A triste história de Jonathan Larson por Lin Manuel Miranda e Andrew Garfield

Em final de maio de 1996, arrastei minha mãe para ir ver comigo uma nova produção na Broadway, que tinha estreado há menos de um mês e que era apontada como o grande fenômeno do ano. Rent não tinha – na época – nenhum ator famoso, ou compositor. Mas sua energia de transformar a ópera La Bohème em uma ópera rock, atual e em Nova York agradou em cheio. Por trás dessa paixão tinha uma história trágica. Seu autor, Jonathan Larson, morreu na noite de estréia, por um tumor no coração. Ele tinha 35 anos. Jamais soube do sucesso que tanto lutou para alcançar. Sua história finalmente está sendo contada no filme Tick Tick Boom, com Andrew Garfield.

Jonathan se dedicou à arte desde cedo, participando da banda e teatro de sua escola e indo estudar Artes Dramáticas na faculdade. Compositor de talento, era obcecado em criar musicais. Após a formatura, se mudou para a parte boêmia de Nova York, o Village dividia o apartamento com amigos. O sucesso, porém, não veio com rapidez. Por quase 10 anos, trabalhou como garçom enquanto continuava tentando sua chance como autor. Foi no Moondande Diner que conheceu alguns dos atores que mais tarde entraram para o elenco de Rent, como Jesse L. Martin. Mas antes de sua maior obra, pela qual foi premiado postumamente com Tony e Pulitzer, Jonathan escreveu Tick Tick… Boom, um monólogo rock autobiográfico que retratava todas as rejeições pelas quais ele passou em sua carreira e, em especial, não ter conseguido produzir a peça Superbia.

O sucesso de Tick Tick Boom ajudou a emplacar vários trabalhos, mas o projeto de sua vida já estava em sua cabeça desde 1988, quando um amigo sugeriu atualizar La Bohème. Jonathan sugeriu o nome do musical, Rent, e que se passasse justamente em East Village, no ambiente onde vivia com os amigos. A personagem de Idina Menzel (isso mesmo, a vi estreando) foi inspirada em uma ex-namorada de Jonathan. Todas as canções – como podemos ver depois – têm muito da vida de Jonathan.

As primeiras leituras de Rent começaram em 1993 e levaram 3 anos até a estréia off-Broadway. Jonathan morreu na véspera e o elenco, marcado pela trágica morte, fez um pacto de seguir em frente em homenagem ao autor. Foi um sucesso tão absoluto que em poucas semanas a produção foi transferida para a Broadway, onde todas as estrelas da época foram conferir o fenômeno.

Jonathan Larson morreu em casa, na madrugada de 25 de janeiro de 1996. Há dias estava sentindo dores no peito, falta de ar e enjôo, mas os exames não detectaram nada de errado e o diagnóstico foi estresse. Hoje os médicos acreditam que ele sofria da Síndrome de Marfan, uma doença genética que atinge o coração, causando a dilatação da aortida. Se tivesse sido diagnosticada, havia tempo para uma cirurgia e ele poderia ter sobrevivido.  

O filme, dirigido por Lin Manuel Miranda traz Andrew Garfield dançando e cantando, algo que não fez antes. Não será sobre Rent, mas sobre o período em que Jonathan buscava sua voz.

Rent entrou para a história da Broadway como um dos maiores sucessos já escritos para o palco. A peça virou filme, em 2011. Com a perspectiva de uma vida correndo contra o tempo, é emocionante que algumas das canções falem justamente da urgência e imediatismo. E como Jonathan nos disse, no day like today.

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