Seu nome é Val

Há um crime que Hollywood não perdoa. Ser “difícil”. Qualquer outro, incluindo assassinato, encontra seus defensores. Se um ator demanda perfeição, se recusa a repetir um papel milionário ou questiona o diretor, é o fim. Val Kilmer é um dos atores que entrou para a lista dos complicados e viu sua carreira se desfazer mais rápido do que a construiu.

Para gerações que não viveram os anos 1980s ele perdeu a relevância, mas Val surgiu como um Ryan Reynolds de seu tempo, com uma veia cômica mordaz e certeira, porém ele tinha aspirações mais artísticas. Por um tempo, parecia que conseguiria tudo o que queria.

Quando chegou ao seu auge, nos anos 1990s, Val Kilmer vinha de sucessos como Top Gun, Tombstone, The Doors (pelo qual foi indicado ao Oscar), O Santo. Quando aceitou ser Batman, em Batman Forever, sua vida tomou um rumo inesperado.

Sua experiência no papel foi dolorosa e apesar de ter feito milhões, não aceitou seguir na franquia. Sua desistência foi vista mais como um capricho e um desprezo que viria a pagar caro.

Os projetos passaram a prevalecer trabalhar com lendas como Robert DeNiro, Al Pacino e Marlon Brando, entre outros. Como Johnny Depp, porém sem o mesmo resultado. A Ilha do Dr Moreau foi um pesadelo tão gigantesco que acabou inclusive com seu casamento. E, aos poucos, Val Kilmer desapareceu.

De ator principal, Val Kilmer foi sendo reduzido à pontas em filmes menores, quase sempre irreconhecível depois que ganhou peso. Sua atuação do fracassado Alexandre, de Oliver Stone, distraiu o público chocado em descobrir que aquele homem fora de forma – mesmo caracterizado – era o antigo ídolo de adolescentes.

E piorou quando em 2015, Val descobriu que tinha câncer na garganta. A cirurgia para retirar o tumor foi bem sucedida, porém acabou com sua voz. Sua imagem ficou assustadora, triste. Mas o ator não quer nossa piedade e decidiu corajosamente lançar o longa Val, um documentário sobre sua vida. Não é apenas rico porque a vida do ator é digna de destaque, mas porque Val Kilmer filmou bastidores, sua vida, sua infância e vida adulta, criando um acervo riquíssimo para apoiar sua narrativa.

Ele fala das mortes que marcaram sua vida pessoal, não apenas fala das brigas nos bastidores de filmes como A Ilha do Dr Moreau, nos mostra suas gravações de como foi caótico.

O resultado do documentário talvez não seja o que ele esteja buscando. Ele garante que sua aparência parece pior do que se sente, mas podemos duvidar. É honesto, é corajoso, mas profundamente triste. A ver como o capítulo final será escrito. Val está no elenco de Top Gun 2, ali veremos sua despedida oficial das telas. O meu coração ficou sentido.

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