Ron Galella: o paparazzo que fez Arte e ficou famoso

Ron Galella era uma estrela entre os paparazzi. Temido e adorado por estrelas, suas fotos viraram obras de arte e sua obsessão por Jackie Kennedy rendeu algumas das imagens mais famosas da ex-primeira dama. Ele morreu, aos 91 anos, em 30 de abril de 2022.

Segundo jornalistas, o trabalho de Ron foi uma das ferramentas da construção da cultura da celebridade, especialmente porque seus flagras de famosos em situações curiosas e sempre naturais, sem pose, fizeram dele um problema. Marlon Brando, por exemplo, o agrediu em 1973, quebrando seus dentes e queixo, mas tendo que pagar 40 mil dólares de indenização. Um ano depois, o fotógrafo passou a usar um capacete para continuar trabalhando e correr menos riscos, mas ainda fotografando o ator. Jackie o processou (a questão ficou na justiça por 10 anos), mas suas fotos – dela e de outros – são algumas dos registros mais famosos do século 20.

Independente, sempre com uma câmera nas mãos, Ron Galella gostava de pegar as pessoas distraídas, por isso seu local de trabalho eram as ruas de Nova York. Para conseguir chegar até as estrelas, subornava garçons e porteiros, usava disfarces, ficava amigo dos motoristas. Sua técnica era a surpresa e a agilidade, como explicou anos depois, pois quando a polícia chegasse ele já teria feito (e protegido) a foto. Madonna e Sean Penn tiveram seus problemas com ele nos anos 1980s.

No limiar entre stalker e profissional, as fotos de Ron Galella foram ganhando prestígio e valor, ao ponto de serem consideradas arte. “Ele é uma víbora, um parasita, um perseguidor, um verme”, escreveu o crítico Roger Ebert no Chicago Sun-Times, em 2010. “Ele também é, eu decidi, um tesouro nacional.”

Nascido Ronald Edward Galella, em Nova York, em 1931, sempre foi apaixonado pelo show business. Se alistou no exército americano e lutou na Guerra da Coréia, onde começou a trabalhar como fotógrafo. Quando voltou, estudou fotojornalismo e começou a trabalhar profissionalmente, fazendo fotos comerciais ou registrando lançamentos de filmes. Quando viu o filme La Dolce Vita, de Federico Felinni passou a trabalhar como paparazzo, fotografando famosos para desespero e curiosidade deles.

Em uma carreira de mais de 60 anos, todas as pessoas mais famosas e importantes foram de alguma forma, alvo das lentes de sua câmera. À parte de Jackie, que foi sua musa e obsessão, Elizabeth Taylor foi sua celebridade mais fotografada. Richard Burton, na época casado com Liz, em uma ocasião mandou seus seguranças dar uma surra em Ron e recuperar os negativos das fotos que estava fazendo do casal (sem permissão, claro). Ron acabou preso e com olho roxo, como lembrou. A dor física o incomodou pouco. “Eles destruíram 15 rolos da minha arte”, reclamou.

Foi casado por 37 anos com a jornalista Betty Lou Bourke, que faleceu em 2017. Publicou mais de 15 livros e deixou um acervo de mais de 3 milhões de imagens, algumas delas expostas inclusive em Museus como o Tate Modern, em Londres e o MOMA, em Nova York e estimadas em milhões de dólares. Em 2021, publicou seu último livro,100 Iconic Photographs – A retrospective.  

Ron Galella faleceu por causa de uma insuficiência cardíaca congestiva, no dia 30 de abril de 2022. No final das contas, é comparado a nomes como Diane Arbus e Henri Cartier-Bresson, e suas fotos compradas por colecionadores e museus como exemplares da arte. A arte de ver as estrelas como elas são.

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