Os 75 anos de um clássico disruptivo

O dramaturgo americano Tennessee Williams (nascido Thomas Lanier Williams III) é um dos mais importantes e influentes autores americanos de todos os tempos. Ao lado de Eugene O’Neill e Arthur Miller forma a trinca de a principal da cultura americana no século 20 e ganhou fama “de repente”, com a peça O Zoológico de Vidro (The Glass Menagerie), em 1944. Três anos depois explodiu na Broadway com Um Bonde Chamado Desejo (Ou Uma Rua Chamada Pecado), em inglês, A Streetcar Named Desire, considerada sua obra-prima. No elenco, um jovem desconhecido Marlon Brando encarnava o truculento Stanley Kowalski, dando à origem à sua lenda e grande influência com uma atuação natural e moderna, longe da grandiosidade tradicional do teatro até então.



Um Bonde Chamado Desejo – assim como todas duas peças – tem uma base próxima à vida pessoal de Tennesse Wiliams. Estreou na Broadway em 3 de dezembro de 1947 e acompanha as experiências de Blanche DuBois, uma mulher na meia idade que, após enfrentar uma série de perdas pessoais, busca abrigo com sua irmã mais nova e seu cunhado. A peça trata de saúde mental, pedofilia, estupro, homossexualidade e alcoolismo, entre outros. Blanche, cuja saúde mental é tênue, desaba sob o bruto Stanley e, após ser violentada por ele, “perde a razão”.

Tennessee conhecia muito bem distúrbios mentais porque sua querida irmã Rose foi diagnosticada com esquizofrenia e submetida a uma lobotomia, precisando viver em instituições pelo resto de sua vida. A dedicação era tão forte que, além de visitá-la com frequência, ele deu a ela uma porcentagem de participação em várias de suas peças de maior sucesso, para que os royalties ajudassem nos cuidados dela. O autor, ele mesmo homossexual, foi tão traumatizado com os efeitos devastadores do tratamento de Rose que muitos acreditam que aí estava a semente de seu alcoolismo e sua dependência de anfetaminas e barbitúricos.

A produção original da Broadway foi produzida por Irene Mayer Selznick, dirigida por Elia Kazan e, além de Brando, tinha a desconhecida Jessica Tandy como Blanche, Kim Hunter como Stella (esposa de Stanley) e Karl Malden como Mitch (amigo de Stanley e interesse romântico de Blanche). Jessica, assim como Brando, virou uma estrela e ganhou o Prêmio Tony de Melhor Atriz pelo papel. Porém, quando chegou a vez de levar a peça para o cinema, foi a única substituída do elenco original. No seu lugar entrou Vivien Leigh, que estrelou a versão inglesa e que ganhou o Oscar de Melhor atriz pelo papel (Karl e Kim também venceram, na categorias de coadjuvantes, o único que perdeu foi justamente Marlon Brando).

O filme tem uma intensa e icônica atuação de Vivien no papel que é o mais próximo de sua vida do que Scarlett O’Hara. Mas isso é tema para outro post!

Publicidade

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s