Daenerys e Jon Snow: A Ambição Que Os Separou

No período medieval, no qual Game of Thrones se encaixa, mulheres tinham apenas dois valores: política e linhagem. Sua fortuna era administrada e assumida por seu marido, seus filhos garantiam a continuidade de famílias. Dessa forma, eram peças para alianças estratégicas, não mais do que isso. Mesmo mulheres fortes como Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) “precisavam” a validação de um marido para ter voz.

Em House of the Dragon não é diferente: Rhaenyra (Emma D’Arcy) se casou duas vezes por questões políticas (sim, incluindo Daemon Targaryen (Matt Smith), seu tio e aliado) e ofereceu as mãos de seus filhos em momentos cruciais de negociação. Amor seria um bonus e muita sorte.

Diante disso, voltamos ao campo da especulação e ficamos nos questionando “e se” Daenerys tivesse feito o que tinha se comprometido – se casado assim que chegasse à Westeros – para ganhar aliados em sua busca pelo Trono de Ferro. Por que no final das contas ela voltou atrás?

A tínhamos mirando uma união política antes de chegar em Westeros e, ainda assim, no exato segundo em que ela teve o candidato perfeito diante dela – o “Rei do Norte”, Jon Snow (Kit Harington) – ela foi contra ele. Então, quando ela já tinha se apaixonado por Jon, ela não chegou à aliança e, em vez disso, mudou para o objetivo de reinar sozinha. Por quê?

Uma vez que a tensão entre política e sentimentos pessoais é um dos aspectos mais complexos de Game of Thrones, vale reavaliar.

Daenerys e Jon Snow

Por conselho de Tyrion (Peter Dinklage), Daenerys rompeu com o amante, Daario Naharis (Michiel Huisman), o ex-tenente da companhia de mercenários dos Segundos Filhos que se tornou seu conselheiro e executor, para estar livre para um casamento político. Tanto Tyrion como Ser Jorah Mormont (Iain Glenn), no papel, poderiam ser considerados uma vez que ambos vinham de famílias importantes de Westeros, mas não eram considerados por ela justamente por também serem homens exilados e em conflito com suas Casas.

Para quem acompanhava a série, a recusa era igualmente importante para deixar o caminho aberto para Jon Snow, mas por que não outras casas? Havia várias. Seja como for, a recusa de Daenerys em se casar com Jon quando a oportunidade se apresentou é uma mistura de razões políticas e emocionais que determinaram a conclusão trágica para ela.

Ambição e controle de Daenerys

Daenerys lutou muito tempo e arduamente para assumir o Trono de Ferro. Quando conheceu Jon, ela já estava fixada em seu destino como a única e verdadeira governante de Westeros, e ela provavelmente via qualquer união política (mesmo uma com alguém tão poderoso quanto Jon) como potencialmente diluindo sua autoridade.

Daenerys queria ser vista como a governante legítima por direito próprio, não como alguém que tinha que depender do casamento para ter poder. Moderna ela! O problema da incoerência com a narrativa da conclusão da temporada anterior precisa ser ressaltado.

Então, quando Jon foi revelado como Aegon Targaryen, ela se sentiu ainda mais ameaçada. Um casamento com ele, aos olhos dela, poderia tê-la feito parecer secundária, embora ambos fossem Targaryens.

Turbulência emocional

Quando percebeu que seus sentimentos por Jon estavam se aprofundando, Daenerys já estava em um estado emocional altamente precário. Ela havia sofrido traição, isolamento e uma longa série de decepções, e a recusa de Jon de omitir sua identidade para sua família só aumentou sua desconfiança. Por mais que ela pudesse se importar com ele, ela também o via como um rival que poderia potencialmente tomar sua coroa. E, não vamos esquecer, a dinâmica política estava mudando rapidamente. A lealdade de Jon ainda era para com seu povo, e ele tinha uma conexão pessoal muito mais forte com o Norte do que com o sonho de Daenerys de conquistar o Sul. Em sua mente, o casamento com ele pode ter sido uma ameaça à sua reivindicação, especialmente depois de descobrir sua verdadeira herança.

Daenerys não estava errada. No momento em que o segredo “vazou”, passaram a querer Jon como Rei em vez dela como Rainha. O desinteresse dele por Poder era irrelevante.

Orgulho Targaryen

Os Targaryens têm uma história de governar com vontades de ferro, e Dany não era diferente. Isso remonta ao seu profundo desejo de restaurar o poder e o legado de sua casa. Casar-se com Jon, embora politicamente lógico, pode ter parecido um compromisso desnecessário dessa visão. Ela não queria ser uma personagem coadjuvante na história de outra pessoa. Então, de certa forma, sua recusa em se casar com Jon foi uma manifestação de seus próprios medos de perder poder, seu orgulho e sua incapacidade de equilibrar seus objetivos políticos com sentimentos pessoais.

Resultado: todos perderam

Isolada, paranóica e obstinada, Daenerys acabou comprovando todos os medos impostos à ela, em vez de provar o contrário. Mesmo os que consideram que a reação de Jon, que era avesso à incesto e passou a rejeitar qualquer relação romântica com sua tia – algo que só descobriu ser verdade tarde demais – tenha determinado a ruína de Danny, não é verdade.

Claro que Jon teria aliviado o drama caso tivesse ao lado dela, mas ao mesmo tempo, corria alto risco por sua proximidade pois Daenerys poderia decidir matá-lo para acabar com a ameaça. Nós sabemos (ou esperamos) que ela jamais chegaria a essa posição, mas seus atos nos deixam em dúvida. No final, Daenerys entrou para a História como destruidora, Jon como traidor exilado e a disnatia Targaryen chegou ao fim.

Cálculos políticos de Sansa

Embora Cersei Lannister (Lena Heady) fosse a inimiga declarada de Daenerys, a principal oponente da Mãe dos Dragões foi Sansa Stark (Sophie Turner).

Sansa é uma das personagens mais inteligentes e politicamente experientes em Game of Thrones, e eu defendo que ela deveria ter sido capaz de ver como um casamento entre Jon e Daenerys poderia ter sido benéfico. Mas há algumas razões pelas quais ela não o fez.

Protegendo o Norte

A lealdade máxima de Sansa sempre foi ao Norte. Ela não se importava com o trono de Westeros, apenas com o Norte permanecendo independente, e ela via a lealdade de Jon ao Norte como a melhor maneira de garantir isso.

Sansa acreditava que se Jon se casasse com Daenerys e eles tivessem sucesso na conquista dos Sete Reinos, o Norte perderia sua autonomia. Uma aliança de casamento, mesmo que pudesse ter sido uma jogada politicamente astuta, significaria a lealdade de Jon a Daenerys e sua visão de Westeros, não ao Norte. Então, para ela, não era apenas sobre com quem Jon se casaria — era sobre o que esse casamento significaria para o futuro do Norte.

Suas Ambições Pessoais

Sansa também tinha suas próprias ambições crescentes. Ela havia passado por tanta coisa — traição, manipulação, sofrimento — e, no final da série, havia se tornado uma líder política formidável. Ela não deixaria ninguém (nem mesmo Jon) atrapalhar sua visão para o futuro do Norte.

Sansa também tinha uma profunda desconfiança de Daenerys, e com razão. Daenerys era, a essa altura, vista como instável e possivelmente uma ameaça. Sansa sabia o quão importante era ter um líder forte que entendesse a região, e Jon, na visão dela, era esse líder — casar com Daenerys teria complicado isso.

Desconfiança de Daenerys

Sansa não era fã de Daenerys, especialmente depois de ver suas tendências destrutivas. Depois que Daenerys queimou Porto Real, Sansa ficou ainda mais cautelosa com ela. Enquanto Daenerys estava focada em seu desejo pessoal de conquistar Westeros, a prioridade de Sansa sempre foi proteger seu povo e seu lar. Ela sabia que um casamento com Daenerys arriscaria alinhar Jon com alguém que já havia se mostrado implacável e, na mente dela, um líder que fosse muito movido pelo poder poderia colocar em risco a segurança do Norte.

Sua Estratégia

Na mente de Sansa, Jon não tinha nenhuma reivindicação ao trono de Westeros — ele tinha apenas uma reivindicação ao Norte, e ela sabia que ele provavelmente respeitaria isso. Se Jon tivesse se casado com Daenerys, sua reivindicação ao Trono de Ferro teria sido muito mais forte, e isso teria minado ainda mais as ambições de Sansa para o Norte. Ao manter Jon separado da influência de Daenerys, Sansa viu uma oportunidade de manter a independência do Norte.

Por que Jon e Danny não se casaram?

Tanto Jon quanto Daenerys estavam presos em suas próprias visões sobre o que deveria acontecer em Westeros, mas essas visões conflitavam. Jon, um homem do Norte, nunca teria aceitado a ambição de Daenerys de tomar sobre o Sul às custas da soberania do Norte. Enquanto isso, Daenerys não estava disposta a comprometer suas próprias ambições políticas diante do possível desafio de Jon à sua autoridade. Ambos queriam fazer o que era melhor para seus respectivos povos, mas suas motivações e valores não se alinhavam o suficiente para criar uma união estável.

Sansa, por outro lado, estava focada em manter o Norte livre da influência do Sul, e isso significava não apoiar o potencial casamento de Jon com Daenerys. Embora fosse politicamente vantajoso para todos eles, as apostas eram tão altas e as ambições pessoais tão fortes que o compromisso parecia impossível.

No final, o que vimos foi uma tempestade perfeita de emoção pessoal, cálculos políticos e lealdade profunda às suas causas individuais, tudo o que contribuiu para o colapso da potencial aliança matrimonial. É uma prova de quão complexa a política (e os sentimentos pessoais) podem ser em Game of Thrones.


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