Gente, se a esta altura você não sabe como a Dança dos Dragões acaba, provavelmente passou os últimos anos em outro planeta. Quem assistiu a Game of Thrones sabe e, para mim, que sei, não compro o suspense dos trailers de House of the Dragon. Claro, há muitas pessoas que nunca leram Fire & Blood e que já se esqueceram dos spoilers que a antecessora entregou ao longo dos anos, por isso faz sentido criar ansiedade sobre o que vem por aí.
O mantra do “se você sabe, sabe” nos faz apreciar os easter eggs que funcionam como foreshadowing do que está por vir, assim como a escala impressionante da produção. Afinal, estamos falando de uma história com mais de dez dragões em cena, exércitos massivos e batalhas por todos os lados. Sem essas batalhas, não há história. E, mesmo que a série já tenha mostrado algumas, alterado outras e pulado certas etapas do livro, há pelo menos três confrontos fundamentais que precisam acontecer nesta temporada. Será espetacular.
Por isso, se ainda havia alguma dúvida de que a terceira temporada de House of the Dragon finalmente entraria na fase mais brutal da Dança dos Dragões, o trailer divulgado pela HBO praticamente elimina qualquer possibilidade de cautela. Depois de duas temporadas dedicadas a construir alianças, ressentimentos e tragédias familiares, a guerra chegou ao ponto em que ninguém mais consegue controlar as consequências.


O que mais chama atenção não é apenas a quantidade de dragões em cena, embora ela seja impressionante. Vermithor, Silverwing, Caraxes e Syrax aparecem voando juntos rumo a Porto Real em uma das imagens mais impactantes já produzidas pela série. A sensação é quase apocalíptica. Pela primeira vez, a guerra deixa de ser uma disputa de reivindicações e se transforma numa demonstração explícita de poder nuclear. Se eu já não odiasse profundamente Hugh e Ulf pelo que eles ainda serão nessa história, apreciaria ainda mais a grandiosidade do momento.
A chegada de Rhaenyra à capital parece ocupar os primeiros episódios da temporada. As imagens sugerem a tomada de Porto Real e a retomada da Fortaleza Vermelha, algo que os leitores de Fire & Blood esperam há anos. Syrax pousando nos muros do castelo, soldados observando o dragão com evidente pânico e Alicent alertando Aemond de que “Rhaenyra está chegando” reforçam a impressão de que a vitória dos Pretos será rápida.
Aliás, vamos ressaltar: Alicent continua encontrando maneiras criativas de criar problemas. O acordo com Rhaenyra era entregar a cidade e Aegon, mas em que exatamente alertar Aemond ajuda sua enteada? A incapacidade estratégica da Alicent da série continua sendo o oposto da personagem sagaz que conhecemos no livro e, já no trailer, essa mudança volta a me incomodar. Ainda mais porque Olivia Cooke continua sendo uma atriz espetacular.
Essa alteração também reduz uma das dinâmicas mais interessantes da história: a rivalidade entre Aemond e Daemon. No livro, o regente voa para Harrenhal contra a vontade de todos para enfrentar o tio, enquanto Daemon usa justamente essa obsessão como isca para facilitar a entrada de Rhaenyra em King’s Landing. Agora, ao que tudo indica, Aemond simplesmente “foge” do tio. Sim, ele ainda encontrará Alys Rivers e ainda espalhará destruição por onde passar, mas parte da graça da Dança dos Dragões sempre esteve em acompanhar as estratégias dos dois lados, às vezes brilhantes, às vezes desastrosas.
E, pelo visto, ninguém sentiu falta de Otto Hightower. Sabemos que ele está preso em alguma cela, mas não aparece nos pôsteres, não aparece no trailer e mal é mencionado. Considerando que sua vida está por um fio, eu esperava pelo menos algum respeito pelo homem que, gostemos ou não, foi o verdadeiro arquiteto dessa guerra. Mas nada. Até Gwayne aparece empunhando espada, enquanto Otto parece ter sido completamente esquecido.


Mas, voltando ao trailer, talvez sua principal mensagem seja justamente a de que conquistar o trono não significa vencer a guerra.
Enquanto as imagens celebram a ascensão de Rhaenyra, os diálogos contam outra história. Repetidas vezes ouvimos personagens alertando que a coroa é um peso capaz de esmagar quem a usa, que seus inimigos continuam reunindo forças e que os habitantes de Porto Real não se sentem seguros cercados por tantos dragões. Sim, são aquelas frases de efeito que parecem profundas no trailer, mas que, isoladas, dizem muito pouco. Espero sinceramente que os melhores diálogos tenham ficado de fora da campanha de divulgação. Dá até saudade de Vikings e de Game of Thrones, séries que produziam frases destinadas a sobreviver muito além dos episódios.
Essa é uma das leituras mais interessantes sugeridas pelo material promocional. Durante anos, a narrativa foi construída em torno da ideia de que Rhaenyra era a herdeira legítima. Agora, a questão deixa de ser quem tem direito ao trono e passa a ser quem consegue governar em meio ao caos.
As imagens indicam que veremos o início da transformação de Rhaenyra de pretendente ao trono em governante sitiada. Há protestos populares, pichações contra seus filhos, conversas tensas com Alicent e momentos em que ela surge claramente desgastada, isolada ou emocionalmente destruída.
Ao mesmo tempo, a guerra cresce muito além de Porto Real.
A chegada de Daeron Targaryen e de Tessarion finalmente coloca em cena um dos personagens mais aguardados pelos leitores. Durante duas temporadas ouvimos falar do filho mais novo de Alicent sem jamais vê-lo. Agora ele surge liderando as forças dos Hightower ao lado de seu dragão azul, enquanto Lord Ormund Hightower conduz um dos maiores exércitos do conflito.
Também vemos a entrada definitiva do Norte na guerra. Roddy, o Ruína — ou Roderick Dustin — aparece ao lado dos temidos Lobos do Inverno, veteranos que marcham para o sul sabendo que dificilmente voltarão para casa. Para quem conhece a história de Westeros, a simples presença desses homens já funciona como um lembrete de que a escala do conflito está prestes a mudar.
Outro destaque inevitável é a Batalha da Goela.

As imagens mostram navios em chamas, dragões sobrevoando o mar, Vermax mergulhando sobre a frota inimiga e Corlys Velaryon comandando suas embarcações em um confronto que promete rivalizar com qualquer batalha naval já vista na franquia. A própria montagem do trailer sugere que este será um dos eventos centrais da temporada.
A aparição de Sheepstealer e de Rhaena parece confirmar mudanças importantes em relação ao livro e praticamente apagar o dilema envolvendo Daemon e Nettles. As imagens sugerem que Rhaena participará diretamente dos eventos da Goela, uma escolha que já altera significativamente algumas das histórias paralelas da Dança dos Dragões. Afinal, a segurança dos filhos de Rhaenyra estava sob sua responsabilidade e foi justamente ao abandoná-los para tentar domar Sheepstealer que a tragédia ganhou contornos ainda mais dolorosos.
Do lado dos Verdes, Aemond continua surgindo como a figura mais assustadora da guerra. Seja queimando Harrenhal com Vhagar, seja caminhando entre ruínas ou empunhando uma espada coberta de sangue, o trailer o apresenta menos como um príncipe e mais como uma força da natureza.
Já Aegon, que escapou por sorte — afinal, até sua própria mãe o havia descartado — parece seguir um caminho diferente. As imagens mostram um homem destruído física e psicologicamente, escondido sob um capuz e longe da corte. Ainda assim, tudo indica que sua história está longe de terminar. Sua conversa com Larys Strong e a insistência da montagem em mostrá-lo observando o céu alimentam teorias de que Sunfyre continua vivo.
Aliás, ele precisa estar vivo. Se você sabe, sabe.
Talvez o momento mais revelador de todo o trailer, porém, seja justamente aquele que não mostra uma batalha.


É o instante em que vemos Rhaenyra chorando.
Mais uma vez, o mantra.
A HBO sabe exatamente o que está fazendo ao encerrar a prévia com essa imagem. Para quem conhece a história, ela funciona quase como uma ameaça. Para quem não conhece, é apenas um lembrete de que nenhuma vitória na Dança dos Dragões dura muito tempo.
A terceira temporada promete finalmente entregar as batalhas que os fãs esperavam desde a estreia da série. Mas o trailer sugere algo ainda mais interessante: que a verdadeira guerra de Rhaenyra começa exatamente no momento em que ela vence.
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