Já estou ligada que a cada vez que Deborah Vance parece derrotada ou “aposentada”, é apenas o começo. Ela é mais próxima da comédia do que O Urso, mas ainda é dramática, mesmo que seja sobre fazer rir.
Longe vão os dias em que Deborah Vance e Ava Daniels não confiavam uma na outra ou nem mesmo se conheciam. Do momento em que Deborah admitiu que Ava era sua voz, passaram a ser uma unidade. E é bom que estejam juntas porque não é nada fácil a confusão em que se meteram, juntas. Presas contratualmente a um hiato de 18 meses sem trabalho, graças à Deborah um detalhe muda tudo: uma vez no exterior, se usar uma tradutora, não classifica como se ela estivesse fazendo o show. Assim, lá vão elas para Singapura.

A princípio tudo é festa, mas o excesso vira rotina e logo a amargura começa a surgir entre elas. No susto de uma fake news – que anuncia a morte de Deborah – acorda (literalmente) as duas, que decidem voltar para os Estados Unidos e mudar a narrativa. A descobrir na próxima temporada.
A questão é que embora as duas se desafiando estivesse ficando batido, assim está a fase de paz entre as duas. Hacks depende da imprevisibilidade e o narcisismo de Deborah, domá-la não é uma boa alternativa. Claro, mais do que “comédia”, a série virou sobre “Hollywood”, e se não fosse a brilhante Jean Smart, seria mais uma, o que os mais mal humorados consideram que seja o que está acontecendo.
O fato é, mesmo sendo avisado que a próxima temporada será a última, há menos surpresas possíveis. Ava e Deborah vão brigar? Vão virar o jogo? E agora?

Se autenticidade importa em comédia, a verdade vale para o drama. E no caso, a montanha-russa é a personalidade viciada em embate e conquistas de Deborah Vance. Ela não sabe parar — e talvez nem deva. Hacks é, no fundo, sobre esse impulso de continuar, de querer mais, de se recusar a aceitar os limites impostos pelo tempo, pelo mercado ou pelos outros. Mesmo que a próxima temporada seja a última, não parece que estamos nos despedindo de alguém que vai embora em paz. Deborah Vance quer sair no topo — ainda que ninguém mais tenha certeza de onde exatamente esse topo está.
E é isso que mantém a série viva: não a comédia em si, nem os bastidores do show business, mas a insistência inquieta de uma mulher que sempre transforma o fim em recomeço. Ava, agora mais cínica e calejada, talvez esteja começando a entender isso. Nós também.
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