30 anos sem Audrey Hepburn

Como publicado em CLAUDIA

Audrey Hepburn é uma das atrizes mais famosas e queridas na história de Hollywood, reconhecida igualmente por sua beleza, talento, simpatia e ativismo. Sua vida pessoal e sua carreira de sucesso renderam prêmios, livros, documentários e biopics, mas é o projeto dirigido por Luca Guadagnino e estrelado por Rooney Mara que estamos ansiando para ver.

A vida de Audrey certamente parece um filme: nascida na Bélgica, em 1929, Edda van Heemstra Hepburn-Ruston tinha mãe holandesa, de origem aristocrática, e pai empresário inglês. Educada principalmente na Inglaterra, sua infância foi marcada duramente pela Segunda Guerra Mundial. Isso porque sua mãe acreditava que estariam mais seguras na Holanda, um país que havia prometido permanecer neutro no conflito. Mas os nazistas invadiram de qualquer maneira o país e o que Audrey testemunhou foi avassalador. Um tio e um primo foram executados e um de seus irmãos foi preso em um campo de trabalho forçado nazista. Assim como milhões de outros, ela e sua família quase morreram de fome quando os nazistas cortaram o fornecimento de alimentos. Ela uma vez que a família precisou comer bulbos de tulipa para sobreviver. O que depois virou referência de beleza (e que ela desgostava) era sua figura esbelta, na verdade o resultado de desnutrição na adolescência.

Mesmo jovem, se engajou na resistência aos alemães e quando a Guerra chegou ao fim, finalmente conseguiu retornar à Inglaterra. O sonho da jovem Edda era ser bailarina clássica, mas era alta demais (especialmente nas pontas) e passou a trabalhar como modelo, corista, dançarina e atriz. Enquanto participava de um filme em Mônaco, chamou a atenção da escritora Colette, que a escolheu pessoalmente para estrelar a adaptação teatral de seu romance Gigi em Londres. Aos 22 anos virou uma estrela em West End, indo direto para a Broadway com a peça.

Na época, o diretor William Wyler buscava um rosto desconhecido para o filme A Princesa e o Plebeu (Roman Holiday) e se encantou com ela. Ao final das gravações, Gregory Peck – o maior nome do elenco – fez algo inusitado em Hollywood: pediu que o nome da iniciante abrisse os créditos ao lado do dele. Segundo ele, não foi gesto de humildade, apenas o reconhecimento imediato de que Audrey Hepburn seria um ícone e ele não queria passar a vergonha. Wyler compartilhou a impressão. “Aquela garota”, disse quando acabou de filmar, “será a maior estrela de Hollywood”.

Podem argumentar que eles foram proféticos, embora a vivência os ajudasse a ter o discernimento correto. Após o lançamento do filme em 1953, Audrey ganhou o Oscar de Melhor Atriz pelo papel e em seguida ganhou um Tony por sua atuação em Ondine, da Broadway.

A aparição de Audrey Hepburn no cinema representou muitas mudanças. Magra, alta e infalivelmente estilosa, a atriz morena foi o contraponto que reverteu a imagem das estrelas loiras de Hollywood (com Marilyn Monroe como maior referência). Ao lado de Grace Kelly, Audrey era o epitome da elegância e discrição, uma verdadeira “princesa”. Seus papéis de Cinderela moderna foram reforçados com sucessos como Sabrina, Cinderela em Paris (Funny Face) e Amor na Tarde (Love in the Afternoon), por isso quando estrelou Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s) muitos ficaram chocados de vê-la como garota de programa. No entanto, o filme mais polêmico com seu nome foi justamente o musical My Fair Lady. Escolhida para interpretar Eliza Doolittle no lugar de Julie Andrews, que era famosa pelo talento como cantora e havia originado o papel na Broadway, fez parecer que a eterna doce Audrey entrou na briga de egos para ter um papel para o qual foi dublada (sim, por Marni Nixon). Julie foi vetada por não ser famosa, mas Audrey não teve nada a ver com isso. Para piorar, Julie estrelou o bem sucedido Mary Poppins e “tirou” de Audrey o Oscar de Melhor Atriz naquele ano. Drama involuntário que gerou muita fofoca na época.

Indicada ao Oscar cinco vezes, inclusive por Um Clarão nas Trevas (Wait Until Dark), em 1967, Audrey deu uma longa pausa em sua carreira nos anos 1970s, só voltando às telas em 1976, se dedicando mais à criar seus filhos, na Europa, principalmente na Suíça. Casada com o ator Mel Ferrer em 1954, teve dois filhos com ele antes de se divorciarem em 1968. Também se casou com Andrea Dotti, um psiquiatra italiano, com quem teve um filho, mas também se divorciou. Seu último relacionamento foi com o ator holandês Robert Wolders. Seu último filme foi Always, de Steven Spielberg, onde interpretava um anjo.

Mesmo com todo esse sucesso, foi o papel de ativista que fez de Audrey mais uma vez uma lenda em Hollwyood, graças ao seu engajamento com a UNICEF, um trabalho que creditava ​​à sua experiência de infância de fome e medo durante a guerra. Como embaixadora da Boa Vontade, viajou extensivamente pela África e América Latina e sua visita à Etiópia durante a seca foi uma das imagens mais marcantes do século 20, ajudando a chamar a atenção para a situação das crianças famintas. Mais ou menos nessa época que seu câncer no cólon foi diagnosticado, mas seguiu trabalhando. Em 1992, ela foi premiada com a Medalha Presidencial da Liberdade, mas em 20 de janeiro de 1993, o câncer tirou a atriz de nós. Tinha apenas 63 anos.

Por tudo que sempre representou, nas telas e fora delas, fica aqui a minha homenagem à eterna Audrey Hepburn.

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