A história real de um serial killer eternizado no cinema por Charles Chaplin

Em 1947, Charles Chaplin ainda era a maior estrela do cinema no mundo, porém, nos Estados Unidos, sua simpatia por idéias liberais e o comunismo despertaram a desconfiança no FBI e o astro começou a sofrer críticas e matéria negativas sobre sua vida e trabalho. Além disso, enfrentou um divórcio e um longo processo de paternidade, cujo resultado o isentou mesmo que não tenha “salvado” sua carreira.

Já trabalhando com o cinema falado, Chaplin foi abordado por ninguém menos do que Orson Wells para um papel ousado: o de um serial killer. No caso, a idéia era de recontar a história de Henri Désiré Landru, que em fevereiro de 1922 (há 100 anos), foi condenado à guilhotina. Conhecido como Barba Azul, Henri seduzia viúvas de guerra por correspondência para assassiná-las e depois ficar com seu dinheiro. Seu julgamento atraiu atenção mundial, assim como o processo de paternidade contra Chaplin. Os paralelos eram inevitáveis.

Antes de chegar às telas, o nome do criminoso foi trocado para Mounsieur Verdoux e houve confusão de gênios, com Welles e Chaplin discordando. Segundo o diretor de Cidadão Kane, o projeto original era seu e foi ele quem se aproximou do ícone para que ele interpretasse um personagem baseado no serial killer. Chaplin teria aceitado, mas depois mudado de idéia para não ser dirigido por terceiros. Comprou o roteiro e os direitos da obra, dando um crédito a Orson Welles, mas mudou tanto que, do original, ficou apenas a cena de abertura. Chaplin, apesar do fracasso de bilheteria, apontava para Monsieur Verdoux como seu trabalho preferido e “o mais inteligente”.

A tagline original era “uma comédia de assassinatos” mas o MPAA recusou sob o Código de Produção (Código Hays), rotulando o cenário como “inaceitável”. Isso porque consideraram que o filme enaltecia os crimes. De fato, Chaplin “justifica” os assassinatos cometidos por Verdoux como menores problemas em comparação à recessão e Segunda Guerra Mundial. Sem direito a final feliz, o filme faz abertas críticas à indústria bélica e à guerra.

Henri Verdoux (Charles Chaplin) é demitido do banco para o qual trabalhou uma vida inteira e, para sustentar a mulher cadeirante e o filho pequeno, passa a dar golpes em viúvas ricas. O verdadeiro serial killer, Henri Landru, foi preso e julgado, sendo que o processo foi considerado um espetáculo para o povo francês que se encontrava fragilizado com os horrores do pós-Guerra. Ao todo foram 11 vítimas, no filme são menos.

Apesar de seu fraco desempenho comercial, Monsieur Verdoux foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original de 1947 e ganhou outros prêmios internacionais. Um filme frequentemente esquecido, mas ainda inteligente, mesmo 75 anos depois. É fácil achá-lo completo no Youtube (abaixo). Recomendo!

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