Moon Knight comprova que a Marvel segue inovando

*como será publicado no Correio do Estado, Caderno B+

Pode ser que você não seja fã de super-herói ou de fantasia, e for esse o caso nos últimos anos tenha sofrido com a enxurrada de conteúdo “superficial” que reflete em vendas de ingressos, bonecos e outras mercadorias, mas falta de outros gêneros de filmes nos cinemas e plataformas. Eu, amo. Mas não é apenas por isso que vou defender o que um dia foi sinônimo “diversão apenas”. Os heróis hoje são complexos e as fórmulas para contar suas histórias estão cada dia mais interessantes, veja os exemplos de Loki e WandaVision, que reescreveram os modelos “tradicionais” e merecem todo sucesso que tiveram. WandaVision sozinha foi uma série complicada de ser seguida, mas plantou boas sementes.

A fase atual da Marvel tem personagens mais densos, complicados e cheio de nuances, portanto quando anunciaram que o guatemalteco Oscar Isaac ia ser Moon Knight, quem o admira entendeu e quem o ainda não o reconhecia como um dos melhores atores de sua geração, estranhou. (Pausa para falar que evitarei ao máximo spoilers, mas será difícil.) É que Moon Knight tem uma história extremamente triste, violenta e complexa, a começar pela múltipla personalidade do herói (literalmente), que é Marc Spector e Steven Grant ao mesmo tempo. Isso significa uma overdose do ator que contracena com ele mesmo em muitas cenas, incluindo as de ação e as dramáticas, mas de uma forma tão brilhante que você jura que são duas pessoas na tela. É um show de interpretação. Tão grande que hoje as redes sociais diziam que além do Emmy, mesmo sendo conteúdo de série, tinha que ganhar um Oscar. No penúltimo episódio da temporada, Oscar Isaac não deixou nenhum olho seco em casa. A emoção que trouxe para uma história já trágica em sua origem vale cada segundo da fantasia, mesmo quem não curte o gênero.

Moon Knight conclui sua temporada na próxima semana e é um dos melhores conteúdos que a Marvel trouxe para a plataforma da Disney Plus. Tem uma narrativa diferente, que brinca com a nossa mente assim como a de Marc/Steven e retarda para sua quase despedida para finalmente explicar para os leigos o que realmente está acontecendo com o herói. Juro, é de partir o coração. Com efeitos especiais que nem cinema tinha mostrado até então, multiplicando Oscar em dois de forma que não dá para ver de forma alguma que há corte ou CGI, a série é ótima. E, além de Oscar Isaac, traz um soturno Ethan Hawke também voando como o vilão, Harrow. Os dois dão aula de interpretação, passando pelo drama e comédia como se fossem gêneros fáceis. Se ainda não viu todos os episódios, vale fazer binge. Temos apenas um episódio mais para darmos adeus (por hora) a esse estranho super-herói.

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