Sir Alec Guinness preferia não ser lembrado como Obi Wan Kenobi

Ewan McGregor quis interpretar o jovem Obi Wan Kenobi, mesmo já sendo um ator reconhecido na época em que entrou para o elenco das prequels, dirigidas por George Lucas. A essa altura, o mentor de Luke Skywalker, que só conhecemos rapidamente no primeiro filme da franquia, era icônico. Ewan tinha um desafio a mais do que o resto do elenco. Havia uma referência de um grande ator antes dele interpretando o papel, ninguém menos do que o legendário Sir Alec Guinness, portanto o jovem escocês tinha que imprimir sua interpretação e ao mesmo tempo respeitar e encaixar a anterior. Foi brilhante.

Em contraste a Ewan, Sir Alec não foi nem a primeira escolha para o papel (o diretor tinha Toshiro Mifune em mente) e ficou conhecido por não ser tão fã do universo de Star Wars como outros. Em 1977, o seu era o nome mais forte do elenco de desconhecidos, um vencedor de Oscar, respeitado no cinema e no teatro, já considerado uma lenda. Sua presença no filme de ficção-científica inclusive levantou suspeitas de que só teria aceitado um desafio tão abaixo de sua reputação por dinheiro. E ficou rico porque em seu contrato previa receber 2% do faturamento do filme, que foi um fenômeno e vendeu milhões.

A maior lenda desde então era a que ele “detestava” o papel e tudo que tivesse a ver com o universo criado por Lucas. Não exatamente a verdade, mas sim, expressou mais de uma vez sua frustração de que, mesmo com tantos papéis em clássicos do cinema, como Lawrence da Arábia e A Ponte do Rio Kwai, para citar apenas dois, seria como Obi Wan Kenobi que ficaria lembrado. Dito e feito. Quando faleceu, em 2000, aos 86 anos, todos os obituários citaram o mestre Jedi primeiro.

Nascido ilegítimo e registrado como Alec Guinness de Cuffe (depois ele dexou de usar o De Cuffe, que era o sobrenome de sua mãe) decidiu entrar para o teatro quando tinha cerca de 20 anos, depois de estar trabalhando há dois como redator em uma agência de publicidade. Logo se destacou, aparecendo em Hamlet, com John Gielgud antes de ganhar a crítica ao assumir o papel principal em uma visão mais moderna da peça.

Sem treinamento clássico, o ultra discreto ator negava ter uma técnica especial para atuar, o que ressaltava seu talento. Sempre camaleão, “desaparecia” em seus papéis e, como dizia, seu objetivo era fazer as pessoas acreditarem no que estava interpretando.

Seu Oscar como melhor ator, em 1957, como Coronel Nicholson em A Ponte do Rio Kwai é considerado seu melhor papel em uma vasta filmografia. Sua parceria com o diretor David Lean era história.

Sir Alec chegou a ser indicado ao Oscar, como coadjuvante, por Star Wars, em 1977. Como o The Guardian publicou em 2000, “Guinness mais tarde descartou sua passagem como Obi Wan em Star Wars como sua experiência cinematográfica mais miserável, e alegou que ele eliminou todas as cartas de fãs. Mas a intrépida aventura espacial de Lucas mostrou o ator envelhecido para toda uma nova geração e fez dele um multimilionário – uma parte dos lucros lhe rendeu cerca de 120 milhões de libras (“divida isso por 20 e você pode estar mais perto da marca”, disse Guinness)”.

Para alimentar a controvérsia, em sua autobiografia, Sir Alec disse que matar Obi Wan foi idéia sua e que teria convencido George Lucas. “O que eu não disse a George foi que eu não poderia continuar falando aquelas linhas horríveis e banais. Eu já estava farto de bobagens”, escreveu o ator no livro. Em seu diário, também registrou sua irritação: “Não posso dizer que estou gostando do filme. Novos diálogos inúteis chegam a mim todos os dias em pedaços de papel rosa – e nada disso torna meu personagem claro ou mesmo suportável. Só penso, felizmente, no pão adorável, que me ajudará a continuar até abril próximo. . .”, compartilhou.


Porém, fãs acreditam mais na versão do diretor, que, ao contrário do que escreveu em sua biografia, Sir Alec na verdade ficou até irritado ao saber que Obi-Wan seria morto por Darth Vader. “É um filme bastante impressionante como espetáculo e tecnicamente brilhante. Emocionante, muito barulhento e caloroso. As cenas de batalha no final duram cinco minutos demais, eu sinto, e alguns dos diálogos são excruciantes e muito disso se perde no barulho, mas continua sendo uma experiência vívida”, escreveu em seu diário na época.

Para interpretar Obi Wan em A Ameaça Fantasma, de 1999, Ewan McGregor estudou filmes antigos do ator para aperfeiçoar a impressão vocal correta e gestos também. E na série, que estréia essa semana no Disney Plus, foi ainda a sombra de Sir Alec que determinou a caracterização da personagem que amamos tanto. Mesmo com seu lendário mal humor, ele mesmo admitiu: “Eu poderia nunca ser falado de novo se não fosse por ‘Star Wars‘”, disse. Exagero, mas também verdade.

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