60 anos de Bonequinha de Luxo

O filme é quase uma definição de “clássico”. Trivias se acumulam, da música ao roteiro, o elenco, as roupas e o product placement eterno (o nome original é referente à joalheria Tiffany’s), Bonequinha de Luxo foi lançado nos cinemas há 60 anos e até hoje é adorado.

A obra que originou o filme tem diferenças. Não tem a veia cômica adotada por Blake Edwards e as personagen foram “editadas” para uma versão mais aceitável para a moral da época. Fred não podia ser gay e Holly Gollightly não usava drogas nem era bissexual, ficando bem mais “inocente” do no livro, mas a narrativa alterada não perdeu charme. A prostituição, por exemplo, mesmo que não escancarada, foi mantida. Em tempos atuais Doc seria preso por estupro, mas enfim, o filme segue fascinante.

O autor, Truman Capote, preferia Marilyn Monroe no papel, mas quis o destino que Audrey Hepburn repensasse a recusa inicial e topasse a ousadia de interpretar uma garota de programa maluquinha. O que seríamos de nós sem Audrey cantando Moon River no violão? A canção de Henry Mancini ganhou o Oscar naquele ano.

E os vestidos pretos com adornos de pérolas assinados por Givenchy? Os figurinos, CLARO, rendem post à parte.

Os óculos Oliver Goldsmith? Perfeitos.

E o sofá que é uma banheira? Posso querer um igual?

A lista não pára.

Há várias sequências sensacionais no filme, mas poucas ultrapassam a da “festa”.

A cena levou seis dias para ser finalizada e, para ajudar no clima, reza a lenda que a bebida não era fake. Holly convida o vizinho, Fred, para drinks mais ou menos às 18h. Quando ele chega, a festa já está rolando animada. E anfitriã está vestida com um lençol (alguns dizem toalha). Isso mesmo, embrulhada em um lençol. Eu não recomendo tentar imitar, apenas Audrey fica assim…

Há uma explicação para a escolha de Holly por um vestido pouco usual. Em uma cena deletada, Holly estava no banho quando a festa simplesmente “acontece” em sua casa. Para poder se juntar logo a todos, ela “improvisa” a roupa. Que pena que a cena foi descartada! Ainda assim, é mencionado que a anfitriã não está pronta e ela aparece deslumbrante. Mais tarde, com a festa ainda rolando, Holly já está vestida em seu tubinho preto.

É também nessa festa que Holly conhece o milionário brasileiro com quem mais tarde decide se casar por causa do dinheiro. Dizem que Capote teria se inspirado em Jorginho Guinle para a personagem, será?

A sequência da festa é sensacional e vai crescendo até que a própria Holly a abandona, dedurando o endereço para a polícia quando passa por eles. Engraçadíssimo e uma das cenas mais divertidas de Audrey no cinema. Vale rever.

Mais posts sobre o clássico à caminho, incluindo a montagem de sucesso na Broadway com Emilia Clarke, de Game of Thrones, como Holly. E como poderia deixar de lembrar de Audrey cantando?

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