela série. A ver quem será sua concorrência. Até o momento, está sozinha na liderança. E merece.

2 comentários Adicione o seu

  1. Ana disse:

    Anya levou tudo até agora, mas acredito que a Kate leva o emmy. Não tem como comparar. A Kate está em outro nível… Ela está entre as melhores de todos tempos. Mesmo que não vença, Mare já é icônica

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