Não estava pronta para de despedir de Deborah Vance

Foram duas temporadas e curtas, mas Hacks chegou ao fim quase que abruptamente na sua segunda temporada. Em um arco simples que fala de transformação de duas mulheres opostas e iguais em tantos sentidos, já estava barrigando um pouco, mas tinha espaço para mais. A única coisa que sustenta é o talento inegável de Jean Smart como Deborah Vance.

Teremos SPOILERS.

Na primeira temporada conhecemos a comediante irascível e complicada, Deborah Vance. Aos 70 anos, ela ainda é um sucesso, mas poderia ser mais. Ao encarar uma derrocada perigosa, ela aceita trabalhar com uma redatora jovem,  Ava (Hannah Einbinder), que também é forçada nessa parceria.

O que começa como uma missão impossível e infernal vira uma jornada mútua de recuperar empatia e conexão com as pessoas ao seu redor. Poderia ser clichê, mas é inteligente. Deborah s e enxerga em Ava, que ainda tem a possibilidade de não repetir seus erros, mesmo que faça – e como – muitos outros.

Seria fácil que as duas, pelas idades e carências, transferissem para a relação uma energia de mãe e filha. Afinal, ambas têm problemas com sus respectivas e se entendem como ninguém. Deborah, pela maturidade, sabe rapidamente identificar que as duas “são iguais”, em um misto de elogio, crítica e lamento. A cena é uma das mais emocionantes de toda a série e vai render a Jean seu segundo Emmy com segurança.

E Hacks traz isso também de diferença. Falamos sempre das jornadas dos heróis e como, ao final da história, se transforma. A transformação de Deborah e Ava só 100% perceptível pelas duas, uma observando a outra. É a soridade realista, mas fundamental. Ava amadurece, relaxa, encontra sua voz como redatora. Deborah recupera a humanidade que deixou de lado ao se entregar a uma carreira em um mundo de homens. As duas se salvam, mas é Deborah que faz o sacrifício maior. Ao romper com Ava, ela sabe que está – pela primeira vez – colocando outro antes de seus próprios interesses. A essa altura, Ava está confortável em ser o apoio de Deborah, a ponto de abandonar projetos maiores para manter a parceria. Por amor, a comediante não aceita. É uma despedida muito emocionante para quem acompanhou como chegaram até ali.

Me senti como Ava quando Deborah a manda ir embora. Aprendi a amar essa louca quase sociopata, cheia de incoerências e certeira em suas críticas. Ao afastar a jovem, não necessariamente vemos que possa recair na armadilha anterior. Todos envolvidos recuperaram as conexões básicas para uma vida feliz.

E terminar com o sucesso de Supertramp, Goodbye Stranger foi ainda mais emocionante.

Vou sentir saudades!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s