Ridley Scott questiona futuro da humanidade em Raised by Wolves

Ridley Scott certamente é um dos melhores diretores em atividade, especialmente quando se trata de sci-fi. Sua série para HBO Max, Raised by Wolves, foi lançada em plena pandemia e embora bem aceita, não estourou. O que é uma pena porque é ótima.

Antes de avançar para falar da segunda temporada, que estreia essa semana, um aviso que teremos SPOILERS.

1ª temporada mostra que fé e cetismo têm seus perigos

Raised by Wolves se passa no futuro, em 130 anos, quando a Terra é destruída e alguns poucos selecionados vão povoar novos planetas, no caso aqui, Kepler-22b. A narrativa não é linear e acompanhamos dois grupos que tentam sobreviver. Um casal de androides, Mother e Father, que foram programados para dar luz e criar embriões de humanos. E também tem os humanos, religiosos fanáticos de uma seita chamada Mithraic, que adora um Deus chamado Sol. Na Terra, os ateus lutam contra os mithraics, perdendo a sangrenta luta.



Entre os humanos em Kepler-22 está o casal Marcus e Sue, que logo descobrimos que são Caleb e Mary, dois ateus que matam os verdadeiros Marcus e Sue – e fazem uma plástica para pegarem seus rostos – para pegarem seus lugares na nave que vai deixar a Terra. O que os dois não sabiam antes do crime é que havia Paul, o filho do casal. Os dois mantém a farsa, mas se apegam ao menino genuinamente como se fosse deles mesmo.

Como Kepler-22 é inóspito, os conflitos surgem quase que imediatamente. Entre os religiosos porque a fé é cega e entre os andróides porque alternam entre a superioridade de uma máquina ou a inveja de ter algum sentimento ou fé. Com sua programação de provedora, Mother sequestra/salva crianças mithraicas, entre elas Paul. Claro que Marcus e Sue querem salvar seu filho, mas em viradas atrás de viradas, nada conclui como se esperava.

A profundidade da história é justamente mostrar os contrastes dos dois lados, com personagens alternando suas convicções. Mother é uma andróide assassina, mas genuinamente amorosa e por ter uma empatia (mesmo que programada), acaba conquistando as crianças e alguns inimigos.

Paul, “filho” de Marcus e Sue é religioso e otimista em sua fé, um ótimo garoto que conquista a todos, porém incomoda aos pais por ser tão dedicado à Sol, o Deus dos Mithraics. Marcus, um líder nato e repleto de boas intenções, vai se destruindo ao ser conquistado pela fé. Em um mundo sem mocinhos, nada é simples. Há uma força divina e há a ciência. O problema está em equilibrar os dois lados que se colocam como oponentes.

Travis Fimmell mais uma vez brilha

A grande estrela da série é Travis Fimmell, saído de Vikings e criando uma personagem incrível, mais uma vez. Sim, há viradas de cabeça e tons de voz que remetem à Ragnar, mas o trabalho de Travis aqui está mais para O Iluminado. O processo de loucura é plausível, em bom ritmo e uma boa atuação do astro.

Marcus/Caleb começa como um bom homem, racional, agnóstico e com um plano. Assim que puderem, ele e Sue vão abandonar os fanáticos e criar uma vida em algum lugar do planeta. A fé de Paul, para quem não querem contar a verdade, atrasa a ação da dupla que prioriza salvar o “filho”e tenta respeitar a fé do garoto. O problema é que há a profecia de um Messias, que é órfão, e que vai liderar a Humanidade a se reconstruir. Tudo aponta que Paul seja essa criança, porém, no meio do caminho, Marcus passa a acreditar que ele é o messias. E será assim que chegaremos à 2ª temporada, quinta, dia 3.

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