A força da Rainha Emma, duas vezes coroada soberana na Inglaterra

Uma das personagens mais intrigantes em Vikings Valhalla é a Rainha Emma, da Normandia. Sua trajetória na História do Reino Unido é ímpar e é uma das mais interessantes do período.

Interpretada pela atriz Laura Berlin, Emma se casou muito jovem com Aethelred II, com quem teve três filhos e reinou a Inglaterra. Viúva, se casou com o viking Cnut, que invadiu o país e tomou a coroa, se transformando no primeiro Rei da Inglaterra, Dinamarca e Noruega, com ela como sua consorte. Mesmo após a morte do segundo marido, em 1035 (ficaram juntos por 18 anos), Emma permaneceu uma figura importante na política britânica e foi mãe de dois Reis, agindo como regente em uma boa parte da vida de um deles.

Morreu em 6 de março de 1052, há exatos 970 anos e, sem surpresa, é considerada uma das mais importantes rainhas medievais da História.

Nesta primeira temporada, acompanhamos a invasão de Cnut e dua decisão de ficar com a Coroa inglesa, precisando lidar com os nobres locais assim como os conflitos entre os vikings. Emma é sua principal aliada. Para os ingleses, há vários fatos que ficaram conhecidos e certamente estarão em Vikings Valhalla, como quando Cnut “tentou mudar a corrente do rio” e quando Emma teve que andar descalça sobre ferro fervendo para provar sua castidade.

Emma foi coroada pela primeira ainda adolescente, e segundo consta, já tinha sangue viking nas veias. No seu primeiro casamento e reinado, a Inglaterra ainda lidava com novas invasões nórdicas, mas Aethelred II não tinha bons conselheiros e entrou para a História como fraco. Perdeu seu trono para o pai de Cnut, mas o recuperou, apenas oara morrer em seguida. Viúva antes dos 30, Emma aceitou se casar com o invasor viking para assegurar sua posição. Daí para frente se revelou uma grande articuladora política.

Durante seu fraco reinado, Aethelred II cometeu um grande erro, que está em Vikings Valhalla. Mandou massacrar o acampamento viking na Inglaterra, mas, entre os mortos estava justamente a irmã de Cnut. Sua decisão só acelerou a invasão nordica buscando vigança. Após sua morte, Edmund, primogênito do primeiro casamento, passou a frente de Emma e assumiu a Coroa, mas perdeu a batalha contra os vikings e foi forçado a aceitar a dividir poder. Edmund, por sua vez, morreu repentinamente e Emma se casou com o invasor para garantir a vida de seus filhos. Seu acordo dizia que seus herdeiros com o viking teriam prededência na sucessão e, em um ano, Cnut tinha um filho com Emma.

Por 18 anos, Emma cuidou da parte diplomática interna – literalmente comprando o apoio da Igreja – e reinando sozinha quando Cnut estava no exterior, o que acontecia com frequência. Após a morte do viking, a sucessão tomou uma curva sangrenta.

Como aconteceu antes, o primogênito do primeiro casamento de Cnut, que não era reconhecido pela Igreja por ter sido com uma pagã, Harrold Harrefoot, assumiu o trono inglês. O filho de Emma, Harthacnut, ficou com o trono dinamarquês, e logo desafiou o meio irmão pelo poder, crescendo a paranoia. O primogênito da Rainha, Alfred, temia por sua vida e tentou resgatá-la na Inglaterra, mas foi preso e teve seus olhos arrancados, morrendo em consequência de seus ferimentos. O medo fez com que os filhos restantes, incluindo o futuro rei, Edward, fugissem para Normandia enquanto Emma fugiu para Flanders, onde trabalhou pela causa de seu filho, Harthacnut.

No sangrento embate entre irmãos, Harthacnut venceu e retomou sua coroa inglesa. Emma retornou para o país como Rainha Mãe e conseguiu que o soberano a deixasse trazer de volta seus outros filhos, incluindo Edward. Quando Harthacnut morreu sem herdeiros em 1042, Edward o sucedeu no trono e assim, Emma foi duas vezes Rainha e duas vezes Rainha mãe. Um recorde inalcançável mesmo milhares de anos depois.

Porém, a relação com Edward nunca foi boa. Ele ressentia que a mãe tivesse apoiado o meio-irmão mais novo para Rei antes dele e assim que finalmente assumiu a coroa, baniu Emma da corte. Para deixá-la ainda mais ofendida, se casou com a filha de Godwin, que já vimos que será um dos grandes vilões de Vikings Valhalla. Godwin, que ascendeu com a morte de Edmund, estava por trás de vários assassinatos e Edith Godwinson, sua filha, era igualmente ambiciosa e sanguinária. Ela foi rainha da Inglaterra.

A dor de Emma – literalmente – não parou aí. Edward foi convencido de que ela era amante do Bispo de Winchester e como teste de sua inocência, foi obrigada a publicamente se submeter ao “julgamento por fogo”, que a forçava a andar descalça em cima de nove pontos de ferro derretido. De alguma forma, ela aceitou e não se feriu, provando sua causa e sendo perdoada pelo filho, que a readmitiu na Corte.

Porém, a Rainha Viking passou seus últimos anos apagada, vivendo em Winchester, onde até hoje estão seus restos mortais. Eles foram localizados na Catedral de Winchester em 2019, depois de passarem milênios misturados com relíquias e outros corpos em um mortuário comum, que foi demolido por volta de 1093.

Sobre Edward? Bom, após sua morte, o irmão de Edith, Harold Godwinson o sucedeu, portanto atenção para a vitória e estratégias de Godwin. Ele pode ter conseguido ter seus filhos no trono, mas um herdeiro direto de Emma, William, o conquistador, acabou com a festa em menos de um ano depois. Mas isso é tema para outra série, não?


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