50 anos depois, seguidora de Charles Manson pode ter liberdade condicional

O crime bárbaro e violento de Charles Manson e seus seguidores entrou para a História como um dos mais marcantes de todos os tempos. As vidas de várias pessoas foram terminadas – sem sentido – incluindo a da atriz Sharon Tate, grávida de 8 meses quando o grupo invadiu a sua casa e começou a carnificina.

Charles Manson morreu aos 87 anos, por causas naturais, em 2017. Ele foi condenado à morte, mas sua sentença foi alterada para prisão perpétua quando as leis da Califórnia mudaram, nos anos 1970s. A mesma alteração beneficiou três de suas seguidoras também condenadas, Leslie Van Houten,  Susan Atkins e Patricia Krenwinkel. As três, parte da família Manson, assustaram por serem muito novas (Leslie tinha apenas 19 anos) e agirem de maneira bizarra durante o julgamento. Elas rasparam a cabeça e riram quando ouviram a sentença de morte.

Ao longo dos anos, no entanto, a atitude delas foi mudando e passaram a adotar o discurso de manipuladas e arrependidas, mas por questão do acompanhamento ferrenho da família de Sharon, não conseguiram autorização para condicional. Elas pediram mais de 20 vezes. Essa semana, isso pode mudar. A Justiça avalia liberar Leslie, hoje com 72 anos, para grande surpresa de quem acompanha o caso.

Leslie participou do assassinato do casal Leno e Rosemary LaBianca, que ocorreu logo depois do crime de Sharon Tate, em 1969. O casal foi escolhido à revelia pelo grupo e assassinado a facadas e garfadas dentro de casa.

Antes de se unir à Família Manson, Leslie fugiu de casa e tinha uma longa história de uso de drogas e feito um aborto, aos 17 anos. Era apontada como uma das cabeças do grupo, contando com a confiança de Charles Manson. Ela riu em todo processo judicial, seguindo cegamente as orientações de Charles, respondendo que não se arrependia dos crimes (disse que “desculpa era um palavrão” e que “não há como desfazer o que foi feito”).

Na época do julgamento, Leslie passou a ser a pessoa mais jovem a ser condenada à morte na California. Quando as regras mudaram, em 1972, ela teve direito a pedir condicional sete anos depois, mas sempre foi negado.

Por erros de procedimento jurídicos, as mulheres voltaram a ser julgadas em 1977, alegando que estavam drogadas e sem condições de testemunhar antes. Ainda assim, o resultado foi o mesmo.

Na prisão, mudou o discurso, escreveu um livro e passou a se colocar como uma das vítimas de Charles Manson. Ficou amiga de pessoas famosas, como o diretor John Waters que tentou fazer uma campanha para libertá-la. Leslie foi a única a não ser condenada pelo crime de Sharon Tate porque não participou naquela noite, mas sua ligação com Manson a classificava como uma das mais perigosas do grupo. No filme de Quentin Tarantino sobre os crimes, Era uma Vez, a jovem atriz Victoria Pedretti interpretou Leslie, que usava seu apelido de Lulu.

O resultado da apelação deve sair em breve.

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