O pior do musical de Diana é a música

Há uma nova onda, talvez encorajada pelo aniversário de 25 anos em 2022, que explora a memória da princesa Diana ininterruptamente. Ou assim parece. Documentários, séries, filmes… e musical. A Netflix trouxe com exclusividade a produção da Broadway que foi interrompida pela pandemia e que traria a vida de Diana para os palcos. Para quem acompanha meus posts sabe que eu raramente sou dura assim, mas é uma pena que não tenha sido suspensa para sempre. É algo constrangedor e lastimável. Uma senhora bola fora.

Nenhuma melodia marcante, rimas quase ofensivas

A peça apresenta a trajetória de Diana de uma adolescente inocente à uma mulher que estava para se encontrar quando morreu tragicamente. Os interpretes são bons, porém a música não acontece, não traz a famosa melodia das 23 horas, que é aquela canção que fica com a gente quando saímos do teatro. Sem uma base, resta pouco a fazer e menos ainda para o elenco de apoio, com coreografias tão pobres quanto os arranjos.

As letras conseguem piorar tudo, com rimas horríveis e uma Diana sendo chamada abertamente de “limitada intelectualmente”. Aliás, é um desrespeito atrás do outro, sejam os membros da novela da Família Real, como James Hewitt – que segundo os letristas, ensinou a princesa a “cavalgar” – e Camilla, cuja participação é confusa.

Tentando se espelhar em Evita, mas falhando terrivelmente

A pretensão clara de Diana, O Musical, é de ser um Evita revisitado. Evita, com música de Andrew Lloyd Weber e letras de Tim Rice, fez furor em 1976 quando, para os argentinos, desrespeitou a memória de Eva Perón em uma produção que trata a ex-primeira dama argentina como uma oportunista e política corrupta. Em Evita, nenhuma personalidade passa sem ser criticado e o mesmo acontece em Diana, incluindo – ou até mais – a princesa.

Como mencionado, a peça bate bastante na “falta de cultura” e “intelecto” de Diana, ressaltando a incompatibilidade imediata com Charles. Retratada como uma moça sem vivência, maturidade ou preparo, ela é engolida por um casamento que começou por fachada e vira um pesadelo.

As figuras de Charles e Camilla são, dentro do possível, amenizadas incrivelmente. Eles se amam, mas tentam se sacrificar ao se separarem quando ele se casa. Porém, infeliz em uma união que nunca teve alguma chance, Charles volta atrás. Seria interessante se não fosse tão cafona, rápido e forçado. Musicais frequentemente têm que ser porque tem que contar uma longa história em cenas interrompidas por canções. Mas, em oposição à The Crown, o musical sugere que Charles “tentou” fazer o casamento dar certo, falhando tanto por ciúmes de Diana como saudades da mulher que sempre amou, Camilla. E, neste cenário, as boas intenções de Diana não esbarraram com insensibilidade ou vilões. Simplesmente era a história de amor que ela queria viver. É quase como invertendo os ciúmes para Diana em vez de Charles. Fato, como se repete, a única pessoa na Terra que não amava Diana era seu marido.

Depois de passar tanto tempo na guerra entre Charles e Diana, a morte da princesa é quase tão abrupta quanto a verdadeira.

O musical não deve dar certo na Broadway: é ruim. E o pior está na música. Uma pena.

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