Grace e Frankie: a terceira idade e o humor feminino

Em 2015, quando a Netflix lançou Grace e Frankie eram dias pré #metoo e onde falar da terceira idade era tabu. Muita gente estranhou o que parecia ser um saudosismo do sucesso de 1980, Como Eliminar Seu Chefe (9 to 5), no qual Lily Tomlin, Jane Fonda e Dolly Parton mostravam com humor o que acontecia com assédio moral e assédio sexual, entre outros temas. Naquela época, uma das raras maneira que Hollywood aceitava tocar em assuntos tão delicados era com o que achavam ser “comédia”. Isso mesmo, mulheres expondo o machismo tóxico, a disparidade de salários e condições de trabalho além de claro das “cantadas” que era assédio, só poderia ser piada.

O filme foi um sucesso astronômico e reuniu pela primeira vez nas telas as amigas ativistas Lily e Jane, que se reencontraram na série escrita por Marta Kauffman (Friends) and Howard J. Morris, que abordava com leveza temas sérios de como é recomeçar a vida depois dos 70 anos.

A série é sobre a improvável amizade de Grace Hanson (Jane Fonda), uma magnata de cosméticos aposentada de língua afiada, e Frankie Bergstein (Lily Tomlin), uma professora de arte peculiar. As duas se detestam, mas se toleram socialmente porque seus maridos maridos de longa data, Robert (Martin Sheen) e Sol (Sam Waterston), são advogados de divórcio bem-sucedidos e sócios de um escritório em San Diego, Califórnia. Porém as vidas das duas viram de cabeça para baixo quando os maridos se assumem apaixonados um pelo outro e avisam que decidiram se casar. Aos quase 80 anos de vida, as duas têm que recomeçar e lidar com o fato de que nos últimos 20 anos estavam sendo traídas. Para piorar, os filhos entram no que seria um drama, mas acaba em comédia.

Grace e Frankie, por circunstâncias diferentes, são forçadas a viver juntas e experimentar uma série de aventuras malucas enquanto navegam em dramas familiares, sustos médicos, empreendimentos comerciais e turbulências românticas. A grande história de amor, no entanto, é das duas, que se tornam melhores amigas e finalmente aprendem a ser amar como são.

A série nem sempre foi unanimidade, mas eu sempre fui fã de carteirinha. A química do elenco, as pautas que foram abordadas com inteligência e o talento da dupla icônica são alguns dos segredos do sucesso. A série é no momento a de maior longevidade da plataforma, o que não deixa de ser uma ironia com um elenco cuja média de idade na estréia era de 75 anos de vida e acabam beirando os 90.

Sim, a partir da 4ª temporada algumas das tramas soaram repetitivas, mas o que é a vida se não uma série de repetições até aprendermos a lição? A entrada da Madame Eslbeth me fez rir e chorar, uma vez que sua previsões não erravam. A “morte” da série foi tratada com a mesma sagacidade de sua estréia, com direito a uma ponta de Dolly Parton para deliciar os fãs e a esperança de um spin-off com as filhas de Grace, especialmente Brianna (June Diane Raphael).

Sentirei falta dessas duas, mas agradeço a Jane Fonda e Lily Tomlin por terem dado mais essa inspiração para tantas gerações de mulheres. Ícones são assim mesmo…

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