Slow Horses é quase uma franquia anti-James Bond

Se a imagem do espião inglês é James Bond, em nenhum momento, ao conhecer o chefe da Slough House, Jackson Lamb, damos crédito a ele pois é o oposto em tudo do que sabemos de 007. É velho, grosso, fora de forma e antipático, jamais conquistaria uma mulher. Nem aparenta querer. Uma personagem feita sob medida para o talento de Gary Oldman que é a grande estrela da série da Apple TV Plus, Slow Horses.

Slow Horses é a adaptação do primeiro livro da série que traz a genialidade irritada de Jackson Lamb, escrito por Mick Herron há 12 anos. Na época, até foi novidade, falar de intolerância, fake news e atentados terroristas, fazendo do livro um best seller. Hoje, com os temas sendo até comuns, o que segura é o talento de um elenco incrível em uma bem ajustada trama de espionagem, um gênero que fez muito sucesso nos anos 1990s e anos 1970s.

Slow Horses é uma brincadeira com a palavra em inglês, perfeitamente traduzida para “pangarés”, que são os “cavalos lentos” do MI5. Na verdade é a “Slough House”, um endereço considerado cemitério para membros do serviço de inteligência que não estão mais no jogo, mas que não podem ser demitidos. Só está ali quem é incompetente, problemático ou encostado. Jackson Lamb é o diretor, bebendo durante o expediente e demandando que as pessoas “não façam nada”. Isso funciona até que o agente River Cartwright (Jack Lowden) é punido com um período indeterminado no local. Jovem, com sobrenome de peso e querendo se provar, River é o pesadelo encarnado para Jackson, mas incontrolável.

Não vamos entrar em detalhes pois quem gosta de suspense vai logo captar spoilers. O suficiente é saber que Jackson é um agente da antiga, ou seja, não apenas é genial como é fiel e mesmo sem gostar dos “seus pangarés”, são “seus” e, por isso, toda equipe se envolve em uma ação complicada que pode custar a vida de milhares de pessoas, com as deles no meio.

Slow Horses lembra e muito a excelente obra de John Le Carré, O Espião que Sabia Demais, cuja última adaptação, em 2011 teve o próprio Gary Oldman liderando um elenco sensacional de estrelas britânicas. Ele sobra, mais uma vez, com uma sensacional Kristin Scott Thomas ombreando com ele no cinismo de espiões frustrados, cansados e muito inteligentes.

Dos jovens, além do ótimo Jack Lowden, temos Olivia Cooke, em breve uma das estrelas de House of the Dragons, comprovando o potencial das novas gerações. São oito livros no total, tem toda pinta de uma franquia… mas quem não vai gostar de conteúdo de qualidade?

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