A esnobada de Kristen Stewart no SAG

Vamos falar sobre a super esnobada em Spencer, um filme diferente, estranho e que foi acompanhado a cada virada, prometendo dar a Kristen Stewart um reconhecimento nos Estados Unidos que só tem no exterior. Pois não foi dessa vez.

Eu vi o filme em dezembro, mas o embargo me impede de comentá-lo antes de ser lançado no Brasil oficialmente. Está mais perto, mas talvez tenham esperado demais. O que posso dizer é que – dentro de sua capacidade – Kristen Stewart está muito bem e surpreende como Diana, o que não quer dizer que mereça ser eleita a “melhor” do ano. Certamente está melhor do que Nicole Kidman como Lucille Ball, ou Lady Gaga como Patrizia Gucci. Nicole já é a franca favorita para o Oscar pois, os votantes do SAG Awards são 90% dos que elegem no Oscar, portanto o SAG é SIM o melhor termômetro de Hollywood para sua principal premiação. O Golden Globes ajuda a acender a presença de Nicole na mente dos votantes.

Falar da exclusão de Kristen entre as cinco melhores do ano, para inserir Jennifer Hudson interpretando Aretha Franklin, é delicado. Sem Jennifer, a categoria teria apenas de atrizes brancas européias entre as indicadas. A única que não está em uma biopic é Olivia Colman (a que eu daria o o prêmio já por A Filha Perdida) e sobraria então ter que cortar ou Lady Gaga ou Jessica Chastain ou Kristen Stewart. Jessica, para se transformar em Tammy Faye, passou por longo processo de maquiagem. Gaga criou o polêmico sotaque e Kristen colocou uma peruca e também caprichou no sotaque. Sabe quem está sobrando na lista? Nicole Kidman. Eu adoro Nicole Kidman, mas não acho merecida sua indicação.

Tanto Nicole como Kristen Stewart são especialistas em biopics. Antes de Spencer, Kristen foi Joan Jett e Jean Seberg. Em todos os papéis foi ela mesma, é verdade, mas há evolução entre elas. Como atriz mirim, foi abraçada e endossada por ninguém menos do que a respeitada Jodie Foster, mas alcançou estrelado mundial com a série Crepúsculo. De lucrativo parece ter virado praga. Desde então, seja fazendo filmes menores ou assumindo a homossexualidade, nada conseguiu a afastar da imagem da personagem que a fez famosa. Aqui está o seu maior desafio e acho SIM que houve preconceito nessa exclusão. Me surpreendeu.

Há de se levar em conta também o desgaste em torno da narrativa da história da princesa Diana, trazida à tona na última temporada de The Crown e que endereçará o mesmo período que Spencer na próxima. Emma Corrin também colocou o desafio de dar vida à Diana muito alto, mas ela teve o privilégio de que as gerações mais novas lembrem menos da Diana inocente do que da Diana chutando o balde. Além do mais, a briga entre os filhos, William e Harry, nada sutilmente cada um tentando bancar o favorito da mamãe nas alfinetadas mútuas, também contribuíram para o desgaste. Quem pagou a conta foi a atriz que teve a coragem de sair da zona de conforto e se colocar à prova. Por isso repito, estar entre as cinco melhores do ano era importante para Kristen Stewart e não era algo impossível de esperar.

As indicações para o Oscar saem quase 20 dias ANTES do SAG Awards, no dia 08 de fevereiro. Ainda dá tempo para reverter a injustiça, mas ninguém mais tira o favoritismo de Nicole Kidman por Being the Ricardos.

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