The Last of Us: estreia forte e promissora

A expectativa era imensa, graças ao mercado de gamers apaixonado pela franquia The Last of Us, um fenômeno em seu campo. Desde que a HBO anunciou que transformaria o jogo em série, a pressão foi crescendo. E cortando o suspense: não decepcionou.

Pensando nos não-iniciados, o roteiro do piloto foi didático, respeitoso e cheio de easter eggs com um ritmo dramático denso, como o de um bom filme de terror/suspense. Piora porque hoje vivemos tempos pós pandemia, o que significa que quando ouvimos falar em vírus ou fungos provocando mudanças, sendo contagiosos e necessitando de isolamento, é extra apavorante. O monólogo da abertura, em 1968, avisando dos perigos do meio-ambiente alterado que vira um cenário perfeito para esse tipo de risco é de colocar a gente de boca aberta e apavorada em dois minutos. E apenas depois disso que começa.

A série vai se passar em 2033, 20 anos depois do surto de Cordyceps, o fungo que altera a humanidade em zumbis carnívoros. Quem é infectado leva apenas dois dias para manifestar a alteração e não há cura aparente. Em 2013, quando começa o surto que assola o planeta, Joel Miller (Pedro Pascal) vive no Texas com sua sua filha, Sarah (Nico Parker, um doce e maravilhosa no breve papel) e seu irmão, Tommy (Gabriel Luna). Vítimas imediatas da histeria quando o Exército toma medidas extremadas nos casos de dúvidas (Sarah estava com a perna machucada em um acidente de carro, mas o soldado que os intercepta recebeu a ordem de executar pai e filha por segurança de todos), Sarah morre nos braços de um apaixonado e cuidadoso Joel, o traumatizando para a vida com razão.

Pedro Pascal, sem surpresas, está maravilhoso no papel do pai e ex-soldado seco, mas amoroso, que precisa se virar para sustentar sua família. Sem Sarah, perde qualquer docilidade e quando o reencontramos duas décadas depois, vive com a igualmente prática Tess (Anna Torv) e está preocupado com o desaparecimento de seu irmão.

Um mundo que não sai da pandemia como conseguimos com a Covid-19, é árido. Cidades viram Estados e a força é o que mantém aparentemente a ordem. Pensar em democracia ou liberdade, como os Fireflies, é arriscado. Tommy parece estar com esse grupo enquanto Joel faz sua vida vendendo drogas e armas no mercado negro. No meio desse cenário opressor, ganham a missão de “contrabandear” a adolescente Ellie (Bella Ramsey), mas há mais no que parece ser simples. A começar que Ellie é inteligente, perspicaz (saca em poucos segundos o código de SOS dos Fireflies, usando músicas dos anos 1980s) e também parece mais suspeita do que uma jovem em perigo. Tess e Joel descobrem acidentalmente que Ellie foi infectada pelo fungo, mas não se transformou em um zumbi. Nem temos tempo para digerir tanto porque num déja vu traumático da morte de Sarah, Joel instintivamente salva Ellie e agora os três são efetivamente foras-da-lei.

A viagem dos três apenas começou. Quem se liga na história, sabe que Ellie tem algo a ver com o destino de Riley, mas só será revelado mais à frente.

Bella Ramsey em papel de jovem corajosa e inteligente era algo que todos sabiam dar certo desde Game of Thrones. Será uma grande pressão tê-la como protagonista, mas aposto em seu talento.

The Last Of Us, como sabemos, terá uma trilha sonora poderosa. O tema do jogo, composto por Gustavo Santaolalla abre a série e para os gamers é como o tema de Game of Thrones ou The Walking Dead: clássico. E, como já falei, repleto de sucessos dos anos 1980s. Terminar com Never Let Me Down Again, de Depeche Mode, foi a cereja do bolo. Se depender do piloto, The Last of Us será mesmo o sucesso do ano da HBO. Abriu bem 2023.

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