SPOILERS: Killing Eve e a polêmica decisão típica das séries

O mundo mal se despediu de Tommy Shelby e agora deu adeus a uma das vilãs mais incorretas e divertidas da televisão, Vilanelle, interpretada por uma genial e premiada Jodie Comer. Isso mesmo, embora a Globoplay ainda não tenha liberado a 4ª temporada, Killing Eve acabou de chegar ao fim na Inglaterra. E está revoltando os fãs.

Não entrarei em detalhes da temporada ou do episódio para guardar quando chegar ao Brasil, assim como fiz com Peaky Blinders. E se ainda não avisei o suficiente, aqui vai: SPOILERS.

A morte de Vilanelle, no último segundo do episódio final está revoltando os fãs no mesmo grau da morte de Daenerys Targaryen em Game of Thrones. Depois de passar por uma evolução de 180o, Vilanelle acaba sendo morta – de surpresa- nos braços de Eve, decidindo salvar a amada e dar sua vida por ela.

Isso mesmo, a história complicada, estranha e inevitável entre Eve e Vilanelle termina tragicamente quando as duas acertaram os ponteiros.

O nome da série sugeriria a morte de Eve, não de Villanelle, mas de alguma forma nada sutil sempre entregou que haveria alguém morrendo, afinal Killing Eve deixa pouca dúvida sobre o que seria. Porém, anti-heróis complicados – que um dia foram os vilões carismáticos – dão trabalho para show runners.

Com a força das redes sociais, as decisões artísticas de autores têm sofrido grande pressão. Especialmente quando o conteúdo se torna relevante. Com excessão de Breaking Bad, poucos sucessos recentes tiveram um final aceito com unanimidade e a paixão dos fãs se faz ouvir forte e volumosa. O tiro que não vimos ou ouvimos em Os Sopranos (Família Soprano no Brasil) e que matou Tony. A desistência de viver de Ivar the Boneless em Vikings, a sobrevivência de Tommy Shelby depois de várias tentativas de suicídio em Peaky Blinders e, claro, a facada de Jon Snow em Daenerys Targaryen em Game of Thrones. São apenas os exemplos recentes de soluções polêmicas de matar (ou salvar) personagens que amamos, que aceitamos que queríamos nos despedir, mas não necessariamente concordamos com a opção oferecida.

Haverá o spin off the Killing Eve com a personagem mais interessante de todas para mim, Carolyn Martens, interpretada pela BRILHANTE Fiona Shaw, mas a série fez uma estrela internacional da relativamente novata e desconhecida Jodie Comer, que venceu merecidamente um Emmy pelo papel.

Assim como Emilia Clarke com Daenerys, Jodie teve sentimentos mixtos sobre o destino de uma personagem tão relevante para ela. Mas os problemas da temporada final, que parecem tão distantes das duas primeiras temporadas, assinadas por Phoebe Waller-Bridge e Emmerald Fennell, são outros. A trama original apontava pela improvável e perigosa fixação de uma psicopata sobre a única mulher que conseguiu chegar perto de descobri-la. No pano de fundo estaria o emaranhado da rede de espionagem internacional. No entanto, a série inverteu o foco aos poucos e, as surpresas para impedir que Eve e Villanelle vivessem seu amor impossível, passou a ser exatamente sobre um grupo terrorista criado na Guerra Fria que domina o mundo. Ficou tão complicado descobrir as ligações do Twelve que afastar as duas principais ficou cansativo. Por isso, trazer a morte de Villanelle quando ficaram juntas pareceu apenas cruel.

Portanto, fica o drama dos autores de conseguirem eles mesmos encontrarem uma despedida digna para as personagens que passamos a amar. Não é uma missão fácil, tampouco deveria ser impossível.

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