Maria Callas em 7 árias

Maria Callas costumava dizer que tudo que seus fãs precisavam saber dela estava na sua Arte, na sua música. Efetivamente, sua interpretação e alcance eram únicos e sua dedicação e perfeccionismo popularizaram a ópera fora de seu universo. Entre os especialistas, há que prefira outros sopranos, mas apenas Maria quebrou barreiras com seu talento e sua personalidade. Por conta dela, ópera passou a ser pop. Também passou a ser a referência da expressão “Diva”, com outra proporção: desde de divina, o que era, à difícil, que muitos também se queixavam ser.

Nascida nos Estados Unidos, de pais imigrantes, ela voltou para a Grécia ainda jovem, acompanhando a mãe e irmã. Nunca teve uma relação fácil com a família. Acima do peso e sem se enquadrar nos padrões de beleza da época, não parecia ter sido feita para o sonho que a mãe idealizou para sua irmã, o de ser uma estrela da ópera. Provou que todos estavam errados.

Maria se casou jovem, com um homem bem mais velho, Giovanni Battista Meneghini, que era um misto de pai, empresário e amante, e quem deu todo suporte para que ela se dedicasse à sua Arte com o foco que considerava imperativo. Ou seja, total.

Quando surgiu magra, esbelta e bonita, Maria Callas passou a ser referência fashion, trouxe charme para os papéis (e credibilidade artística) embora muitos apontem à essa transformação como uma das causadoras do “fim de sua voz” ao longo do tempo.

Na verdade, enquanto estava no palco ela era Callas, fora e para poucos, Maria. Ao se aproximar dos 40, com sucesso mundial e menos desafios de carreira, se permitiu se apaixonar. Em tempos de uma sociedade mais casta, traiu o marido e o deixou por um homem casado, Aristotles Onassis. Em tempos atuais é difícil explicar a ousadia de Maria ao assumir o papel da amante, sem dever nada à ninguém ou se importar com a opinião pública. Portanto os fãs que acompanhavam a história de amor, torciam por eles.

Porém, depois de toda humilhação de ser “a outra” – e em particular, ter feito um aborto a pedido do amante – foi trocada por Jacqueline Kennedy, com quem Ari se casou repentinamente (Maria esperou muitos anos sem pressioná-lo). O golpe foi duro porque aqui sim, Callas estava enferrujada, destreinada e sem inspiração para retomar o canto lírico. Tentou, mas fracassou. Trabalhou como atriz e como professora, mas a decepção amorosa foi cruel com seu coração e saúde.

Ao fim de sua vida teve um romance com o amigo e parceiro de palco, Giuseppe di Stefano, mas seu amor ainda era Aristotles, com quem se reconciliou poucos meses antes dele falecer. Não se sabe se eles se casariam porque o armador grego se foi antes de oficializar a separação com Jackie. Maria não estava em seu enterro, mas “morreu espiritualmente” em 1975. Os dois próximos anos foram praticamente de reclusão e depressão. Quando foi encontrada sem vida em seu apartamento, em 1977, surgiu o mito de ter sido por amor. Suas cinzas foram espalhadas no Mar Egeu, para que, como alguns afirmam, elas chegassem ao túmulo de Aristotles, na Ilha de Scorpio. Trágico e romântico, como Maria Callas sempre foi em sua essência.

O filme Maria, de Pablo Larraín, com Angelina Jolie, vai abordar os últimos dias de vida da artista, em Paris, onde os amigos alegam que ela passava horas pensando e chorando pelo passado. Há muita complexidade na biografia de Maria Callas. Mas sua música? É direta. Aos poucos vamos falar de seus papéis separadamente. Para iniciantes, vale um guia das árias básicas principais para, como ela mesma avisou, conhecê-la.

Casta Diva, de Norma

Há várias gravações de Maria Callas no papel principal, um de seus favoritos. Casta Diva com ela é uma conexão garantida com outra dimensão. Maria Callas interpretou Norma 89 vezes, sendo seu papel mais repetido em toda carreira, rivalizando em lembrança, claro, com Tosca.

Ritorna vincitor!, de Aída

Na gravação de 1951 no papel principal, Maria alcança a impossível nota de Mi Bemol que é lendária. A versão mais frequente é a de 1955, onde sua atuação é considerada perfeita.

Il dolce suono, de Lucia di Lammermoor

Lucia di Lammermoor é um de seus mais aclamados papéis, em especial, na da cena de loucura. A gravação de 1953 a tem ao lado dos parceiros mais famosos de palco, Giuseppe di Stefano e Tito Gobbi.

Vissi D’Arte, de Tosca

De todos os papéis, o de Floria Tosca talvez seja “O” papel de Callas, em especial quando canta a ária Vissi D’Arte (Vivi para a Arte) cuja letra e lamento são como confissões pessoais do soprano.

Sempre Libera, de La Traviata

Personagens trágicas eram as favoritas de Callas, claro, e a romântica Violetta Valéry obviamente liderava seu ranking entre as mais famosas e icônicas. Foram 63 interpretações do clássico de Verdi, com seis das sete gravações registradas ao vivo. Ela mesma gostava mais da gravação (pirata) de 1958, em Portugal, mas alguns elegem a de 1953 como a melhor.

Ebben? Ne andro lontana, de La Wally

A ópera La Wally tem maior popularidade por ser uma das que Maria Callas amava. Gravou uma das versões mais conhecidas da ária Ebben? Ne andro lontana em 1954, no auge de sua potência vocal. Sempre emocionante.

Ah! non credea mirarti , de La sonnambula

Ah! non credea mirarti  faz parte da ópera La Sonnambulla e ganhou popularidade quando foi cantada por Maria Callas em 1955. Na peça de teatro Master Class, é a trilha sonora para o momento em que Maria lamenta o fim do romance com Onassis, e chora por nunca ter sido mãe.

Tem toda pinta de entrar para a trilha sonora de Maria.

2 comentários Adicione o seu

  1. Assistimos ao documentário sobre Maria Callas duas vezes, gostamos muito, ela realmente era divina. Grande artista, embora tenha sofrido bastante. Uma voz dos céus!

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