Viserys Targaryen: um bom homem, um mau rei?

Chegando domingo, com a exibição do episódio 8, diremos adeus ao ator Paddy Considine no papel de Viserys Targaryen. Seu nome abre os créditos de House of the Dragon, o colocando como a estrela da 1ª temporada. Também foi o único ator do elenco que não teria nem sido testado, recebeu o convite para dar vida ao complicado Viserys I, um homem que o próprio autor define como bom que não necessariamente foi o melhor rei.

Achar o tom exato para um cara legal, mas falho justamente por tentar acertar, não é uma tarefa fácil. A doçura que Paddy trouxe para a personagem, assim como suas contradições, faz de sua atuação uma das melhores da franquia. Acerto na escalação do elenco, na mosca.

Paddy é um dos atores mais respeitados no Reino Unido e apenas com essa série efetivamente virou um nome internacional. Ator e diretor, nem sempre faz papéis “simpáticos”, mas colocou Viserys entre um dos mais adorados da franquia, por entendê-lo tão perfeitamente que sua defesa é passional. ““Ele é um homem atormentado e rejeitado por todos, incluindo o Iron Throne que literalmete o come vivo”, disse em uma entrevista.

Embora o ator tenha acertado na “alma” de Viserys, há diferenças entre livro e série. Por exemplo, Viserys I era gordo e tinha bigode, assim como seu reinado foi marcado por bailes, banquetes e torneios, o que vimos pouco. A popularidade que também era descrita como unânime, pareceu mais uma tolerância geral. No livro, seu peso ficou tão extremo quando mais velho que nem conseguia subir para se sentar no Iron Throne. Mesmo mais cheinho, Paddy teve mais dignidade (embora tenha perdido um braço na série e no livro só tiraram dedos).


Outras diferenças na série estão na idade de Viserys e na sua relação com Rhaenyra. Quando ficou viúvo, o rei ainda não tinha 30 anos (e como Paddy tem quase 50, não ficou muito claro) e ao escolher a filha, foi treinando a princesa como sua sucessora. Pelo que vimos, nos anos cruciais os dois mal se falavam.

Como no livro Alicent era mais velha que a enteada, quando se casou com o Rei as duas se entendiam bem, portanto não foi um problema imediato para Viserys. O conflito entre elas surgiu aos poucos, com os filhos homens que Alicent deu à luz e que ela passou a querer que fossem os sucessores do marido. Já perto dos 40 anos, Viserys relutou para se posicionar, desagradando a ambas.

Por outro lado, Viserys aqui não é tão tonto. Ao perceber que Alicent foi plantada em sua vida, sua relação com a esposa nunca mais foi a mesma e essa mudança sutil é mérito de um grande ator como Paddy. Como ele mesmo diz, Viserys escolhe evitar confronto, mas quando decide não cede à pressão externa.

Outro relacionamento que ficou profundo na série foi o dele com o irmão, Daemon, uma história de amor fraternal complexa e exclusiva dos dois. A química com Matt Smith está em cada cena dos dois, conduzida por Paddy.

A integridade inegável de Viserys o impediu de encontrar uma saída para ele ou Alicent, até porque já era tarde demais. Se no livro o rei é babão por todos os filhos e netos, na série ele tem realmente uma situação diferente com a filha primogênita. Rhaenyra é a cara de sua mãe, Aemma, “uma benção e uma dor”, como Viserys definiu no episódio 7. Sua culpa por ter colaborado para a morte da esposa o destrói, literalmente. O resultado, ele deveria ter entendido, seria trágico e sangrento.

Há fãs que comparam e projetam a participação de Viserys Targaryen (Paddy Considine) com a de Ned Stark (Sean Bean). Em termos de atuação, ok, mas nas páginas da história, nem tanto. A retidão de Ned foi um exemplo para todos seus filhos, o ponto em comum de admiração, devoção e paixão, incluindo o “bastardo” Jon Snow e o “adotado” Theon Greyjoy. A série não nos proporcionou testemunhar como Ned foi um pai especial, abraçando as diferenças de seus filhos sem julgamento (Arya nunca precisou ser diferente de quem era) e colocando o amor antes do dever ao cuidar de Jon. A inocência (ou burrice) de Ned Stark pairou em toda série de uma forma icônica, nos conectando com o idealismo que custou sua vida.

Viserys está longe de escolhas difíceis. Ele foi induzido a escolher Rhaenyra como sucessora, mas se manteve inabalável depois. Ciente de estar cercado de hipócritas (Alicent se vendeu a ele por ordem do pai, não traí-lo foi uma escolha de medo mais do que desejo), ele conhece a filha e sabe o que está acontecendo, mas não vai se render a Otto de novo. Infelizmente, é o que ele pensa.

Os filhos e netos de Viserys mancharão as páginas da História de Westeros por conta da ambição dos Hightowers, mas é o rei que levará “a culpa” por não ter contido o ódio em sua família. Era uma batalha perdida.

Paddy Considine fará falta nas próximas temporadas, mas ninguém pode negar que reinou soberano na primeira fase da história. R. I.P. Viserys Targaryen, o primeiro de seu nome.

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