A aventura de Obi-Wan Kenobi chega ao fim

O principal desafio de Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) não foi vencer Darth Vader (Hayden Christensen), mas os fãs da saga Star Wars que se dividiram e se queixaram das liberdades ou “falhas” na narrativa da mini-série da Disney Plus. Minha opinião não é popular, mas eu adorei. E para me emocionar, o tema do Mestre Jedi, que não existia, foi composto pelo gênio John WIlliams, mesclando os temas dos rebeldes (o original da franquia) e o da Força (uma das mais belas melodias do maestro). Mas vamos falar dos detalhes do episódio final da série Obi-Wan Kenobi. Sem se preocupar com spoilers, claro.

Então, a premissa da série é relativamente simples. 10 anos depois do nascimento de Leia e Luke, Obi-Wan está escondido em Tatooine, acompanhando o crescimento do filho de Anakin Skywalker à distância, especialmente porque o tio do menino, Owen Lars (Joel Edgerton) prefere assim.

Quando Leia (Vivien Lyra Blair) é sequestrada, Obi-Wan é compelido a sair de seu exílio e ajudar, mas precisa se reconectar com a Força e acreditar em si mesmo novamente para conseguir. Radicais reclarama de buracos na trama, mas todo conteúdo que conecta transições lida com obstáculos. Por exemplo, tem que trazer novidades, porém já sabemos o que vai acontecer com todos no futuro, portanto sabemos que todos que aparecem mais velhos em Star Wars – A New Hope estariam bem, incluindo os gêmeos Skywalker, os tios de Luke, Obi-Wan e, claro, Darth Vader. Portanto apenas novas personagens poderiam trazer elementos de surpresa, mas diante do gigantismo histórico de lidar com quatro lendários nomes, vamos combinar que seria quase impossível agradar, não é? Por isso a impopular Reva (Moses Ingram) pagou o pato.

Uma grande alternativa narrativa foi justamente evitar nos revelar a infância de Luke, tediosa por estar controlada por um tio avesso à aventuras, e trazer a impetuosa Leia, que sabíamos pouco e ainda precisamos de mais. Ninguém pode negar que a cena de abertura do filme original de 1977 não ficou mais emocionante quando a ouvimos pedir: “Ajude-me Obi-Wan Kenobi, você é a minha única esperança”. Ela pode se justificar que o respeita porque lutou com o Senador Organa (Jimmy Smit) na guerra dos clones, mas agora sabemos que é mais significativo do que isso.

No penúltimo episódio, tivemos a confirmação das intenções de Reva, deixada para morrer por Darth Vader apenas para descobrir que há um ponto fraco que possa vir a atingir ao vilão no coração: matar seu filho, Luke Skywalker. Obi-Wan então é forçado a salver os rebeldes, Leia e Luke mais uma vez duelando com sei ex-aprendiz.

E que duelo.


Em uma cena maravilhosa, perfeitamente interpretada por bons atores, vemos Darth Vader com aparente maior controle da Força e anulando seu ex-mentor, assim como Obi-Wan finalmente sai da inércia psicológica para mais uma vez tomar o terreno superior da complexa relação com Anakin Skywalker. Uma luta que é feita em detalhes para os fãs, com gestos e movimentos repletos de easter eggs e ritmo.

Mas a beleza da cena não é o novo confronto dos ex-amigos, mas o que finalmente dizem um para o outro. Porque o capacete de Darth Vader é cortado, vemos os dois lados dele, incluindo Anakin com sua voz original (em alguns momentos). A emoção de Ewan McGregor em sua tristeza, arrependimento e compaixão diante da raiva de Anakin são contagiantes. Alternar as vozes de Hayden Christensen e James Earl Jones também deu outra perspectiva à angústia da história. Quando Anakin é considerado morto por Darth Vader, resolvemos um dos maiores problemas da narrativa da versão original (quando Obi-Wan repete isso para Luke) e também explica a fraqueza do Jedi nos duelos. Para Obi-Wan, ele está sempre lutando com Anakin, não Darth Vader. Mais uma vez pede perdão, apenas para esbarrar com o ódio e ressentimentos que destruíram a alma do ex-aprendiz.

Darth Vader, cuja bondade apenas Padmé e Luke conseguiram sentir escondida nos restos de Anakin, ouve de Palpatine uma frase importante para contextualizar essa corrente: “Talvez seus sentimentos por seu antigo mestre o tenham enfraquecido. Se seu passado não pode ser superado…”, alerta o Imperador (Ian McDiarmid). Por hora Darth Vader amarga mais uma derrota para Obi-Wan, mas sabemos como será o último reencontro dos dois. E ouvir o tema do Império foi arrepiante.

Em Tatooine, Reva facilmente enfrenta os tios de Luke e até o menino, que por conta do medo ao seu redor, não desenvolveu seus talentos ainda. Porém a vilã não consegue matar Luke, que ela via como vingança contra Anakin, porque vê a inocência da criança. Sua redenção a deixa ainda livre para outra parte da história, lindando com os Inquisitores, mas por hora não despertou empatia.

O final feliz traz ainda mais emoção. Obi-Wan é oficialmente apresentado ao pequeno Luke, mas concorda que ele precisa de uma infância e “apenas ser um menino” antes de assumir seu papel no universo em crise. Também se despede de Leia (e finalmente ouvimos seu tema!) marcando a última vez que os dois provavelmente se viram e se falam.



No caminho para a sua futura casa, no deserto, Obi-Wan finalmente reencontra Qui-Gon Jinn (Liam Neeson). Como se o tempo não tivesse passado, o Jedi volta a ser tratado como adolescente pelo antigo mestre, que o criticou por ter perdido sua fé e a conexão com a Força. E assim, como sabemos, Qui-Gon ensinará a habilidade a Obi-Wan de se conectar ainda mais fortemente com a Força a ponto de superar a morte física, o que vai ajudar a Obi-Wan estar sempre com Luke mesmo depois se deixar ser morto por Darth Vader em Star Wars- Uma Nova Esperança.

Assim, Obi-Wan Kenobi cumpriu seu papel, amarrando pontas e principalmente, sendo uma grande fonte de nostalgia. Pena que chegou ao fim!

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