Os 80 anos de uma lenda chamada Barbra

Barbra Streisand é o que chamamos de uma lenda viva. Uma super mulher, um símbolo de mulher forte, decidida, politizada e determinada. Não é surpresa que, por décadas, tenha ficado também conhecida como “diva” ou “difícil”. Tudo porque, como feminista, “ousou” quebrar as regras. Em 24 de abril de 2022, a diretora, cantora e atriz premiada com todos os mais prestigiados reconhecimentos da indústria completa 80 anos. Uau.

Nascida no Brooklyn, Barbara Joan Streisand, essa taurina sempre foi especial. Seu pai faleceu quando ainda tinha menos de 2 anos, portanto as condições financeiras da família ficaram comprometidas e precisou viver com os avós até que sua mãe se casasse novamente. Por essa razão, a artista diz que as lembranças de sua infância são dolorosas. Para piorar, sua (hoje famosa) timidez não a ajudou socialmente e, para os padrões de beleza da época, estava longe do que chamavam de “bonita”, por isso sofria bullying, tudo que marcou sua personalidade mais à frente.

Ainda assim, a menina sonhava com uma vida no mundo do entretenimento, mas não tinha apoio em casa. A franqueza materna a lembrava que, por “não ser atraente”, teria menos chances nos palcos. Parte dessa relação complicada foi usada anos mais tarde para o filme O Espelho tem duas Faces, de 1996, com Lauren Bacall no papel de sua mãe. Determinada, Barbra cantava no coral da escola (onde conheceu Neil Diamond, com quem viria a fazer sucesso cantando You Don’t Bring Me Flowers) e decidiu não ir para faculdade, mas sim começar imediatamente sua carreira artística, aos 15 anos. Negociou com Alan e Anita Miller que trabalharia como babá para os filhos deles em troca de uma bolsa de estudos na prestigiada escola de interpretação do casal.

Assim que pôde, mudou para Manhattan, onde conheceu o também iniciante ator Elliot Gould, com quem se casou em 1963 e teve seu único filho, Jason. Os dois ficaram juntos por oito anos e são amigos por uma vida inteira. No início, queria ser apenas atriz, mas foi encorajada a trabalhar cantando em night clubs. Foi quando “Barbara” passou a assinar sem o “a” no meio, virando oficialmente “Barbra Streisand“. Segundo contou, a decisão foi tomada para que seu nome se destacasse. Já sabia dos negócios!

Também descobriu que era divertida. Isso mesmo, Barbra é intensa e engraçada em igual medida. Mas o lado flamboyant, segundo ela, nasceu para encobrir a timidez, imitando as drag queens com quem convivia nos cabarets.

A ida para os palcos da Broadway não foi inesperada. Estreou com tudo no musical I Can Get it For You Wholesale, em 1962, já ganhando o prêmio do New York Drama Critics e recebendo sua primeira indicação ao Tony. Da gravação do álbum, ela foi contratada pela Columbia Records para uma carreira solo e lançou The Barbra Streisand Álbum no ano seguinte, ganhando dois Grammys (incluindo Melhor Álbum do ano). Na época, foi a artista mais jovem a receber esse reconhecimento. O álbum também ficou como um dos mais vendidos de 1963.

Estrelou o musical Funny Girl- A Garota Genial, sobre Fanny Brice, e ficou em cartaz por mais de dois anos, sendo indicada ao Tony outra vez. A canção People, da peça, foi virou primeiro dos Top 10 da carreira da estrela. Hollywood logo bateu à sua porta, especialmente porque ela já era também uma estrela da TV, com o enorme sucesso do programa My Name is Barbra, pelo qual ganhou 5 Emmy Awards. Na época, exigiu – e conseguiu – total controle artístico dos shows, nascendo aí a lenda machista de controladora e complicada.

Com o filme Funny Girl- A Garota Genial, venceu o Oscar de Melhor Atriz, além de outros prêmios. Sua fala “Hello, Gorgeous” (parafraseando uma frase do filme Funny Girl) para a estatueta do Oscar é uma das mais famosas citações do show business até hoje.

Uma vez no cinema, Barbra virou uma celebridade mundial mesclando comédias e musicais. Abriu sua companhia e passou a produzir filmes mais antenados com questões feministas, criando sucessos e clássicos, como Nosso Amor de Ontem (The Way We Were) e a refilmagem de Nasce Uma Estrela, em 1976, com roteiro de Joan Didion e pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Canção com Evergreen.

A carreira musical se manteve em igual ou maior destaque do que a cinematográfica, com Barbra sendo um das artistas com maior vendagem de todos os tempos. Flertou com vários estilos musicais, mas o álbum que vendeu mais foi o produzido por Barry Gibb, dos Bee Gees, nos anos 1980s.

Quando estreou como diretora, em 1983, com o musical Yentl (um filme que brincou ser sobre “uma mulher que abriu mão de se casar para poder estudar”), Barbra gravou um dos seus mais belos álbuns, com seus parceiros amigos e colaboradores, Michel Legrand, Alan e Marilyn Bergman. O filme foi grande sucesso, embora o gênero de musicais estivesse em baixa na época e ela tenha sido esnobada na categoria de direção na Academia.

Aliás, a falta do reconhecimento da contribuição de Barbra como uma excelente diretora ainda é uma das vergonhas de Hollywood. Ela foi reconhecida em 1991 (a terceira mulher na História), pela Directors Guild Awards com o filme “O Príncipe das Marés“, mas nunca pelo Oscar. Tentaram homenageá-la ao tê-la entregando o Oscar a Kathryn Bigelow, a primeira mulher Diretora a receber um Oscar, mas, como nos últimos anos tem trabalhado menos, e apenas como atriz, fica essa mancha e injustiça para serem sempre mencionadas.

Politizada e engajada, o lado humanitário de Barbra também é um dos lados mais famosos da estrela. Os lucros de seus concertos, gravados a partir dos anos 1990s, foram todos direcionados para causas que ela apóia. Só o Barbra Streisand: One Voice rendeu sozinho mais de 7 milhões de dólares.

Barbra Streisand tem gravado mais álguns, todos liderando as vendas nos Estaos Unidos. Casada desde 1998 com o ator James Brolin, sua vida pessoal serviu de muita fofoca antes disso, especialmente quando teve um longo relacionamento com o tenista André Agassi, bem mais jovem do que ela. Barbra nunca se importou com as opiniões alheias. Sim, PETA a criticou por sua decisão de “clonar” sua cachorrinha em vez de adotar animais abandonados, mas nem isso arranha o legado de uma das estrelas mais incríveis do mundo do entretenimento. Chega aos 80 anos poderosa, linda. Seu nome é Barbra Streisand. Como se pe precisássemos ser lembrados.

2 comentários Adicione o seu

  1. Muito temos a agradecer à Barbra pela sua história de vida que tanto nos inspira.

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