Estamos acompanhando as controvérsias da produção da Disney de Branca de Neve e os Sete Anões, um filme que 87 anos depois certamente é bem mais problemático do que potencialmente sucesso. São tantas questões revisadas, do feminismo ao preconceito, que NADA ao redor do filme tem sido sem crítica, o que deixa os fãs do clássico bem ansiosos. Porém há uma diferença gritante ainda não realçada: a roteirista é ninguém menos do que Greta Gerwig, a diretora que transformou Barbie em panfleto da nova geração de mulheres. Em outras palavras? Temos a pessoa certa para o projeto complexo.


A primeira sinalização do que ‘mudou’ na obra está no título: caiu a sensível menção aos anões no título e ficou apenas o nome da princesa: Branca de Neve. A atriz que vai interpretá-la não é caucasiana, é a latina-americana Rachel Zegler e a madrastra é a linda Gal Gadot. O Príncipe não é apenas chamado de “Encantado” e passa a ter um nome, Jonathan, interpretado por Andrew Burnap. Falarei mais sobre as mudanças abaixo.
As gravações foram concluídas em julho de 2024 e o lançamento já tem data marcada: 21 de março de 2025 e o atraso de um ano é também consequência das greves do WGA e do SAG em 2023, que paralisaram a produção.
Há rumores de que, além dos anões (que agora inclui uma mulher) serem fruto de uma narrativa preconceituosa, a questão da competitividade feminina, representada pelo espelho mágico da Rainha Má, teria que ser excluído. Como querem realçar, Branca de Neve é uma história de amor, ciúmes e o triunfo do bem sobre o mal. E depois, de ter transformado Barbie em um fenômeno pop em 2023, Greta estar conduzindo o roteiro é o diferencial que pode nos tranquilizar.

Criticando ou elogiando, Greta Gerwig trouxe uma abordagem moderna e inovadora para o universo da Barbie atualizando a personagem e a narrativa de várias maneiras significativas. Podemos destacar 5 delas:
Feminismo e Empoderamento: Gerwig integrou temas de feminismo e empoderamento feminino, subvertendo a tradicional imagem da Barbie como um simples símbolo de beleza. A Barbie de Gerwig é retratada como uma figura multifacetada que pode ser forte, independente e bem-sucedida em diversas áreas.
Diversidade e Inclusão: O filme apresenta uma gama diversificada de personagens, refletindo uma sociedade mais inclusiva. Isso inclui Barbies e Kens de diferentes etnias, corpos e habilidades, promovendo uma mensagem de aceitação e representação.
Humor e Meta-narrativa: Gerwig infundiu o filme com um senso de humor autocrítico e uma meta-narrativa que reconhece e brinca com a própria história e controvérsias da Barbie. Isso torna o filme atraente tanto para crianças quanto para adultos, oferecendo diferentes camadas de interpretação.
Personagem Complexa: A Barbie de Gerwig é uma personagem mais complexa e tridimensional. Em vez de ser simplesmente uma boneca perfeita, ela enfrenta dilemas e desafios emocionais, tornando-a mais relacionável e humana.
Questões Sociais e Culturais: O filme aborda questões sociais e culturais contemporâneas, como a igualdade de gênero, a pressão da sociedade sobre a aparência física e o impacto das redes sociais. Isso proporciona uma reflexão crítica sobre o papel da Barbie na cultura moderna.
Um exemplo específico de como isso foi feito pode ser visto na forma como a personagem principal, interpretada por Margot Robbie, navega por um mundo que constantemente questiona e redefine o que significa ser uma mulher moderna. Ao final, a Barbie de Gerwig não é apenas uma boneca, mas um símbolo de possibilidades infinitas e um convite para reimaginar o que é possível para todas as meninas e mulheres.
Com a confirmação da diretora em Branca de Neve, há uma confiança que a Disney está apostando na direção certa para revisar sua primeira princesa. Sem esquecer que a equipe de La La Land, Benj Pasek e Justin Paul, está assinando a trilha sonora!
Então, sabemos que temos uma Branca de Neve morena, um príncipe que tem ares de Robin Hood, modernizando o herói e possivelmente esquentando o romance deles. No original, ele é bem passivo, quase um “apenas Ken” e com essa mudança certamente estará diretamente envolvido na luta contra a Rainha má.

Seria mais garantido se Greta também tivesse dirigindo, mas essa função é de Marc Webb, de 500 Dias com Ela (um dos meu favoritos) e O Espetacular Homem-Aranha. Ele é ótimo e com o material que ela está assinando sinaliza ao menos a vontade de acertar. E aqui alguns dos desafios:
Representação de Gênero: A narrativa tradicional de Branca de Neve pode ser criticada por perpetuar estereótipos de gênero. Branca de Neve é retratada como uma figura passiva que precisa ser resgatada por um príncipe. Isso pode reforçar a ideia de que as mulheres são frágeis e dependentes dos homens para sua salvação e felicidade. Não muito diferente de Barbie antes de Greta Gerwick.
Beleza e Valor: A história coloca uma grande ênfase na beleza física como um valor central. A Rainha Má, obcecada por ser a mais bela, vê Branca de Neve como uma ameaça devido à sua beleza. Isso pode ser problemático na medida em que perpetua a ideia de que o valor de uma mulher está diretamente ligado à sua aparência física.
Consentimento: O beijo do príncipe que desperta Branca de Neve tem sido criticado por questões de consentimento. Branca de Neve está inconsciente e incapaz de dar consentimento, o que levanta questões sobre a natureza apropriada do ato.
Papéis de Gênero Tradicionais: A história também reforça papéis de gênero tradicionais, com Branca de Neve assumindo tarefas domésticas para os anões, o que pode ser visto como uma perpetuação de expectativas antiquadas sobre os papéis das mulheres na sociedade.
Diversidade e Representação: A falta de diversidade étnica e cultural na história original também pode ser vista como um problema. A narrativa é centrada em personagens brancos e não representa a diversidade da sociedade moderna.
Esses são apenas alguns dos aspectos críticos que podem ser discutidos em relação à história de Branca de Neve na cultura atual. É importante lembrar que, enquanto essas críticas são válidas, a história também pode ser reinterpretada e adaptada de maneiras que respondam a essas preocupações contemporâneas. Vamos ver em 2025!
Descubra mais sobre
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

1 comentário Adicione o seu