A história real de John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette-Kennedy, tema de Love Story

Com a estreia de Love Story, nova série de Ryan Murphy dedicada ao romance entre John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette-Kennedy, a história do casal voltou ao centro do imaginário coletivo.

Considerados a última “realeza americana” do século 20, os dois viveram um amor intensamente observado, glamouroso e profundamente pressionado pela mídia, encerrado de forma abrupta na tragédia aérea de julho de 1999.

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Nos anos 1990, John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette-Kennedy eram o casal mais fotografado dos Estados Unidos e, paradoxalmente, um dos mais reservados entre as celebridades internacionais. Ele era o único filho homem do presidente John F. Kennedy e de Jackie Kennedy, criado sob o olhar constante do público desde o funeral do pai, quando ainda criança saudou o caixão presidencial. Ela, executiva de relações públicas da Calvin Klein, tornou-se um ícone de estilo minimalista quase sem esforço, transformando discrição em assinatura estética.

John — ou “John John”, como era conhecido — era idolatrado pelos americanos, protegido pela mãe e alvo permanente da imprensa e da curiosidade romântica. Namorou mulheres famosas, como Madonna, Daryl Hannah e Sarah Jessica Parker, mas foi Carolyn quem, ao conhecê-lo em 1992, conseguiu construir um relacionamento mais duradouro. Eles se casaram em 1996, em uma cerimônia secreta na ilha de Cumberland, na Geórgia, numa tentativa de escapar da atenção da mídia.

A partir daí, Carolyn Bessette-Kennedy tornou-se um fenômeno cultural. Seu estilo austero, elegante e sem ostentação foi copiado no mundo inteiro e continua sendo referência para a moda contemporânea.

Diferentemente de outras “it girls”, ela nunca buscou visibilidade: não deu entrevistas sobre moda, não assinou coleções e evitava eventos públicos sempre que possível. Sua imagem foi construída quase inteiramente por fotografias de rua, caminhando por Tribeca, entrando em táxis, usando casacos impecáveis e uma paleta cromática dominada por preto, branco e tons neutros.

Mas o casamento estava longe de ser um conto de fadas. Relatos de brigas públicas, pressões familiares e dificuldades com a invasão constante da privacidade tornaram-se frequentes. Fotógrafos capturaram momentos de tensão nas ruas de Nova York, incluindo uma cena famosa em que John aparece chorando na calçada enquanto Carolyn retorna para consolá-lo. Rumores de separação circularam por anos e pareciam especialmente intensos naquele fim de semana de julho de 1999.

Em 16 de julho daquele ano, John pilotava seu pequeno avião rumo a Martha’s Vineyard para um casamento da família Kennedy. A bordo estavam Carolyn e sua irmã, Lauren Bessette. A aeronave caiu no oceano Atlântico pouco antes da meia-noite. Nenhum dos três sobreviveu. A morte do casal provocou um luto nacional e reforçou a aura trágica que sempre acompanhou a dinastia Kennedy.

O impacto foi imediato. Para muitos americanos, parecia o encerramento simbólico de uma era iniciada nos anos 1960 com a presidência de John F. Kennedy e perpetuada pela figura quase mítica de Jackie Kennedy. A história de John Jr. e Carolyn passou a ser vista não apenas como romance, mas como uma narrativa sobre herança, exposição pública e o preço de viver dentro de um mito político.

É justamente esse material — glamour, pressão midiática, conflitos íntimos e tragédia — que Ryan Murphy pretende explorar em Love Story. Criador de séries como American Crime Story, Feud e Impeachment, Murphy construiu uma carreira revisitando eventos reais que marcaram a cultura americana, dos crimes de O. J. Simpson ao assassinato de Gianni Versace e ao escândalo Clinton-Lewinsky. Sua nova produção promete examinar não só o romance, mas também o contexto histórico e emocional que cercava o casal.

Décadas depois, o interesse permanece intacto. O estilo de Carolyn continua influenciando designers e celebridades; a imagem de John ainda simboliza uma promessa interrompida. A série de Ryan Murphy provavelmente reacenderá debates antigos: até que ponto o casal era realmente feliz? Quanto da narrativa romântica foi construída após a morte? E por que continuamos projetando neles a ideia de um amor perfeito que talvez nunca tenha existido?

Talvez porque, no fim, John e Carolyn não representem apenas um relacionamento, mas uma fantasia coletiva, a última versão moderna de uma realeza sem coroa, cujo brilho se tornou ainda mais intenso justamente porque terminou cedo demais.


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