A trágica apropriação de uma história

O best-seller Misha e os Lobos foi traduzido para vários idiomas. Virou filme. Foi fenômeno. A verdadeira história da menina judia de sete anos que fugiu da casa onde estava abrigada para localizar os pais, enviados para campo de concentração, para ser adotada por uma alcatéia de lobos fascinou o mundo. Era tão surreal, mas contada com tanta emoção e detalhe que a história de Misha DeFonseca (nome de casada), ou melhor, Misha de Wael, era inspiradora.

O relato foi descoberto em uma pequena cidade dos Estados Unidos, nos anos 1980s, para onde Misha emigrou depois da guerra. Misha compartilhou com a congregação de sua sinagoga sua experiência ao sobreviver o holocausto. Na platéia estava a editora Jane Daniel, que percebeu a oportunidade de ouro ali: dividir a história inacreditável e, claro, ambas ficarem ricas.

E foi justamente o dinheiro que revelou a verdade. Apenas quando as duas brigaram judicialmente pela divisão de royalties, Jane foi investigar a veracidade da história de Misha e deparou com uma das maiores fraudes da indústria literária. Do documentário da Netflix, Misha e os Lobos, relata toda essa história dos bastidores, com os depoimentos e imagens das protagonistas do processo. Jane precisou provar a farsa para poder reverter a decisão judicial contra ela.

Mitômanos são perigosos. A verdadeira história de Monique de Wael é tão triste e trágica como a que imaginou para si mesma. Dirigido por Sam Hobkinson, a narrativa do documentário é envolvente e toca justamente no ponto central de que traumas e ganância, quando combinados, são perigosos. O relato fantasioso de Misha não teria ultrapassado fronteiras e magoado tanta gente se ficasse restrito à uma noite na sinagoga. Por isso vale conferir porque a ficção não supera a realidade.

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