Vikings: Valhala, não é “Vikings”, mas não descarte sua qualidade

O desafio do elenco de Vikings: Valhalla era parecido com o de House of the The Dragon: precisava criar uma conexão com o público tão forte e perfeita como a original, Vikings. Mas o time liderado por Travis Fimmell tinha uma vantagem, o roteiro sempre sensível e certeiro de Michael Hirst. Quando os que criticam a sequência reclamam da série atual, eles nem sempre lembram que é aí que está o calcanhar de Aquiles da continuação. Claro que Hirst ainda assina a produção, mas há sempre algo faltando. São suas palavras.

Com isso em mente defendo Vikings: Valhalla. É uma série maravilhosa por si só. Usa a História real, cria romances e aventuras, e entretem, mas sua fórmula atual cria espaços que que a antecessora soube espertamente evitar (pelo menos até a última temporada). Isso quer dizer separar excessivamente as trajetórias de seus heróis. Enquanto esteve vivo, Ragnar (Travis Fimmell) dominava a narrativa e não nos perdíamos com os dramas coadjuvantes. Quando passamos a seguir o coração da trama, que era como os filhos dele não conseguiram se entender e manter seu legado, ainda havia coesão. Apenas quando separaram Floki (Gustaf Skarsgård) do grupo que criaram o problema que hoje Freydís (Frida Gustavsson) enfrenta: eles apresentam uma versão quase didática o dilema religioso entre pagãos e cristãos. Não segura por si só. Ragnar, que seguia os fundamentos sem deixar de questioná-los, nos conectava. Os outros não.

Desde a primeira temporada ainda sofremos em lidar com o fato de que algumas personagens foram alteradas por Michael Hirst (Harald Finehair/Fairhair, rei da Noruega, não teve filhos na série, mas o herói atual, Harald Sigurdsson (Leo Sutter) é seu bisneto, por exemplo). Para os diehards, isso confunde, mas o que importa é lembrar da História, não da série.

A primeira temporada nos apresentou aos heróis atuais: os irmãos Freydís Eiríksdóttir (Frida Gustavsson) e Leif Ekíson (Sam Corlett), assim como Harald Sigurdsson (Leo Sutter). Suas vidas se cruzam, se separam, se reencontram. Sam sofre em ter que superar o brilhantismo de Travis Fimmell e Frida a força de Katheryn Winnick. Não conseguem.

Temos efetivamente TRÊS séries em uma: temos a pagã Freydís, líder nata que não se submete à conversão cristã, que sacrifica tudo pela cultura viking. Temos os dois vikings – um cristão e outro cético – que viajam o mundo e conhecem outras culturas e pessoas e temos a Guerra Civil Britânica, lideradas por Earl Godwin (David Oakes) e a Rainha Emma (Laura Berlin). Neste universo é justamente Freydís que nos importa menos.

Não vou entrar nas reviravoltas das tramas, há muito ainda por acontecer. Há uma terceira temporada garantida e esperamos por mais depois. Vikings contou sua história em seis de longa duração (20 episódios cada), Valhalla tem que ser mais sucinta o que perde em desenvolvimento de personagem.

Já revi as trajetória dos verdadeiros Godwin e Emma, falarei mais dos outros. Sobre a segunda temporada? Muito boa. Queremos mais!

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